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Capítulo 11: Ruídos na Madrugada

~~ Jade ~~

Quando cheguei da empresa a cobertura estava silenciosa, aparentemente Giovanne havia saído, o que me pareceu perfeito, pois não estava interessada em vê-lo. As horas passaram, eu estava no quarto, mais acordada do que nunca. O cansaço físico parecia ter sido obliterado pela adrenalina que aquela ligação do Renato havia injetado no meu sangue à tarde. 

Passei a noite inteira focada no trabalho. Eu estava adiantando o mapeamento dos vetores de reconexão sináptica, recalculando cada miligrama dos reagentes químicos para testar na bancada logo de manhã. Eu não ia apenas cumprir o contrato, eu ia provar a minha inocência esfregando os resultados na cara de Giovanne Vance.

Já passava das três da manhã quando o bipe característico do elevador privativo ecoou pela cobertura. Em seguida, passos pesados avançaram pelo corredor, mas não vinham sozinhos.

— Isso é som de salto... — murmurei para o monitor do laptop, revirando os olhos.

Soltei um riso soprado e voltei para as minhas análises. O "homem de gelo", o puritano do compliance que exigia dedicação exclusiva e restrição afetiva, estava trazendo uma mulher para a toca, que hipócrita.

O problema foi que os sons que vieram a seguir simplesmente me impediram de focar. A porta do quarto dele se fechou, mas o isolamento acústico daquela cobertura luxuosa não era páreo para o escândalo que começou. Logo de cara, um baque surdo contra a parede foi seguido pelo estalo nítido de um tapa na pele e um gemido alto, agudo, que ecoou pelo corredor.

Paralisei com a caneta no ar, os olhos arregalados.

— Misericórdia — sussurrei.

O que se seguiu foi uma sucessão de provocações sussurradas, respirações arfantes e os sons clássicos, ritmados e absurdamente nítidos de um sexo... eu diria que selvagem. Minhas bochechas queimaram instantaneamente.

— Esse homem é um nojento, um descarado — esbravejei, largando a caneta na mesa. — Incapaz de respeitar a minha presença... Custava ter ido para um motel?

Comecei a andar de um lado para o outro na suíte, ora cobrindo os ouvidos, ora chocada com a intensidade da barulheira. O rítmico colidir dos corpos e os estalos de pele contra pele continuaram até que uma sequência de gemidos agudos da moça precedeu alguns minutos de um silêncio abençoado.

Respirei aliviada, cruzando os braços.

— Hmm... Se esses gemidos não forem falsos, ao menos pra fazer o serviço ele serve — pensei alto, soltando uma risadinha cínica sozinha. — Gostoso o traste é, não dá para negar.

Tentei me sentar novamente para focar nos gráficos, mas não se passaram nem cinco minutos e a cama do quarto ao lado começou a ranger com força. Os gemidos dela retornaram, ainda mais altos.

— Eu não acredito... — bufei, irritada.

Peguei meu travesseiro, joguei-me na cama e o pressionei contra a cabeça com força, tentando abafar o som do show erótico vizinho, até que um gemido longo e agudo da mulher pareceu ditar o fim da segunda rodada.

— Agora acabou, não é possível — pensei, soltando um bocejo longo.

O cansaço finalmente começou a pesar nas minhas pálpebras, e decidi me ajeitar para dormir de verdade. Mas, para o meu completo desespero, a barulheira recomeçou pela terceira vez, implacável.

— Porra... Esse cara é uma máquina? — esbravejei no escuro, encarando o teto com pura indignação. — Ele tomou alguma coisa... Não é possível!

Eu estava pronta para enfiar a cabeça debaixo do colchão quando, desta vez, a voz do próprio Giovanne ecoou através da parede. Não era o tom corporativo que eu conhecia, mas um registro grave, rouco e absurdamente arrastado pelo prazer.

— Isso, deliciosa... Você senta muito gostoso. — Ele falava em inglês.

Aquela frase me atingiu como uma corrente elétrica. Ali no escuro, deitada na cama, senti um calafrio violento percorrer minha espinha. A imagem dele na noite anterior, sem camisa, com os músculos do abdômen desenhados sob o luar, a voz rouca soprando perto do meu pescoço, invadiu a minha mente sem pedir licença. Os rosnados de prazer dele no quarto ao lado continuavam, e um calor repentino e avassalador atingiu o meu núcleo.

Minha respiração ficou pesada, meu coração acelerou. Mordi os lábios, tentando lutar contra o que o meu próprio corpo exigia, mas os sons de t***s e as investidas pesadas do outro lado da parede me fizeram imaginar a cena com uma nitidez perigosa. Eu comecei a me imaginar ali, sob o corpo dele, recebendo aquela intensidade.

Impulsivamente, minhas mãos se apressaram e encontraram a minha intimidade. Eu estava úmida, latejando. Diante do ritmo daqueles sons, comecei a me tocar com pressa, buscando alívio, deslizando de forma frenética, os dedos até soltar um gemido baixinho e contido contra o travesseiro ao atingir um clímax intenso, exatamente no mesmo instante em que ouvi um último rosnado forte de Giovanne no quarto ao lado e o suspiro final da mulher.

Meus batimentos foram suavizando aos poucos, enquanto eu regulava o ar nos pulmões. O silêncio finalmente reinou na cobertura.

— Ele é realmente potente... O Renato quase não me fazia chegar em um — murmurei para a escuridão, fechando os olhos. Finalmente, o silêncio me permitiu descansar.

Na manhã seguinte, bem cedo, eu já estava vestida com calça jeans e uma blusa simples, de pé na sala de estar com a minha bolsa, aguardando o horário do motorista, por mais exausta que estivesse.

Para a minha surpresa, a porta do quarto principal se abriu e Giovanne saiu sozinho. Ele usava apenas a sua calça de moletom cinza habitual, completamente sem camisa, com os cabelos bagunçados e uma expressão nitidamente cansada, mas travou o passo ao me ver ali na sala.

— O que está fazendo aqui? — ele perguntou, a voz ainda mais rouca, demonstrando uma certa urgência enquanto olhava ao redor.

Inevitavelmente, meu olhar desceu pelo peito dele, memorizando os traços do seu corpo por um breve segundo antes de eu desviar os olhos com indiferença, ignorando o magnetismo dele.

— Esperando o motorista.

— Não precisa ficar indo aos sábados — ele disse, passando a mão pelo rosto, parecendo tenso. — Vá descansar a mente para ver se ela funciona melhor... E não fique circulando aqui fora. Eu... Eu estou com visita.

Cruzei os braços, e um sorriso de puro deboche brotou nos meus lábios.

— Jura??? Uma ótima companhia, por sinal. Eu diria que excelente. Adorei o show erótico.

Giovanne congelou. Ele me olhou com os lábios entreabertos, seus olhos azuis arregalando-se em um misto perfeito de choque, surpresa e um constrangimento tão genuíno que quase não combinava com ele. Ele ficou bons segundos em silêncio, o rosto ganhando uma tonalidade levemente avermelhada, antes de soltar uma risadinha acanhada, coçando a nuca.

— Deu para ouvir?

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