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# Capítulo 5 — Gosto de Problema

– Aí galera, eu já vou ganhar com a minha mulher. – Kaue fala se levantando.

Continuo olhando pra Juliana e pro RN, fingindo que nem ouvi.

– Vai na fé, irmão. – RN faz toque com ele.

– Juliana, olha a hora em. – Kaue chama atenção dela, mas ela ignora completamente.

Seguro o riso.

Ju era fogo. kk

E pra falar a verdade… ela nunca gostou da Aline.

Quase ninguém gostava.

– Tá comigo, irmão. Eu cuido. Pode deixar.

Kaue concorda e depois olha pro homem sentado ao lado dele.

– E tu, MR? Vai ficar mais?

Finalmente o cara responde.

– Vou marcar mais um dez e depois vou ganhar pro meu morro.

A voz grave faz até eu virar o rosto automaticamente.

E quando ele se vira…

Meu coração erra a batida.

Era o homem de mais cedo.

O mesmo que praticamente me atropelou no beco com a grosseria dele.

Só que agora dava pra ver direito.

Boné baixo. Corrente prata no pescoço. Mandíbula travada. Cara fechada.

Bonito pra caralho.

Pena que parecia ter nascido sem educação.

Ele me olha rápido.

E eu encaro de volta por alguns segundos… até perceber Kaue observando também.

Desvio o olhar imediatamente pra Juliana.

Ainda bem que ela nem percebeu.

– Vamos, amor? Quero curtir você. – Aline fala agarrando o peito do Kaue.

Reviro os olhos mentalmente.

Forçada.

Kaue ainda passa por mim e me olha de lado antes de sair, mas finjo que nem é comigo.

– Amiga, nós já vamos também. Quer carona? O RN tá de carro. – Ju pergunta se levantando.

Olho pro meu copo ainda cheio.

– Precisa não. Vou terminar minha cerveja.

Também não queria atrapalhar os dois.

E nem era tão longe assim da minha casa.

– Tem certeza?

– Tenho. Quando eu chegar mando mensagem.

Ela concorda, me abraça forte e se despede.

RN faz o mesmo e ainda cumprimenta o tal MR antes de sair.

E então sobra só eu…

e o mal educado.

O silêncio entre nós dois fica estranho.

Ele continua bebendo como se eu nem existisse.

E eu faço o mesmo.

Depois de alguns minutos, escuto sua voz outra vez.

– Mina… eu já tô indo. Quer carona?

Olho surpresa.

Ué.

Ele nem parecia fazer questão da minha presença ali.

– Não precisa. Eu nem te conheço.

– Sou o MR. Tu me viu mais cedo quando trombou em mim.

Dou um sorriso debochado.

– Ah claro… o mal educado.

Ele me encara por alguns segundos e depois solta um riso curto pelo nariz.

– E tu é a mina da língua afiada, né?

– Aff… pode ir. Eu vou sozinha quando acabar.

– Vou esperar então.

Franzo a testa.

– O quê?

– Te espero. Tá surda?

Meu Deus.

Que homem ogro.

– Não tô surda. Só me perdi na parte em que você acha que manda em mim.

– Não mandei em tu. Só falei que vou esperar.

Reviro os olhos irritada.

– Quer saber? Tanto faz. Nem quero mais beber.

Levanto pegando minha bolsa e saio pisando duro.

Mas quando chego na calçada…

ele aparece do meu lado com a moto.

O capacete pendurado no braço.

– Vem. – fala daquele jeito mandão.

– Não precisa. Já falei que vou sozinha.

Continuo andando e ele j**a a moto na minha frente quase me fazendo parar no susto.

– Garota, entra logo nessa porra. Para de ser abusada.

Paro encarando ele incrédula.

– Vai se ferrar, seu escroto! Por que tá falando assim comigo? Você nem me conhece!

Ele trava o maxilar.

– Já disse que não quero carona!

– Quer saber? Que se foda então.

Ele acelera a moto e sai voado.

