Capítulo 6

Ricardo Ferraz nunca imaginou que aquela cena o afetaria tanto.

Os papéis ainda estavam sobre a mesa juntamente com a aliança deixada por Isabella.

Intactos.

Imóveis.

Como se zombassem dele.

Ele os encarava com o maxilar travado, o olhar escuro.

A carta… tão simples.

Tão curta.

Tão fria.

“Adeus, Ricardo.”

Só isso.

Só aquilo depois de sete anos?

Depois de tudo o que ele “deu” a ela?

Ricardo passou a mão pelos cabelos, irritado, andando de um lado para o outro na sala de jantar.

— Que tipo de brincadeira é essa…? — murmurou.

Aquilo só podia ser drama.

Isabella sempre foi emotiva.

Sempre sensível demais.

Provavelmente tinha descoberto alguma coisa superficial, criado um escândalo interno e decidiu fazer aquela cena.

Mas ir embora?

Sem falar nada?

Sem discutir? Sem implorar?

Aquilo… não parecia com ela.

Ele pegou o celular rapidamente.

Abriu a conversa.

Digitou:

"Onde você está?"

Enviou.

A mensagem nem sequer foi entregue.

Ricardo franziu a testa.

Tentou novamente.

Nada.

Então percebeu.

Ele foi bloqueado.

Seus olhos escureceram.

— Isabella… — sussurrou, entre irritado e incrédulo.

Ela realmente tinha ido longe demais dessa vez.

Mas, no fundo…

Ele não estava preocupado.

Isabella não iria longe.

Nunca foi independente de verdade.

Sempre precisou dele.

Do dinheiro dele.

Da estrutura dele.

Era questão de tempo.

Ela iria voltar.

Pedir desculpas.

Chorar.

Implorar.

Como sempre.

Convencido disso, Ricardo simplesmente deixou os papéis sobre a mesa, apenas pegando a aliança e a guardando consigo.

Ele resolveria aquilo depois.

Dois dias se passaram.

E Isabella não voltou.

Nenhuma ligação.

Nenhuma mensagem.

Nenhum sinal.

Foi aí que a irritação começou a crescer de verdade.

Na manhã do terceiro dia, Ricardo já não estava mais calmo.

Vestiu-se às pressas e seguiu para a empresa com o humor completamente alterado.

Ao entrar em seu escritório, jogou a pasta sobre a mesa com força.

— Droga… — murmurou.

Aquela situação já estava passando dos limites.

— Bom dia, amor… — disse uma voz suave.

Camila Albuquerque entrou no escritório com um sorriso.

Elegante.

Confiante.

Radiante.

Ela se aproximou lentamente, tentando envolvê-lo em um abraço.

Mas, antes que pudesse…

— Não agora, Camila — ele disse, seco.

O tom foi mais ríspido do que pretendia.

Camila parou no lugar, surpresa.

— O que foi?

Ricardo suspirou, passando a mão pelo rosto.

— Desculpa… eu só estou… irritado.

Ela cruzou os braços, curiosa.

— Com o quê?

Ele hesitou por um segundo.

Mas acabou falando.

— Isabella foi embora.

Camila arregalou os olhos.

— Foi embora? Como assim?

— Simplesmente sumiu. Deixou os papéis do divórcio e desapareceu.

Camila ficou em silêncio por alguns segundos.

Processando.

E então…

Um sorriso lento surgiu em seus lábios.

— E você está chateado por causa disso?

Ricardo franziu a testa.

— Não é isso. É só… irritante.

Ela deu um passo à frente.

— Ricardo… isso é perfeito.

Ele a encarou, sem entender.

— Perfeito?

— Claro. — ela sorriu, animada. — Era isso que a gente queria, não era? Você já pretendia se divorciar dela de qualquer forma.

Ele ficou em silêncio.

Era verdade.

— Ela só adiantou o processo — continuou Camila, com um brilho nos olhos. — Agora vocês podem se separar oficialmente… e a gente pode parar de se esconder.

As palavras ecoaram na mente dele.

Parar de se esconder.

Assumir.

Casar.

Ricardo olhou para a mesa.

Pensativo.

A ideia… fazia sentido.

Na verdade…

Fazia muito sentido.

Ele já estava com Camila há quatro anos.

Ela estava grávida.

Era apenas uma questão de tempo até tudo vir à tona.

Isabella sair daquela forma… só facilitava.

Ele soltou um pequeno suspiro.

— Talvez você esteja certa…

Camila sorriu, satisfeita.

— Eu sempre estou.

Ricardo pegou a pasta que havia trazido.

Abriu.

E retirou os papéis do divórcio.

Já estavam assinados por Isabella.

Tudo o que faltava…

Era a assinatura dele.

Ele pegou a caneta.

Hesitou por um breve segundo.

Mas logo assinou.

Sem remorso.

Sem olhar para trás.

Camila soltou uma pequena risada de felicidade.

— Finalmente…

Ela se aproximou rapidamente, envolvendo o rosto dele com as mãos e o beijando.

Um beijo cheio de vitória.

Ricardo correspondeu.

Como se nada mais importasse.

Como se sete anos não significassem nada.

Como se Isabella… nunca tivesse existido.

Então, com um sorriso, ele colocou a mão no bolso.

E tirou uma pequena caixa.

Camila arregalou os olhos.

— Ricardo…?

Ele abriu.

Uma aliança brilhava lá dentro.

Ricardo se ajoelhou ali mesmo, no meio do escritório.

— Casa comigo?

Camila levou a mão à boca, completamente eufórica.

— Sim! Claro que sim!

Ela praticamente pulou em cima dele, rindo, beijando-o sem parar.

— Eu esperei tanto por isso!

Ricardo sorriu.

Convencido de que tudo estava, finalmente, no lugar certo.

Alguns minutos depois, ele saiu do escritório.

Precisava resolver uma última coisa.

Algo simples.

Rápido.

Definitivo.

Ele caminhou até um canto mais reservado da empresa e pegou o celular.

Discou um número.

A ligação foi atendida rapidamente.

— Ricardo? — disse a voz do outro lado.

— Preciso de um favor — ele respondeu, direto.

— Diga.

Ricardo não hesitou.

— Bloqueie todas as contas em nome de Isabella Duarte.

Houve um breve silêncio.

— Tem certeza disso?

Ricardo olhou para frente, com um sorriso frio.

— Absoluta.

Se Isabella queria brincar de independência…

Então ele mostraria a ela o que acontecia quando tentava viver sem ele.

— Considere feito.

A ligação foi encerrada.

Ricardo guardou o celular no bolso.

Tranquilo. Convicto.

No controle.

Sem fazer ideia…

De que aquele seria o maior erro da sua vida.

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