Mundo ficciónIniciar sesiónSinto a onda de choque percorrer o corpo dela antes mesmo do primeiro gemido mais alto escapar. O modo como os olhos dela se fixam nos meus, arregalados pelo prazer e pela surpresa da intensidade, é a visão mais gratificante que já tive em anos.
As pernas, ainda sobre os meus ombros, tremem violentamente, e a pressão da sua musculatura se contraindo ao redor dos meus dedos é tão forte que chega a ser dolorosa — um aperto rítmico, faminto, que parece querer sugar cada grama da minha energia.
“Isso…” rosno, minha voz saindo como um trovão baixo, enquanto mantenho o olhar travado no seu, recusando-me a dar qualquer trégua. “Não desvie. Olhe para o que você está fazendo comigo.”
Sinto o calor do orgasmo dela inundar minha mão, a umidade agora transbordando enquanto ela arqueia as costas, perdendo qualquer rastro daquela pose de mulher independente que exibia na pista. No meu mundo, a rendição é a moeda mais valiosa, e ela acabou de me entregar um tesouro.
Mantenho o ritmo mesmo durante as suas contrações, forçando-a sentir cada segundo dessa descarga elétrica, prolongando o seu colapso até que seu corpo comece a relaxar por pura exaustão. Minha respiração é um som áspero no silêncio do camarote, e o suor faz minha camisa grudar no peito, mas eu não me movo.
Lentamente, retirei meus dedos, sentindo o vácuo que a pele dela faz ao soltá-los, e deslizei sua perna para fora do meu ombro. Eu me inclino, apoiando os braços no encosto do sofá, cercando-a, o rosto a milímetros do dela. Observo suas pupilas dilatadas, sua boca entreaberta buscando ar e o brilho de suor no seu decote.
“Você disse que ia pedir mais” sussurro, minha voz carregada de uma satisfação predatória, enquanto passo a ponta da língua no seu lábio inferior, provando o gosto do nosso caos. “Mas parece que essa morena atrevida finalmente encontrou o limite que dizia não ter.”
Passo a mão pelo seu rosto, limpando uma mecha de cabelo grudada na sua testa com uma delicadeza que contrasta violentamente com a brutalidade de segundos atrás.
“Me diz uma coisa…” provoco, com um sorriso cínico que voltou a dançar nos meus lábios.
“O seu mojito ainda parece a melhor ideia da noite, ou você finalmente admite que eu sou o único vício que você realmente precisava hoje?”
“Isso foi excepcional.” ouço ela dizer já quase recuperando o fôlego. “Mas um orgasmo fenomenal não é o suficiente pra me deixar viciada.” Ela completa com o sorriso mais cínico que eu já vi.
Was für eine verdammte Frau! (Que mulher maldita!)
Solto uma risada curta e anasalada, um som carregado de uma descrença divertida enquanto observo a sua audácia. Ela acabou de ter o corpo sacudido por um orgasmo que a deixou sem ar, e ainda assim tem a petulância de me enfrentar com esse sorriso cínico.
“Excepcional?” repito a palavra, saboreando-a com um escárnio sedutor. “Você usa adjetivos polidos demais para alguém que acabou de arranhar o couro desse sofá enquanto gritava, morena.”
Afasto-me apenas o suficiente para pegar o lenço de linho no bolso do meu paletó e limpar meus dedos com uma lentidão metódica, sem nunca desviar os olhos dos dela.
A minha calma agora é a minha maior arma. Termino de limpar a mão e jogo o lenço sobre a mesa lateral, como se estivesse descartando uma peça de um jogo que já venci.
“O seu problema, querida, é que você confunde um evento isolado com o início de um cerco” digo, aproximando meu rosto do dela novamente, minha voz agora um sussurro perigosamente calmo. “Você acha que o vício vem da primeira dose. Mas o vício real, aquele que faz você perder o sono e esquecer quem é, vem da percepção de que você encontrou alguém que pode tirar de você o que ninguém mais sequer teve a coragem de pedir.”
Seguro o queixo dela com firmeza, sentindo a pele ainda quente e úmida. Meus olhos descem para a sua boca, agora inchada pelo meu beijo, e voltam para os olhos.
“Um orgasmo não é o suficiente? Ótimo. Eu também detesto metas fáceis.” Meu sorriso de canto se torna predatório. “A noite em Mônaco está apenas começando, e eu ainda nem tirei o meu paletó.”
Levanto-me com uma elegância fluida e estendo a mão para ela, não como um cavalheiro, mas como um mestre convocando sua pupila para a próxima lição.
“Vamos sair daqui. O ar deste camarote está saturado demais com a sua arrogância. Quero ver se essa sua pose de ‘não viciada’ se mantém quando eu decidir que é hora de te levar para algum lugar onde não existam cortinas de veludo para esconder o que vou fazer com você.”
Arqueio uma sobrancelha, desafiando-a.
“Você vem por vontade própria ou eu vou ter que te carregar daqui como o troféu insolente que você insiste em ser?”
Observo cada movimento seu com uma atenção clínica e predatória. Ela é um insulto delicioso à minha tentativa de manter o controle.
