Capítulo 5
Letícia não esperava que Samuel não fosse capaz de reconhecer ela, mas reconhecesse aquela pulseira.

Uma mistura de emoções tomou conta dela.

Estava prestes a falar, quando foi interrompida por Nicole.

— Letícia, por que você pegou a minha pulseira sem a minha permissão?

Assim que terminou de falar, Nicole avançou para arrancar a pulseira.

As unhas afiadas arranharam o dorso da mão de Letícia, abrindo um corte.

A dor fez Letícia soltar um gemido abafado.

Ela tentou puxar a mão de volta, mas Nicole aproveitou o movimento e se deixou cair para trás.

Ao ver aquilo, a expressão de Samuel mudou na mesma hora.

Por instinto, ele puxou Nicole para os braços e olhou para Letícia com um olhar sombrio.

— Então é isso, eu até pensei que...

— Então você roubou a pulseira da Nicole, foi desmascarada e ainda tentou agredir ela? Letícia, você é realmente repugnante!

Sem dar a ela qualquer chance de se explicar, Samuel acreditou nas palavras de Nicole.

Um frio percorreu o corpo de Letícia.

Ela levantou a mão ferida, ainda sangrando.

A voz carregava desespero e dor:

— Já que você reconhece essa pulseira, então não percebeu que, desde que recuperou a visão, nunca viu a Nicole usando ela? Porque ela nem sequer sabia da existência dessa pulseira, e também não é a pessoa que você acha que....

Antes que pudesse terminar, Roberto deu um tapa no rosto dela.

Sua visão escureceu.

O corpo perdeu o equilíbrio e bateu contra a torre de taças de champanhe.

Centenas de taças despencaram sobre ela, encharcando seu corpo.

Ela caiu no chão.

O corpo, ferido pelos impactos, começou a sangrar em vários pontos.

A dor fez as lágrimas escorrerem sem controle.

Célia se aproximou com o rosto fechado.

Sem hesitar, despejou o vinho tinto que segurava diretamente no rosto de Letícia, com a voz fria e dura:

— A Nicole não usava a pulseira porque estava quebrada e tinha sido levada para conserto. O mordomo acabou de trazer hoje. Você aproveitou que não estávamos em casa para usar escondido e ainda queria ficar com ela?

— Você pode fazer escândalo dentro de casa o quanto quiser, mas hoje é o aniversário da Nicole! E você fez essa cena na frente de todo mundo, fazendo a gente passar vergonha! Essa era a joia mais preciosa da sua avó, deixada para a Nicole. Como poderia ser sua?

Roberto reforçou cada palavra de Célia e, em poucos instantes, Samuel passou a acreditar completamente naquela versão.

Ele primeiro acalmou Nicole, que parecia extremamente abalada, enxugando as lágrimas do rosto dela.

Depois, caminhou até Letícia e se agachou ao lado dela, segurando o pulso ferido.

Retirou a pulseira, limpou o sangue com um lenço e colocou no pulso de Nicole, com um cuidado quase reverente.

— Nicole, essa pulseira carrega o amor da sua avó por você... e também guarda nossas lembranças de cinco anos. Eu não vou permitir que ninguém a manche.

Depois de dizer isso com firmeza, ele se levantou e olhou para Roberto, com a voz fria como gelo:

— Ela roubou um bem da família. Você não deveria punir ela?

Roberto assentiu várias vezes e mandou trazer um chicote, mantendo o chicote firme nas mãos.

— O erro de Letícia hoje merece cinquenta chicotadas! Fui eu que falhei na educação dela. Perturbei o clima de todos aqui. Hoje, vou disciplinar ela diante de todos, para restaurar a honra da família!

Sem hesitar, ele ergueu o chicote e golpeou com força.

As costas de Letícia se rasgaram sob os golpes, a pele se rasgando, o corpo tremendo sem parar.

Gritos agudos ecoaram pelo salão.

O sangue escorria sem cessar, rapidamente cobrindo todo o corpo dela.

A dor era tão intensa que sua consciência começava a se desfazer.

Da garganta escapavam gemidos sufocados.

— Eu não roubei... aquela pulseira sempre foi minha... foi a vovó que me deu...

Mesmo ao ver ela caída em uma poça de sangue, Samuel não demonstrou compaixão.

Ele apenas cobriu os olhos de Nicole e a levou embora.

Observando as duas figuras se afastarem cada vez mais, Letícia fechou os olhos, vermelhos de sangue.

Mordeu o lábio com força, suportando a dor sem emitir mais nenhum som.

Depois que a punição terminou, Roberto e Célia saíram sem sequer olhar para ela.

Os convidados e os funcionários também foram embora, um após o outro.

Ninguém se importou.

Coberta de ferimentos, Letícia permaneceu deitada no chão frio.

As luzes se apagaram.

E apenas a escuridão infinita a envolveu completamente.
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