Mundo de ficçãoIniciar sessãoA CONFISSÃO E O RECOMEÇO
MorganO salão continuava brilhando atrás de nós como um mundo que não dorme e não perdoa. Eu ainda ouvia, de longe, o som das taças se tocando, o riso calculado de gente que não ri por alegria, o burburinho das conversas que tinham sempre duas camadas — a frase dita e a intenção escondida.A música, que antes parecia dominar o ambiente, começou a se desfazer em distância conforme eu a conduzia para um corredor lateral, mais discreto, onde o tapete engolia passos e as paredes altas abafaram a vaidade do evento, como se aquele lugar fosse uma espécie de refúgio involuntário para quem precisasse respirar.— O ar ali era mais frio, carregado de um perfume mais discreto do que o do salão — menos flores, menos álcool, menos ansiedade.Havia uma janela alta ao final do corredor, e através dela se via parte do jardim iluminado, com pequenas luzes penduradas que tremiam com a brisa, lembrando vagamente constelações domestic






