Capítulo 02

Giulia

Coloquei um vestido longo vermelho, arrumei o cabelo e fiz uma maquiagem leve. Nada exagerado. Quando terminei, me observei por alguns segundos no espelho.

Estava pronta.

Eu conhecia Danilo Marino, claro. Era impossível não conhecer. O jovem empresário rico, bonito, sempre mencionado em revistas e notícias sobre negócios. Pelo menos era isso que o mundo via.

Mas aquele não era o verdadeiro Danilo.

Pouquíssimas pessoas sabiam quem ele realmente era.

O filho do Don.

O homem que em breve assumiria o lugar do pai como chefe da família Marino.

Antes de descer, peguei o celular e procurei algumas fotos dele na internet. Fiquei alguns segundos observando a tela.

Ele era bonito.

Na verdade… bonito até demais.

Tinha aquele tipo de aparência que chamava atenção imediatamente. Alto, postura segura, olhar sério. Em algumas fotos aparecia acompanhado de mulheres diferentes, todas lindas.

Suspirei e joguei o celular de lado.

Aquilo não despertava o menor interesse em mim naquele momento.

Desci as escadas devagar e, quando cheguei à sala, Grazy estava organizando algumas coisas sobre a mesa. No instante em que me viu, seus olhos se encontraram com os meus.

Ela sorriu.

Um sorriso pequeno, carregado de cinismo.

Senti meu sangue ferver.

Vaca.

Antes que eu pudesse pensar em qualquer outra coisa, ouvi uma voz familiar atrás de mim.

— Feliz aniversário, Giulia.

Georgina me envolveu em um abraço apertado.

— Obrigada — respondi.

Ela se afastou um pouco, me observando com atenção.

— Você não parece muito animada.

— Não muito — admiti.

Georgina era minha irmã mais nova. Tínhamos três anos de diferença e, durante grande parte da adolescência, brigávamos por absolutamente tudo. Mas depois que ela completou dezessete anos, algo mudou entre nós.

Ficamos mais próximas.

Muito mais amigas.

O que, para ser sincera, foi um enorme alívio para os nossos pais.

— É por causa do Danilo? — ela perguntou, inclinando a cabeça de lado.

— Sim — menti.

Ela suspirou.

— Se você disser que não quer, papai não vai obrigar você.

Eu sabia que aquilo era verdade.

Nosso pai nunca foi como os outros homens do nosso mundo.

Mas ainda assim…

— Eu sei — respondi. — Mas nós duas sabemos que esse é o nosso futuro. Papai já nos deixou “livres” por tempo demais. E, além disso… acho que pode ser bom para as duas famílias.

Georgina me encarou com os olhos estreitos.

— Acho que você está mentindo… ou bateu a cabeça muito forte.

Não consegui evitar um pequeno sorriso.

Ela me conhecia bem demais.

Georgina sabia que Marco e eu tínhamos uma certa proximidade. Já tinha nos visto trocando alguns olhares, algumas brincadeiras, alguns beijos rápidos escondidos pelos corredores da casa.

Mas ela não sabia de tudo.

Não sabia que fazia mais de um ano que estávamos muito mais próximos do que deveríamos.

Nunca contei que às vezes me sentava no colo dele enquanto conversávamos. Que suas mãos já haviam deslizado pelas minhas pernas em momentos em que ninguém estava por perto.

E uma vez…

Uma vez ele havia tocado meus seios por cima da roupa.

Marco era responsável pela minha segurança. Estava sempre por perto, sempre atento, sempre presente. Isso tornava fácil demais encontrar momentos sozinhos.

Para Georgina, aquilo nunca passou de algumas brincadeiras inocentes.

E agora, depois do que eu tinha visto naquela manhã…

Eu não queria que ninguém soubesse de nada.

Muito menos dela.

Ao meio-dia em ponto, a família Marino chegou.

Danilo foi o primeiro a entrar.

Ele estava impecável. Terno escuro perfeitamente ajustado, postura ereta, olhar sério. Era impossível não notar sua presença. Alto, elegante… e absurdamente bonito.

Logo atrás dele vinha Paolo, seu irmão. Parecido com Danilo, mas com uma expressão completamente diferente. Onde Danilo parecia frio e controlado, Paolo tinha um sorriso fácil, quase provocador.

Por último entrou Pietro Marino, o patriarca da família.

Nos cumprimentamos com educação, trocando apertos de mão e beijos formais no rosto, e logo depois fomos para a sala de jantar, onde o almoço já estava servido.

Durante a refeição, os homens falaram sobre negócios, investimentos e política com aquela naturalidade típica deles, como se nós, mulheres da mesa, não entendêssemos absolutamente nada do que estava sendo discutido.

Eu já estava acostumada com aquilo.

Meu pai era conhecido fora de casa como um homem cruel e implacável. Muitos o temiam, outros o respeitavam… alguns faziam as duas coisas.

Mas dentro de casa ele era diferente.

Para a alegria da nossa família, ele sempre soube separar as coisas.

