Alexandre Moretti
Eu não queria que este jantar fosse como os outros. Não haveria a mesa longa de Atibaia, nem o barulho reconfortante dos meus irmãos, nem a presença vigilante de Stella. Reservei um pequeno restaurante no topo de uma colina, um lugar que pertence a um velho amigo da família, onde a vista para as luzes da cidade parece um tapete de diamantes estendido sob os nossos pés.
Eu queria o silêncio. Queria a luz das velas refletida nos olhos de Elena. Queria, acima de tudo, que ela se sentisse segura o suficiente para despir a última camada de gelo que ainda protegia o seu coração.
Quando a ajudei a sair do carro, senti um leve tremor no seu braço. Ela usava um vestido de seda negra que abraçava as suas curvas de forma sutil, realçando a pele que agora tinha o brilho da saúde recuperada. O perfume dela, uma mistura de jasmim e algo que eu só conseguia identificar como "liberdade", preenchia o espaço entre nós.
Sentámo-nos numa mesa isolada no terraço. O vento sopr