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Grávida do meu Arqui-inimigo
Grávida do meu Arqui-inimigo
Por: Edivânia Rios
Leona narrando... capítulo 1

A minha vida sempre foi feita mais de

choro do que de risada. Cresci vendo coisas que nenhuma criança devia ver, ouvindo gritos que ainda ecoam na minha cabeça até hoje. Eu morava naquela casa apertada com a minha avó, a minha mãe Sandra e os meus tios — homens duros, maus, que pareciam ter ódio de tudo e de todos, especialmente de que eram 7 homens contra 3 mulheres, eu ,mãe e vó.

Eles maltratavam a avó o tempo todo. Gritavam com ela por qualquer coisa, empurravam, batiam na mesa com raiva, e muitas vezes levantavam a mão contra ela também. Eu ficava ali, tremendo de raiva e de medo, querendo ter força suficiente para defender ela. Muitas vezes eu entrava no meio, brigava com eles, dizia para não se encostarem nela, mas eu era só uma menina, e eles só riam da minha cara, como se eu não valesse nada.

A minha mãe não podia ficar muito tempo em casa. Os tios batiam nela também, xingavam, diziam que ela era um peso, que ela era prostituta,eu vi muitas vezes eles jogarem água na cara dela enquanto dormia porque a dor de dente passava ela sentia sono.e dizia que ela me teve de um homem qualquer.Que não servia para nada. Então ela passava os dias fora, trabalhando de empregada doméstica na casa dos outros, limpando, cozinhando, sofrendo calada para trazer um pouco de dinheiro e comida para casa. Quando ela voltava, muitas vezes vinha com o rosto triste, cansada, e às vezes até com marcas nos braços, se os tios tivessem pegado ela na hora que chegava.

Meu pai era um pobretão, ia me ver sempre levava comida pra vovó fazer pra mim,mas ele morreu cedo, sofri demais.

Eu via tudo isso e sentia uma revolta que não cabia dentro de mim. Ficava agitada, nervosa, sempre alerta, esperando o pior a cada som mais alto, a cada porta batendo forte. Não tinha paz, não tinha carinho, não tinha segurança. O único porto seguro que eu tinha era a minha avó, que me abraçava escondido e dizia: — Um dia tudo vai mudar, minha filha. Um dia a gente vai ser feliz.

Mas eu não acreditava mais nessas palavras. Tudo o que eu via era violência, tudo o que eu sentia era dor. E eu não sabia ainda que essa vida tão cheia de ódio ia moldar o meu jeito de ver o mundo e de ser também e que um dia, eu ia acabar julgando errado tudo e todos.

Mas hoje depois que cresci muitas vezes prefiro ficar em festa do que na casa da minha avó, ainda sou virgem, eu sou uma pessoa inquieta, odeio mostrar minhas fraquezas, se alguém diz que sou perdedora eu procuro mostrar o meu lado vencedor.

Eu amo aparecer não quero conflito com o mundo quero paz mesmo dentro de mim, vivo uma guerra sem fim.

Eu quero acreditar que nasci para ganhar, mas nunca consegui um emprego legal quando trabalho todos querem me pagar mixaria, aí eu desisto do emprego.

Não sou conflitiva,sou apenas alguém lutando por meus direitos.

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