Minha mãe já me contou que, quando se casaram, eles não se davam muito bem. Que ele era frio, distante. Mas que com o tempo foram se aproximando, aprendendo a conviver… até que um dia perceberam que se amavam.

Eu nunca vi meu pai levantar a voz para ela.

Nunca.

Ele era carinhoso com minha mãe, comigo e com Georgina. E, diferente de muitos homens do nosso mundo, ele sempre tentou nos proteger. Nos deixou estudar, nos deu liberdade e nunca nos pressionou a casar aos dezenove anos, como acontecia com muitas garotas de outras famílias.

Eu não sabia praticamente nada sobre a vida privada de Danilo Marino.

Mas esperava que, pelo menos, conseguíssemos nos dar bem.

Depois do almoço, os homens se retiraram para o escritório do meu pai.

Uma hora depois, fui chamada.

Entrei já sabendo o que aconteceria.

E aconteceu exatamente como eu imaginava.

Fui prometida a Danilo Marino.

Era simples assim.

Em dois meses anunciaríamos oficialmente o noivado.

Em seis meses estaríamos casados.

Era isso que eu queria?

Claro que não.

Mas naquele momento o ódio que eu sentia por Marco ainda queimava dentro de mim, e a ideia de seguir com minha vida, longe dele, parecia quase um alívio.

Então eu apenas sorri.

Minha melhor expressão de simpatia.

Danilo me observava com um olhar sério, quase analítico, como se soubesse que aquele sorriso era falso. Como se conseguisse enxergar por trás da máscara que eu estava usando.

Mas ele também disfarçava bem.

Seu rosto era praticamente uma muralha de gelo.

Paolo, por outro lado, me observava com um sorriso de canto, descaradamente me analisando da cabeça aos pés.

Idiota.

Quando tudo estava decidido — sem que minha opinião fosse realmente necessária — eu saí para a área externa da casa.

Precisava de ar.

Precisava respirar.

— Precisamos conversar.

A voz de Marco atrás de mim fez meu corpo inteiro gelar.

Por um instante, considerei simplesmente ir embora e ignorá-lo.

Mas ele já estava ali.

— Não tenho nada para falar com você — respondi, sem me virar.

— Temos sim, Giulia. Olha… o que aconteceu hoje… o que você viu… não tem importância nenhuma.

Virei-me lentamente para encará-lo.

— Nenhuma importância? — repeti.

Ele deu de ombros.

— Nenhuma. Você sabe que eu gosto de você. Aquilo com a Grazy foi só um passatempo… um momento específico.

Meu estômago revirou.

— Você gosta de mim?

— Claro que gosto, linda — disse ele, dando um passo na minha direção.

— Gosta de mim… e estava transando com outra mulher? — falei, sentindo o gosto amargo das palavras. — Porque, sinceramente, você parecia estar gostando bastante.

— Giulia, nós não temos nada — respondeu ele com naturalidade. — E eu tenho minhas necessidades.

Soltei uma pequena risada, completamente sem humor.

— Suas necessidades? Você é um cretino.

Ele ignorou meu tom.

— Não se case com ele, Giulia. Você nem gosta dele. Você gosta de mim, eu sei.

Havia um sorriso presunçoso em seu rosto que me deu vontade de bater nele.

— Não é da sua conta com quem eu vou me casar.

— Preciso conversar com minha noiva a sós.

A voz surgiu atrás de nós.

Danilo.

Marco virou-se lentamente para encará-lo.

Os dois se olharam por alguns segundos, um silêncio pesado se formando entre eles. Danilo não levantou a voz, não mudou a expressão… mas havia algo em sua postura que deixava claro quem estava no controle daquela situação.

Marco foi o primeiro a desviar o olhar.

Sem dizer mais nada, ele se afastou.

Assim que ficamos sozinhos, Danilo falou:

— Você costuma ficar sempre tão perto dos soldados?

Cruzei os braços.

— Ele é meu segurança.

— E você precisa do seu segurança dentro da própria casa?

Idiota, pensei.

— O que você quer falar comigo? — perguntei.

— Quero te conhecer melhor. E saber o que você espera para o nosso noivado.

— Não acho apropriado ficarmos sozinhos aqui.

Ele ergueu uma sobrancelha.

— Seus pais sabem que estou aqui. E você não parecia achar inapropriado ficar conversando com o soldado.

Aquilo estava começando a me irritar.

— Não quero nada de especial para o noivado — respondi. — Minha mãe vai adorar cuidar de tudo.

— Certo. E quanto ao nosso casamento?

— O que tem?

— Algum pedido especial?

Pensei por um instante.

— Sim. Eu gostaria de continuar estudando.

Ele me observou com mais atenção.

— Estudando? E o que você estuda?

— Contabilidade.

Um pequeno sorriso surgiu em seu rosto.

— Gosto de mulheres inteligentes. Não tenho nenhuma objeção quanto a isso.

Apontei um dedo na direção dele.

— Você não pode mudar de ideia depois do casamento.

— Não vou mudar.

Sustentamos o olhar um do outro por alguns segundos.

— Ótimo — respondi.

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