O modo como ela ajeita a coluna, cruzando as pernas com uma elegância que ignora o fato de estar nua por baixo desse vestido que permanece amontoado na cintura dela, propositalmente, expondo a pele que eu acabei de incendiar.
E ela me encara com essa calma petulante que me faz querer descobrir quanto tempo levaria para vê-la implorar novamente.
“Esse outro lugar seria aqui dentro do clube ou lá fora?
Solto um riso baixo, carregado de um sarcasmo sombrio, enquanto termino de ajustar as abotoaduras do meu terno.
“Aqui dentro?” Repito, minha voz vibrando em um tom que não deixa dúvidas sobre as minhas intenções.
“O Le Masque é divertido para preliminares, morena. Mas eu não sou um homem que se contenta com espaços públicos, por mais ‘privados’ que eles pareçam atrás de uma cortina de veludo.” Eu minto.
É claro que eu já explorei cada canto, sofá ou cabine desse lugar. O que eu quero é ver os detalhes do rosto dela quando ela implorar, com uma luz que não seja a penumbra de um clube privado.
Dou um passo lento em sua direção, parando bem entre suas pernas cruzadas. Inclino-me para frente, apoiando uma mão no encosto do sofá, logo acima da sua cabeça, e a outra na base do assento, cercando ela completamente com a minha presença. O cheiro do sexo e da excitação dela ainda paira no ar, misturando-se ao meu perfume amadeirado.
“Eu tenho uma suíte no Hôtel de Paris que oferece uma vista impecável para o Cassino... e uma cama que vai testar cada centímetro dessa sua resistência” sussurro, meus lábios quase tocando a ponta do nariz dela.
“Lá fora, o jogo muda. Não haverá música alta para abafar seus gritos, nem barman esperando do outro lado da cortina. Apenas eu, você e o tempo que eu decidir que você levará para admitir que está viciada até a medula.”
Deslizo o olhar pelo rosto dela, descendo até a sua boca inchada, antes de voltar aos seus olhos com um brilho desafiador.
“O que me diz? Vai continuar sentada aí, protegida pela sua pose de independente, ou tem a audácia de cruzar a porta do clube comigo e descobrir o que acontece quando um homem como eu decide que você é o seu novo projeto de conquista?”
Aperto levemente o queixo dela, forçando-a a sustentar meu olhar.
“A escolha é sua. Mas se sair comigo por aquela porta, saiba que eu não pretendo te devolver para a pista de dança tão cedo.”
“Eu acho que vou declinar desse convite.” E nisso, o aroma de hortelã do meu hálito, que ainda pairava entre nós desde aquele maldito mojito, se mistura ao cheiro da sua derrota.
Sinto o meu maxilar travar instantaneamente. O som da negação dela, dita com essa calma insultuosa, é como uma bofetada de gelo na minha cara. Eu esperava o desafio, esperava o sarcasmo, mas essa neutralidade... essa sua voz sem sinal de provocação é o que realmente me tira do sério.
Ninguém declina um convite meu. Especialmente não depois de ter me usado para atingir o ápice do prazer em um sofá de clube.
Um silêncio pesado e perigoso cai sobre o camarote. Meus olhos, agora transformados em duas fendas de aço, fixam-se nos dela, tentando encontrar qualquer rastro de hesitação por trás daquela máscara de tranquilidade.
“Declinar?” repito a palavra, e ela sobe pela minha garganta como um veneno.
Dou um passo à frente, invadindo o seu espaço até que as minhas pernas toquem as pernas cruzadas. Inclino-me sobre ela, minhas mãos apoiadas no couro do sofá de cada lado do seu corpo, prendendo-a em uma jaula feita de carne, osso e um desejo que beira a fúria.
“Você acha mesmo que pode abrir a guarda desse jeito, me dar o que me deu, e depois simplesmente se recompor e dizer ‘não’ como se estivéssemos negociando o preço de uma ação?” sussurro, minha voz saindo tão baixa que é quase um som inaudível, mas carregada de uma promessa sombria.
“Você é muito ingênua ou muito corajosa se acredita que eu vou te deixar sair por aquela porta com essa sua pose de quem não foi afetada por nada.”
Minha mão sobe, o polegar pressionando com força a bochecha dela, forçando-a a encarar o abismo que existe no meu olhar.
“Eu não aceito ‘não’ de quem já me disse ‘sim’ com cada centímetro do corpo num camarote escuro, enquanto o couro do sofá marca suas costas como um mapa de aprovação. — Passo a ponta da língua pelo lábio superior, sentindo o gosto da sua pele que ainda paira no ar.
“Você pode tentar manter essa voz calma, mas eu sinto o seu cheiro, eu sinto o calor que ainda emana da sua nudez por baixo desse vestido.”
Aperto levemente o seu queixo, meu rosto a milímetros do dela.
“Me diz a verdade, sem essa sua calma de fachada... Você está declinando porque tem medo de que, se formos para o hotel, você não consiga mais fingir que não está viciada? Ou você realmente acha que tem o direito de terminar o jogo exatamente quando ele começou a ficar interessante para mim?”
Um sorriso cínico e predatório surge no canto da minha boca.
“Eu detesto perder o meu tempo, e você acaba de se tornar o investimento mais caro da minha noite. E eu nunca, morena... nunca aceito um prejuízo.”







