CAPITULO 5

SOFIA

Meu coração se aperta, meus olhos ardem com as lágrimas que não deixo escapar, minhas mãos tremem. Fecho meus olhos e respiro bem fundo.

Ando a passos curtos para casa, meu pai tem me batido todos os dias e disse que hoje será um dia importante onde eu saberei sobre a cultura de sua terra e poderei cumprir o ritual, confesso que estou com muito medo, ele está intransigente e se souber que tenho um amigo é capaz de me matar, consigo sorrir ao lembrar de Poseidon querendo se aproximar de mim de qualquer forma e ser meu amigo.

Chego na porta da casa onde moro, minha cabeça lateja em antecipação respiro fundo e enxugo algumas lágrimas que teimam em descer, ultimamente tenho sentido uma tristeza muito grande, e as surras que tenho recebido a troco de nada tem uma grande contribuição para o meu desgosto com a vida. Quando entro vejo ele sentado no sofá assistindo um documentário na televisão, estremeço quando ele me dirige o olhar e vejo maldade.

– Sente-se aqui Sofia – ele aponta uma cadeira em sua frente – Precisamos conversar, chegou o momento de você conhecer as tradições de sua origem, eu não aguento mais esperar para fazer isso – caminho devagar e sento onde ele falou temendo pelo o que está por vir – Você sabe que eu e sua mãe viemos de um país distante, fugindo da fome não sabe?

– Sim – falo baixinho.

– Ainda é virgem, Sofia? – ele se levanta e caminha até a porta de saída e passa a chave trancando, sinto meu coração acelerar e o rosto esquentar não sei onde ele quer chegar perguntando isso novamente – Eu te fiz uma pergunta menina – grita e me encolho na cadeira – Você estudou fora, pode muito bem ter enganado a mim e a sua mãe, então responda e espero que a resposta me agrade.

– Eu nunca tive ninguém – falo tão baixo que sai como um sussurro, sinto um calafrio.

– Isso é muito bom – ele aprova e senta no sofá novamente, apoia os cotovelos na perna e me encara – De onde eu e sua mãe viemos, tem uma tradição indispensável e muito importante para o nosso povo a qual eu respeito muito e espero que você também.

– É sobre me guardar para o casamento? – pergunto respirando fundo e tentando controlar o meu nervosismo – Eu juro que não estou mentindo, vou me guardar para o meu marido.

– Menina tola, ninguém aqui falou em se guardar para o casamento – ele fala friamente sem se mover ou parar de me encarar, evito olhar em seus olhos pois não gosto do que reflete neles – Na nossa terra o pai da jovem tem o importante papel de tirar a virgindade da filha para poupar essa função ao marido – sinto que vou desmaiar, todos os pelos do meu corpo se arrepiam e meu coração falha várias batidas – Não se assuste querida, aconteceu com sua mãe, sua avó, sua tataravó. É normal para nós, e eu vou ter o imenso prazer em continuar com as nossas tradições. Não sabe como é difícil manter as tradições vivas estando tanto tempo longe. Sua mãe sempre soube que isso aconteceria com você, assim como foi com ela. Não irei te machucar, você vai gostar – fala com uma voz grossa e um olhar malicioso, sinto nojo e raiva, pois além de ser meu pai ele está velho para pensar em tanta malícia, ainda mais com a própria filha.

– Você é meu pai, minha mãe não aceitaria algo assim – falo exasperada.

– Não sabe de nada – fala debochado – Cuidei de você desde que nasceu, fui um bom pai e agora mereço ser recompensado.

– Não pode fazer isso, sou sua filha – falo com a voz embargada – Sua única filha.

– Sim, e esperei muito tempo por isso Sofia, tenho direitos – fala calmo enquanto eu estou quase surtando – Como o pai da sua mãe fez o favor de tirar a virgindade dela, e como é tradição na nossa terra, eu nunca tive essa oportunidade, esperei esse tempo todo por você, querida – sinto nojo – Não sabe como foi difícil deixar que fosse estudar em Atenas, alguém poderia chegar na minha frente, mas você foi obediente e se guardou para mim.

– Isso é nojento, você é meu pai – repito com ânsia de vômito.

– É tradição Sofia! – ele grita – Você querendo ou não terá que acatar, depois a vida segue normalmente – ele dá de ombros.

– Faz anos que mora na Grécia, aqui não é tradição isso – falo segurando a vontade de vomitar.

– Não sou Grego – grita.

– Mas eu sim – falo levantando e caminhando para o meu quarto, preciso sair dessa casa, ele ficou louco.

