Capítulo 64— Dívidas Invisíveis
O telefone pousado sobre a mesa parecia um objeto inofensivo.
Henrique sabia melhor.
O cartão descartável já estava inserido. Não seria usado outra vez. Nunca repetia padrões — esse fora sempre o erro dos outros. O mundo caía não por grandes falhas, mas por pequenos hábitos.
Digitou o número de memória.
Chamava-lhe isso: memória.
Outros chamariam dependência.
O toque soou uma vez. Duas. À terceira, a chamada foi atendida.
— Estou? — disse a voz feminina, ligeiram