Capítulo 7
Lavínia se debateu desesperadamente.

Mordeu a mão que tapava sua boca e conseguiu gritar, mas a chuva abafou o pedido de socorro.

O homem imobilizou ela, enfiou uma toalha em sua boca e prendeu seu corpo com uma corda.

Depois começou a rasgar suas roupas.

Perto dele, ao alcance da mão, havia uma faca, um machado e outras ferramentas.

A chuva batia no rosto de Lavínia e quase impedia que abrisse os olhos.

Ela mal conseguia distinguir a expressão feroz do homem à sua frente.

O desespero tomou conta.

Sabia que seria violentada e depois morta.

Mas não podia aceitar aquilo. Tinha acabado de decidir pelo fim daquele casamento fracassado. Estava prestes a começar uma vida nova.

Não podia morrer assim.

Lavínia voltou a se debater com todas as forças.

O homem segurou ela e começou a desferir tapas e socos violentos, um atrás do outro.

Com sangue escorrendo pelo canto da boca, ela viu, desesperada, enquanto ele tirava as calças...

Um tiro soou ao longe.

O homem parou por um instante. Em seguida, seu olhar ficou ainda mais cruel.

Ele agarrou o machado e ergueu a lâmina na direção da cabeça de Lavínia...

Outro disparo.

O machado caiu junto à orelha dela.

Um grupo de policiais correu até ali, com Pietro à frente, e dominou o homem.

Pietro tirou o casaco, cobriu Lavínia e pegou ela no colo.

Abraçou Lavínia com força. Ela ainda estava apavorada.

— Acabou. Desculpa. Eu cheguei tarde...

A toalha foi tirada da boca de Lavínia.

Ela se apoiou no peito dele, tentando recuperar o fôlego.

Não conseguiu mais segurar o choro. Agarrou a gola da roupa dele e começou a soluçar alto.

Quando viu o homem ser levado, firmemente amarrado, a tensão cedeu.

Ela perdeu a consciência.

Lavínia acordou no hospital.

Ficou olhando fixamente para a luz no teto, revivendo o pesadelo da noite anterior.

Estava prestes a se levantar quando ouviu a voz de Débora do lado de fora:

— Pietro, sua ideia deu certo mesmo! Foi só Lavínia vestir aquele vestido vermelho que o assassino em série apareceu! Agora ele não vai mais machucar ninguém! O pessoal da delegacia disse que todo o mérito desse caso é seu. Vão até te dar um prêmio...

Ele respondeu com calma:

— Chega. A gente resolveu o caso com o esforço de toda a equipe. O mérito não é só meu.

Lavínia ficou imóvel, sem acreditar no que ouvira.

O vestido. A comemoração do aniversário. Ter sido deixada sozinha no restaurante.

Tudo aquilo tinha sido planejado para usar ela como isca?

Era uma armadilha para pegar o assassino.

Todos sabiam. Só ela não fazia ideia.

Pietro entrou.

— Lavínia, você passou por um grande susto. Precisa descansar nestes dias...

Ela deu um tapa no rosto dele antes que terminasse.

O golpe fez Pietro virar a cabeça.

Ele sentiu gosto de sangue na boca e franziu a testa.

— Você...

Quando voltou a encarar Lavínia, viu as lágrimas que cobriam seu rosto.

Ela falou entre soluços, com a voz tremendo:

— Que direito você tinha de me usar como isca sem o meu consentimento?

Pietro ficou em silêncio por alguns segundos antes de responder com seriedade:

— Nisso eu errei. Devia ter conversado com você antes. Mas, se não tivesse queimado os documentos de Débora por ciúme, ainda teríamos o retrato falado do suspeito. Não precisaríamos ter chegado a esse ponto. Só fizemos isso para prender o assassino em série o quanto antes e impedir outra vítima. Você devia entender.

Lavínia estava cansada demais. Já não conseguia suportar.

Sem forças nem para falar, encarou Pietro com os olhos vazios.

— Eu entendo. Pode sair. Quero descansar.

Ela se deitou e fechou os olhos, deixando claro que não continuaria a conversa.

Pietro suspirou.

— Então descansa.

Assim que os passos dele se afastaram, Lavínia abriu os olhos, se levantou e foi resolver a própria alta.

Mal chegou em casa, o telefone tocou.

Uma voz feminina desconhecida falou do outro lado:

— Por favor, estou falando com Lavínia? Seu divórcio já foi concluído. A sentença está disponível para retirada. Pedimos que compareça o quanto antes com um documento de identificação.

Aquele também era o dia da viagem para o intercâmbio em Belmária.

Ela apertou o telefone e respondeu, um pouco rouca:

— Certo. Estou indo agora.

Lavínia voltou ao quarto, pegou a bagagem e olhou uma última vez para a casa onde tinha vivido durante cinco anos.

Nas últimas semanas, retirara todos os seus pertences e os de Clara. Não deixara nenhum vestígio.

Agora, também desapareceria por completo da vida de Pietro.

Não teria mais nenhuma ligação com ele.

Ela virou e saiu, decidida, sem olhar para trás uma única vez.

......

Lavínia recebeu a sentença de divórcio no fórum.

Um rádio próximo transmitia as notícias.

O assassino em série tinha sido capturado, e os policiais envolvidos na investigação seriam homenageados.

Quando ouviu o nome de Pietro, ela passou ao funcionário o número do telefone do escritório dele.

— Por favor, avise que ele precisa vir buscar a sentença pessoalmente.

Depois, seguiu para a companhia de dança e encontrou as duas colegas que também participariam do intercâmbio no exterior.

As três foram juntas para o aeroporto.

A chuva tinha passado. O sol brilhava.

A nova vida de Lavínia estava começando.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App