Por volta das dezesseis horas, quando eu organizava as últimas pautas da semana na minha mesa, ouvi passos firmes vindo do corredor do elevador. Ergui os olhos e encontrei Lucas Alencar. Ele vestia um paletó escuro bem cortado, sem gravata, e trazia no rosto aquele sorriso franco que sempre parecia quebrar a frieza habitual daquele andar.
— Boa tarde, Valentina — disse ele, parando diante da minha divisória de vidro.
— Boa tarde, Lucas — respondi, retribuindo o gesto com polidez. — Veio falar