CAPÍTULO 29 — O que o coração vê
A casa de Betina estava em penumbra quando chegaram. Era de costume. Desde que a visão da mãe começara a falhar, quase não acendiam as luzes. Ela se guiava pelo tato, pelo som, pela memória. Por tudo… menos pelos olhos.
—Mãe? —chamou Carolina assim que entrou.
—Estou aqui, filha… —respondeu a voz suave do sofá, acompanhada do som da bengala tocando o chão ao se levantar.
Carolina correu até ela e a abraçou forte, tão forte que o perfume da mãe — aquele cheir