Capítulo — O que Sofia vê
O pôr do sol pintava o horizonte em tons de fogo e rosa. A luz entrava pela janela do quarto onde ainda estavam, banhando Sofia e Adrián com um brilho quente, como se a própria tarde quisesse testemunhar aquele momento.
Adrián continuava a abraçá-la, a respiração ainda um pouco trêmula, mas já mais calma. Refugiava-se naquele canto, naquela memória que o ligava à infância e a Sofía. Ela, em silêncio, apoiava a cabeça em seu ombro, deixando o tempo se alongar sem pressa.
—Sofi… —sussurrou ele, a voz ainda embargada. —Diz pra mim… o que você vê agora?
Ela sorriu de leve, como se aquelas palavras a devolvessem à menina que um dia fora. Acomodou-se na cama, ao lado da janela, e olhou para a linha infinita do céu encontrando o rio — um horizonte que parecia não ter fim. A vista daquele quarto sempre fora especial.
—Quer mesmo saber o que eu vejo, Adrián? —perguntou devagar, com ternura na voz.
Ele assentiu, os olhos mais presos nela do que na paisagem.
—Vejo nosso