– Vai respeitar minha tradição menina – ele caminha atrás de mim – Vai tomar um longo banho relaxante e se arrumar para me esperar – pego uma mochila e vou jogando todas as minhas coisas dentro – Não vai a lugar nenhum, eu vou ser cuidadoso – a cada palavra que sai da boca dele sinto mais repulsa.

– Faz tanto tempo que saiu do seu país, deveria abandonar essas crenças horríveis e nojentas – falo com raiva e desespero.

– Não vou abandonar minhas tradições muito menos abrir mão do que é meu por direito – ele diz grosso por estar sendo contrariado

– Não vou fazer nada disso – digo angustiada querendo sair daqui.

– Sua mãe passou por isso, é normal, aceita – ele se aproxima e tenta me tocar, corro para o outro lado do quarto.

– Você me pegou no colo, me ensinou a nadar quando eu era pequena – falo lembrando dos momentos que ele se comportou como um pai de verdade – Tudo bem que nos últimos tempos se tornou um ser horrível, mas daí querer fazer esse tipo de coisa comigo é um absurdo, tenho nojo de você, nojo – grito e sua mão agarra meu braço com muita força.

– Você vai aprender a me respeitar Sofia – fala já tirando o cinto da calça que usa e estremeço.

– Por favor, não faça isso – peço chorando.

Júlio me j**a com raiva no chão e minha testa b**e na quina da cama de madeira, fico tonta com a dor, mas não desmaio. Ele sobe em cima de mim e tenta prender minhas mãos em cima da minha cabeça, começo a me deb**er, mas ele é mais forte, puxa meu cabelo com muita força para me imobilizar pela dor e sinto meu couro cabeludo arder.

Tento a todo custo me desvencilhar dele o que o deixa com mais raiva ainda de mim, então ele desfere vários t***s em meu rosto e sinto um forte gosto de sangue seguido de uma ardência no lábio inferior.

A sessão de espancamento não para por aí, ele está possesso e irreconhecível, vejo raiva em seus olhos. Ele b**e com o cinto várias vezes nos meus braços que chega a cortar e sinto arder.

– Está vendo o que me fez fazer, Sofia? – sai de cima de mim e me arrasto até encostar minhas costas na cama – Era para ser um momento delicado e inesquecível – vai até a mesinha de cabeceira e pega meu abajur e j**a no chão, me encolho mais ainda com o susto – Você não tem escolha, para o nosso povo é lei, é uma das tradições mais respeitadas e você não vai fugir das suas responsabilidades e obrigações – ele vai falando e eu só consigo chorar, minha visão está um pouco embaçada pelas lágrimas e meu estômago está embrulhado.

– Por favor, tenha piedade – peço já cansada de apanhar – Eu cresci na Grécia, sou grega.

– Cala a boca – ele grita e j**a todos os meus livros que estavam na prateleira no chão – Eu não sou grego, exijo o que é meu por direito.

– Isso é nojento, não pode abusar de mim – meu corpo todo treme enquanto vejo ele caminhar para perto de mim – Não, me solta – grito quando ele me puxa pelo pé até o meio do quarto.

– Ninguém vai ouvir você – fala sombrio montando em mim novamente e segura meus cabelos com força fazendo com que o encare – Eu fui um ótimo pai e é assim que você me paga? – pergunta após eu acertar um tapa em seu rosto e recebo um mais forte de volta – Não vou mais repetir que é nossa tradição e tem que respeitar, agora como uma boa menina obediente você vai tomar banho para tirar esse cheiro de tempero e se arrumar para mim.

Sinto muito nojo e não consigo controlar, o jato de vômito vem com força me sujando e sujando o monstro que está em cima de mim.

– Está vendo o que fez? – ele solta meus cabelos e sai de cima de mim – Vá se limpar, tem trinta minutos quando eu voltar espero que já esteja pronta e com esse quarto limpo.   

Quando ele sai corro para trancar a porta do meu quarto e sinto tudo em mim doer, isso não pode estar acontecendo, entro em desespero só com a possibilidade de ele fazer isso comigo, não posso passar por tamanho castigo. Vou escorregando pela porta até está sentada no chão, e começo a pensar em uma saída, respiro fundo e com dificuldade me levanto, vou até a minha cômoda e pego um vestido florido, visto depois de tirar a roupa suja de vomito, caminho até a minha bolsa que está jogada no chão do quarto, pego meu celular e torço para que ele me atenda, é a minha única salvação.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Cristina Oliveiranossa não sei como as pessoas em perigo consegue lembrar de fazer as malas para fugir, Eu teria fugido na primeira surra que ele me deu afff
Digitalize o código para ler no App