Mundo de ficçãoIniciar sessãoA expressão de Dante era intimidadora demais.
Fabi nunca havia falado com ele antes, mas já tinha ouvido histórias suficientes para saber que estava diante de um dos homens mais poderosos do país. Não era preciso conhecê-lo profundamente para entender que aquele tipo de homem destruía qualquer pessoa que ousasse ficar contra suas vontades.
Aquilo a assustou de um jeito tão forte que se sentiu sem saída. Por isso, sua única reação naquele momento foi fazer o que ele ordenou. Ela olhou para as câmeras apontadas em sua direção e sorriu.
Suas mãos começaram a suar imediatamente, principalmente quando Dante a puxou ainda mais para perto, tentando deixar claro para todos que havia intimidade entre eles.
Os flashes não paravam.
Os jornalistas começaram a fazer perguntas ao mesmo tempo.
— Quando ficaram noivos?
— Quem é ela?
— Há quanto tempo estão juntos?
— Como sua noiva lida com a sua fama de mulherengo?
A última pergunta chamou a atenção de Dante.
Ele virou lentamente o rosto na direção do repórter que fez a pergunta e respondeu com a maior tranquilidade do mundo:
— Tudo o que falam sobre mim na mídia em relação a esse assunto não passa de especulação. Sou um homem íntegro e sério, que sempre fez questão de separar a vida pessoal da profissional.
Enquanto ele falava, Fabiane olhava para o rosto de Dante com o olhar confuso e assustado.
— Sempre mantive discrição em relação à minha vida pessoal, mas, já que chegaram a esse ponto… — continuou, lançando um olhar frio para os jornalistas. — Saibam que a minha noiva…
Ao dizer aquilo, ele olhou para Fabiane e apertou a mão dela com mais força, o que a fez estremecer.
— … conhece exatamente o homem que sou e não dá crédito a nenhuma dessas especulações. Então, que fique bem claro que nenhuma tentativa de difamação promovida por pessoas de má-fé será capaz de nos atingir.
O coração de Fabi disparou.
— Nesse momento, posso garantir duas coisas a vocês. Primeiro: Ela é a única mulher da minha vida e, segundo: todos aqueles que estão tentando desmoralizar minha imagem vão responder judicialmente por isso.
Os jornalistas começaram a disparar ainda mais perguntas, mas Dante ignorou todas elas.
Sem dar mais qualquer explicação, apenas puxou Fabiane e saiu dali ao lado dela, como se tudo estivesse perfeitamente resolvido.
Mal conseguindo acompanhar o próprio raciocínio, ela o acompanhou mais uma vez, sem saber para onde estavam indo.
Tudo estava acontecendo rápido demais.
Ainda de mãos dadas, atravessaram o auditório sob os olhares curiosos de todos ao redor até chegarem ao estacionamento, onde o carro de Dante estava estacionado.
Assim que percebeu que já estavam longe das câmeras e dos jornalistas, Dante soltou a mão dela e respirou fundo, claramente irritado com toda a situação.
Em seguida, abriu a porta do carro, ordenando.
— Entra!
Fabi permaneceu imóvel. Seu coração batia tão forte que ela mal conseguia pensar numa saída para aquela situação.
— Eu… eu não vou fazer isso. — Sua voz saiu baixa e trêmula, demonstrando o quanto tudo aquilo a assustava.
Dante virou o rosto lentamente na direção dela. O olhar frio fez suas pernas enfraquecerem ainda mais.
— Eu não vou pedir de novo. — falou sem paciência.
Foi aí que ela engoliu em seco, dando um passo para trás.
Queria dizer não e exigir explicações. Queria também perguntar por que ele havia inventado aquela mentira absurda diante da imprensa e dizer que não aceitaria participar daquilo. Mas, diante daquele homem, todas as palavras pareciam perecer antes mesmo de saírem de sua boca.
Resignada, ela abaixou a cabeça e entrou no carro.
Dante fez o mesmo. Assim que fechou a porta, deu partida e saiu dali.
Apertando as mãos sobre o colo, Fabiane viu o carro se afastar do fórum.
Dante dirigia sem dizer uma única palavra e o silêncio dentro do carro só aumentava seu nervosismo.
Quando percebeu que ele não parecia disposto a explicar nada, ela finalmente criou coragem.
— O que significa isso?
Dante permaneceu em silêncio por mais alguns segundos. Só quando o carro parou em um sinal vermelho, ele resolveu falar.
— É o seguinte. — começou, sem tirar os olhos da rua. — Estou com um pequeno probleminha e vou precisar da sua ajuda.
Ela arregalou os olhos.
— Como assim?
— Como você já deve ter percebido, minha reputação está sendo atacada.
— E o que isso tem a ver comigo?
— Tudo.
Ela franziu a testa.
— Eu não estou entendendo.
Impaciente, Dante soltou um suspiro pesado.
— Não é tão complicado assim. A imprensa está tentando arruinar a minha imagem e você vai me auxiliar a mantê-la. Simples assim.
Pela primeira vez, ele virou o rosto para encará-la.
— Daqui para frente, você vai se passar por minha noiva até eu considerar que tudo está bem.
Ela ficou alguns segundos sem reação.
— Isso é um absurdo. Eu não vou fazer isso — respondeu, mesmo em meio ao nervosismo.
— Vai, sim.
— Não vou!
Replicou, tentando abrir a porta do carro, mas estava trancada.
— Por favor, destrave a porta e me deixe sair — pediu, com o coração na mão.
— Você não vai sair daqui até concordar com o que falei — respondeu com a voz mais grave.
— Não posso concordar com um absurdo desses. O senhor nem me conhece.
— Isso é o de menos — rebateu. — Tudo o que precisa é fazer o que mando. Vai ser fácil, vai por mim. Vou te recompensar muito bem.
— Eu não quero nada do senhor. Por favor, volte para o fórum e desfaça o que fez. Eu não concordo com isso.
— Escuta aqui.
Dessa vez, Dante soltou o volante e ergueu a mão com o dedo virado para ela.
— Eu não vou desfazer nada. Você vai fazer o que eu disse e ponto. Não estou te pedindo, estou te dando uma ordem.
O olhar dele foi tão frio que ela sentiu o corpo todo arrepiar. Dante não estava brincando, e muito menos lhe dando alguma opção.
A atitude dele a assustou, pois não sabia do que ele seria capaz.
— Por favor — tentou mais uma vez. — Me tire dessa responsabilidade, eu não sou a pessoa adequada para uma farsa dessas.
— Quem decide isso sou eu.
— O que está fazendo é errado — insistiu.
— Não vai ser você quem vai me dizer o que devo fazer.
Quanto mais ela tentava argumentar, mais Dante demonstrava que não se importava com nada, além de seus próprios problemas e vida.
O sinal ficou verde e ele voltou a dirigir, dando atenção para a estrada. Quando viu que Dante voltaria a ficar em silêncio, Fabiante tentou confrontá-lo mais uma vez.
— Tenho o direito de não querer fazer parte disso. — declarou, tentando soar mais segura. — O senhor não pode fazer isso comigo.
Quando viu que ela estava dificultando, Dante jogou o carro para o acostamento, parou e soltou:
— Então desça — disse, destravando a porta. — Mas fique ciente de uma coisa. Seu sonho de advogar ou fazer qualquer outra coisa na vida morrerá a partir do momento em que você abrir essa porta.







