CLARA
Nos dias que se seguiram à conversa com Henrique, me senti como se estivesse vivendo em uma espécie de nevoeiro. Eu fazia as coisas no automático — acordava, ia para o trabalho, falava com as pessoas, mas nada parecia realmente penetrar. Meu corpo estava presente, mas minha cabeça estava presa na montanha-russa de emoções que vinha me acompanhando desde aquela noite.
Ana, como sempre, foi minha âncora durante esse tempo. Ela não me pressionava para falar, mas estava ali, pronta para ouvir