O relógio na parede do Departamento de Relações Públicas parecia arrastar os ponteiros com uma lentidão cruel. Era sexta-feira à tarde, e aquele som metálico e ritmado marcava o fim contado de dez dias de uma farsa milimetricamente calculada. O telefone sobre a mesa de Juliana tocou, cortando o silêncio tenso.
Ela nem precisava olhar o visor. Atendeu imediatamente.
— Venha à minha sala. Agora.
A voz de Nicola Moretti veio fria, cortante, sem margem para saudações.
— Ok!
Respondeu ela, engolind