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O Homem Que Começava a Perder o Controle

Min-jae permaneceu segurando o braço dela por mais alguns segundos.

Tempo demais.

O suficiente para perceber o calor da pele dela.

O suficiente para perceber que não queria soltá-la.

E aquilo era um problema.

Um grande problema.

Porque Kang Min-jae sempre teve controle sobre si mesmo.

Sobre os outros.

Sobre tudo.

Mas perto de Valentina…

O controle começava a escapar pelos dedos lentamente.

Ela observava isso com atenção silenciosa.

Como alguém assistindo uma rachadura surgir em algo extremamente valioso.

E ela adorava rachaduras.

— Você está pensando demais — murmurou ela suavemente.

Min-jae soltou o braço dela devagar.

Os olhos ainda presos aos dela.

— E você parece confortável demais com isso.

Valentina inclinou levemente a cabeça.

O sorriso pequeno permanecia nos lábios.

— Porque homens perigosos normalmente tentam esconder quando estão interessados. Você não.

Aquilo acertou diretamente o ego dele.

Impulsivo como sempre, Min-jae aproximou-se mais um passo.

Agora perto o suficiente para sentir a respiração dela.

— Talvez eu simplesmente não goste de fingir.

Os olhos de Valentina percorreram o rosto dele lentamente.

Bonito.

Intenso.

Aquele tipo de homem que parecia sempre à beira de explodir.

Ela gostava disso.

Gostava mais do que deveria.

Porque homens impulsivos eram divertidos.

Fáceis de provocar.

Fáceis de quebrar.

Mas Min-jae…

Min-jae parecia mais difícil.

E isso fazia o interesse dela crescer perigosamente.

— Isso pode acabar mal pra você, senhor Kang — disse ela em voz baixa.

— Você continua tentando me avisar como se eu fosse recuar.

Ela sorriu.

Doce.

Quase inocente.

— E você continua vindo atrás de mim mesmo sabendo que não deveria.

Silêncio.

A tensão entre os dois parecia viva agora.

Pesada.

Elétrica.

Então o celular de Valentina vibrou novamente.

Dessa vez ela realmente se irritou.

O maxilar tensionou minimamente enquanto pegava o aparelho.

Mensagem desconhecida outra vez.

“Você herdou os olhos do seu pai. Frios igualzinho.”

Os olhos dela escureceram imediatamente.

Frio absoluto.

Min-jae percebeu na mesma hora.

— É a mesma pessoa?

Ela não respondeu.

Apenas bloqueou a tela lentamente.

Mas Min-jae já estava irritado também.

Porque alguém claramente estava mexendo com ela.

E ele odiava isso mais do que deveria.

— Me dá o celular.

Valentina ergueu os olhos devagar.

— O quê?

— O número.

— Você quer resolver isso?

— Sim.

Ela soltou uma risada baixa.

Pequena.

Perigosa.

— Está tentando me proteger agora?

— Estou tentando descobrir quem está te perseguindo.

— Porque está curioso? Ou porque ficou possessivo?

A pergunta veio afiada.

Direta.

E Min-jae odiou perceber que não tinha uma resposta simples.

Porque era as duas coisas.

Aquilo era ridículo.

Ele conhecia aquela mulher há pouquíssimo tempo.

Mas já sentia vontade de arrancar a cabeça de qualquer um que a incomodasse.

Valentina percebeu imediatamente o silêncio dele.

E o sorriso aumentou minimamente.

— Interessante… — murmurou ela.

Antes que ele respondesse, os faróis de um carro surgiram ao longe atravessando os portões da mansão.

Um sedã preto entrou rapidamente na propriedade.

Min-jae franziu a testa.

O carro parou bruscamente diante da entrada principal.

E Han Seok saiu dele quase imediatamente.

A expressão séria demais.

Errada demais.

Min-jae percebeu no mesmo instante.

Alguma coisa aconteceu.

Han caminhou rápido até eles.

— Senhor Kang.

— O quê?

Han lançou um olhar rápido para Valentina antes de voltar ao chefe.

— Encontramos o homem que financiou Lee Hwan.

O silêncio caiu.

Valentina ficou imóvel.

Os olhos presos em Han Seok agora.

— Quem é? — perguntou Min-jae.

Han hesitou.

Algo raro.

Muito raro.

Então respondeu:

— O nome usado nas transferências pertence a alguém morto há quinze anos.

O mundo pareceu desacelerar por um segundo.

Valentina sentiu algo atravessar o peito pela primeira vez naquela noite.

Não medo.

Nunca medo.

Mas reconhecimento.

Porque ela sabia exatamente quem era.

Antes mesmo de Han terminar de falar.

— Kang Ji-hoon — disse ela calmamente.

Min-jae virou o rosto para ela imediatamente.

O olhar endurecendo.

— Seu pai?

Valentina permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Os olhos distantes.

Frios.

Perigosamente vazios.

Então sorriu.

E aquilo foi pior do que qualquer reação emocional.

Porque o sorriso dela parecia completamente errado agora.

