Mundo de ficçãoIniciar sessão
O The Vault estava no volume exato para quem queria ser visto, mas ainda permitia manter uma conversa sem precisar gritar. Yasmin deu o último gole em seu drink, sentindo o sabor cítrico do gin descer gelado. Ela estava encostada no balcão de mármore, as pernas cruzadas de um jeito que o corte do vestido revelava o necessário. Yas era o tipo de mulher que não passava despercebida; sua energia era vibrante, o sorriso era fácil, mas o olhar era de quem não caía em qualquer conversa mole.
Ela tinha acabado de ter uma semana produtiva na agência e não estava a fim de voltar para o apartamento silencioso em Pinheiros tão cedo.
— Daniel, me vê a conta e mais um shot de tequila, por favor. O de ouro — ela pediu, batendo levemente as unhas bem feitas no balcão.
— Comemoração, Yas? — o barman perguntou, já alcançando a garrafa.
— Só celebrando que a semana acabou e eu ainda estou inteira — ela riu, virando o shot de uma vez. O calor da bebida se espalhou pelo peito, e ela sentiu aquela leve dormência que antecedia as melhores noites.
Foi nesse momento que ela sentiu alguém se aproximar. Não era a aproximação hesitante de um cara inseguro. Era alguém que sabia ocupar espaço.
— Bebendo tequila sozinha a essa hora? — a voz era grave e veio logo ao lado dela.
Yasmin virou o rosto devagar, mantendo um sorriso de canto. O cara era alto, tinha os ombros largos e o tipo de rosto que parecia ter sido desenhado para estampar capas de revista, mas com uma barba por fazer que tirava qualquer aspecto de "certinho". Ele vestia um paletó de corte impecável e um relógio pesado no pulso, mas Yas não deu muita importância aos detalhes de luxo; seu foco estava no jeito que ele a olhava — de cima a baixo, sem pressa.
— É só vontade, mesmo — Yas respondeu, sustentando o olhar dele. Ela não desviou. — E eu nunca estou sozinha por falta de opção. Só por escolha.
Ele arqueou uma sobrancelha, visivelmente intrigado com a segurança dela. — É uma escolha interessante. Mas parece um desperdício.
— Depende do ponto de vista — ela rebateu, inclinando a cabeça e analisando o desconhecido. Ele tinha olhos escuros que brilhavam sob a luz âmbar do bar. — E você? Está aqui para tentar me convencer de que a sua companhia é melhor que a minha própria?
O homem deu um sorriso de lado, encostando o cotovelo no balcão e diminuindo a distância entre eles. O cheiro de um perfume amadeirado e marcante invadiu o espaço de Yas. — Eu não gosto de convencer ninguém. Prefiro que a pessoa descubra por conta própria. Sou Arthur.
— Yasmin. Mas se me chamar pelo nome inteiro, vou achar que estou numa reunião de condomínio. Pode me chamar de Yas.
— Yas... — ele repetiu o nome, saboreando a sílaba curta. — Você trabalha por aqui? Tem cara de quem manda em alguma coisa grande.
— Sou estrategista em uma agência. E sim, eu gosto de estar no controle — ela admitiu, dando um sorriso malicioso. — E você, Arthur? Faz o quê da vida, além de interromper os drinks alheios?
— Eu cuido dos negócios da minha família. Mas hoje, eu só queria uma distração que valesse a pena — ele disse, a voz mais baixa e direta. Ele não estava tentando ser romântico; estava sendo claro. — Eu estava quase indo embora quando te vi. Seria um erro sair sem falar com você.
Yas soltou uma risada curta, achando graça da audácia dele. — Você é direto. Gosto disso. Mas eu não sou de cair em papo de bar só porque o cara é bonito.
Arthur se aproximou mais, o suficiente para ela sentir o calor do corpo dele através do tecido fino do vestido. — Eu não estou tentando te ganhar no papo, Yas. O que eu quero é pular a parte em que a gente finge que não sentiu essa eletricidade e ir direto para onde a gente possa se entender de verdade.
Yasmin analisou o rosto dele por alguns segundos. Ela não sabia quem ele era, de onde vinha ou o que fazia exatamente, mas a química ali era absurda. Ela era uma mulher bem resolvida, dona dos seus desejos, e Arthur era exatamente o tipo de "problema" que ela estava com vontade de enfrentar naquela noite.
— Meu apartamento fica a três quadras daqui — ela disse, pegando a bolsa e deixando o dinheiro do drink no balcão. — Mas já aviso: eu não tenho muita paciência para quem promete muito e entrega pouco.
Arthur sorriu, um sorriso predatório que fez o sangue de Yas correr mais rápido. — Pode ficar tranquila, Yas. Eu não costumo decepcionar.
Ele a segurou pela cintura com uma possessividade natural e a guiou para a saída. No caminho até o carro, a conversa foi rápida e prática, mas as mãos dele já não conseguiam ficar longe dela. O clima dentro do veículo, no curto trajeto, já estava sufocante de desejo.
Quando ele parou o carro na frente do prédio dela, a mão de Arthur subiu pela coxa de Yas, apertando com firmeza sob o tecido do vestido. — Qual andar? — ele perguntou, com a respiração já pesada.
— Décimo segundo — ela respondeu, sentindo o corpo inteiro responder ao toque.
Eles saíram do carro e entraram no hall. A partir dali, a conversa tinha acabado. O jogo agora era outro.







