Júlia Cavalcante
O silêncio do nosso apartamento nunca foi tão ensurdecedor. Olhar para as paredes brancas é como olhar para um espelho da minha própria alma: vazia, estéril e friamente organizada. Lian cumpriu o que eu pedi, ou melhor, ele aproveitou a deixa que eu, na minha agonia e covardia, ofereci em uma bandeja de prata. Ele sumiu. Não houve uma mensagem, não houve um "você está bem?", não houve sequer o rastro do seu perfume amadeirado que costumava impregnar cada pensamento meu.
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