— Interessante… — murmurou baixinho. — Então fantasmas realmente existem.

O silêncio tomou conta do jardim da mansão.

Frio.

Pesado.

Quase sufocante.

Han Seok permaneceu imóvel ao lado do carro, claramente sem entender a reação dela.

Min-jae observava Valentina atentamente.

Os olhos escuros presos nela.

Esperando qualquer coisa.

Raiva.

Choque.

Ódio.

Mas então…

Valentina começou a rir.

Baixo no começo.

Quase inaudível.

Uma pequena risada escapando entre os lábios.

Han franziu a testa imediatamente.

Min-jae permaneceu imóvel.

E então a risada aumentou.

Mais alta.

Mais intensa.

Ela levou uma mão até a boca enquanto ria olhando para o nada.

Bonita.

Delicada.

Completamente perturbadora.

Han Seok lançou um olhar preocupado para Min-jae.

Porque aquilo não parecia normal.

Não parecia saudável.

Mas Min-jae percebeu outra coisa.

As mãos dela.

Tremendo minimamente.

Quase imperceptível.

Valentina continuava rindo.

Só que os olhos…

Os olhos estavam vazios demais agora.

Como alguém tentando impedir outra coisa de sair.

Alguma coisa pior.

— Senhorita Azevedo… — Han começou cautelosamente.

Ela o ignorou completamente.

A risada aumentou outra vez.

Descontrolada.

Linda.

Errada.

— Morto há quinze anos… — murmurou ela entre risadas. — Que interessante…

Min-jae sentiu um aperto estranho no peito ao olhar para ela.

Porque finalmente entendeu.

Aquilo não era diversão.

Era nervosismo.

Mas do tipo mais perigoso possível.

O tipo que pessoas quebradas escondiam atrás de sorrisos.

Valentina passou a mão pelos cabelos enquanto tentava recuperar o ar.

Mas continuava rindo.

— Claro… claro que tinha que ser ele…

Então ela fechou os olhos por um segundo.

E a próxima risada saiu mais fraca.

Quase cansada.

Min-jae não pensou.

Não calculou.

Agiu por impulso.

Como sempre.

Ele atravessou a pequena distância entre eles e puxou Valentina contra o peito.

Firme.

Quente.

Protegendo antes mesmo de perceber o que estava fazendo.

Han Seok arregalou discretamente os olhos.

Porque Kang Min-jae nunca abraçava ninguém.

Nunca.

Valentina ficou imóvel no mesmo instante.

A risada morreu lentamente.

O corpo dela endureceu por reflexo.

Como se não soubesse exatamente o que fazer.

Os braços dele permaneceram ao redor dela.

Fortes.

Seguros.

E aquilo…

Aquilo bagunçou alguma coisa dentro de Valentina.

Porque fazia muito tempo que ninguém a segurava daquele jeito.

Sem interesse.

Sem medo.

Sem querer controlá-la.

Min-jae apoiou a mão suavemente na parte de trás da cabeça dela.

— Ei.

A voz saiu baixa.

Mais calma do que o normal.

— Respira.

Valentina apertou lentamente os dedos contra o tecido do terno dele.

Sem perceber.

O coração dele batia forte contra o rosto dela.

Pesado.

Quente.

Vivo.

Aquilo era estranho.

Muito estranho.

Ela odiava contato físico.

Odiava sentir vulnerabilidade.

Mas naquele instante…

Não se afastou.

O vento frio atravessava o jardim silencioso enquanto Min-jae continuava segurando ela.

Han Seok desviou discretamente os olhos, percebendo que talvez estivesse vendo algo íntimo demais.

Então Valentina soltou uma pequena risada outra vez.

Mas agora…

Mais baixa.

Mais cansada.

— Isso é ridículo — murmurou contra o peito dele.

— O quê?

Ela abriu os olhos lentamente.

— Você tentando me consolar.

Min-jae abaixou levemente o rosto para olhar ela.

Os olhos ainda tomados por preocupação.

Irritação também.

Porque odiava vê-la daquele jeito.

— Você estava surtando.

O sorriso dela apareceu minimamente.

Pequeno.

Frágil de um jeito que ela odiaria admitir.

— Eu não surto.

— Acabou de rir por quase um minuto inteiro igual uma vilã de filme psicológico.

Aquilo arrancou dela uma risada genuína.

Pequena.

Bonita.

E Min-jae sentiu o peito apertar de novo.

Droga.

Aquilo estava ficando perigoso rápido demais.

Valentina ergueu lentamente o rosto para encará-lo.

Perto demais agora.

Os olhos dos dois presos um no outro outra vez.

Mas dessa vez…

Algo havia mudado.

Porque pela primeira vez desde que se conheceram…

Min-jae não enxergava apenas perigo nela.

Agora conseguia ver também a solidão absurda escondida por trás de toda aquela frieza.

E Valentina percebeu que ele estava vendo.

Aquilo deveria fazê-la se afastar imediatamente.

Mas não fez.

Porque alguma parte quebrada dentro dela…

Gostou de ser segurada.

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