Fico parada olhando sem acreditar.

Maluco.

Continuo andando sozinha até entrar no beco de casa.

Mas quando viro a esquina…

ele tava lá.

Sentado na moto, fumando um cigarro bem no meio da passagem.

Merda.

– Eu quero passar. – falo me aproximando.

Não vou demonstrar medo.

Nem ferrando.

– Passa por cima então, já que é tão abusada.

Ele sorri de lado debochado.

E ódio…

como alguém consegue ser tão bonito e irritante ao mesmo tempo?

– Qual o teu problema comigo? – pergunto estressada.

– Nenhum.

Ele dá mais um trago no cigarro sem desgrudar os olhos de mim.

Me aproximo ainda mais.

– Então por que você tá…

Nem consigo terminar.

Porque ele segura meu pescoço de repente e me beija.

E por algum motivo idiota…

eu correspondo.

Na mesma intensidade.

O beijo dele era quente. Bruto. Viciante.

Daqueles que desmontam qualquer raciocínio.

Minha mão sobe automaticamente pro pescoço dele enquanto ele me puxa ainda mais contra seu corpo.

O gosto de menta misturado com maconha me deixa completamente sem juízo.

Perigoso.

Proibido.

Delicioso.

A boca dele encaixava perfeitamente na minha.

E quanto mais o beijo aumentava…

mais eu queria.

Mais.

Mais.

Mais.

Quando nos afastamos pela falta de ar, ele continua me olhando de perto.

Olho no olho.

Intenso.

Daquele jeito que deixa qualquer mulher nervosa.

– Tu calada é bem melhor, sabia? – ele fala rouco, debochado.

Acabo rindo sem querer.

– Você também.

Mordo o lábio dele de leve e na mesma hora sua mão aperta forte minha cintura.

Aquele homem tinha uma cara de problema.

E pior…

eu tava adorando.

– Vem. Sobe aí.

– Tá… não tenho outra opção, né?

– Não tem.

Ele liga a moto e eu subo atrás dele.

O caminho até minha casa passa rápido demais.

Queria aproveitar mais o vento gelado da noite.

O cheiro dele.

A sensação das mãos dele me segurando.

Droga.

Quando chegamos, desço entregando o capacete.

– Obrigada.

– De nada, abusada.

Ele me puxa pela cintura sem aviso e morde meu pescoço.

– Aii! Cachorro!

Ele ri.

E puta merda…

até o sorriso dele era bonito.

– Só pra deixar minha marca.

Piscou pra mim antes de acelerar e ir embora.

Fico olhando a moto sumir com um sorriso idiota no rosto.

Mas ele desaparece no segundo em que entro em casa.

Porque Kaue tava sentado no meu sofá.

Meu coração gela.

– O que você tá fazendo aqui, Kaue?

Ele levanta devagar vindo na minha direção.

– A gente precisa conversar.

Cruzo os braços imediatamente.

– Por que você não tá com a sua mulher? E como entrou aqui?

– Isso não importa agora. Só me escuta, Bia…

– Importa sim. Porque a casa é minha. Como entrou aqui?

Ele suspira irritado e tira uma chave do bolso.

– Tenho uma cópia.

Meu sangue sobe na hora.

Arranco a chave da mão dele.

– Vai embora, Kaue.

– Porra, Bianca… eu não quero ficar longe de você.

Ele tenta se aproximar, mas eu recuo.

– Sério isso? Me poupa. Você fez suas escolhas. Agora segue tua vida e me deixa em paz.

– Eu largo ela por você.

Paro na hora.

Olho pra ele surpresa.

– Kaue…

– É sério. Eu largo a Aline. Só fala que ainda quer ficar comigo.

Ele segura minha cintura e me beija.

E eu odeio o fato de ainda corresponder.

Odeio.

Porque meu coração ainda reconhecia ele.

Mesmo quebrado.

Mesmo machucado.

Mesmo depois de tudo.

Meu corpo traidor ainda sabia exatamente como era pertencer ao Kaue.

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