CAPÍTULO 2
Depois que desceram, o motorista já esperava na porta.

Vitor continuava cavalheiro como sempre. Abriu a porta do carro para Marina e, no momento em que ela entrou, ergueu a mão para proteger sua cabeça, com medo de que ela batesse.

Só depois que ela se sentou direito ele fechou a porta e entrou pelo outro lado.

Vendo-o agir daquela forma, Marina sentiu o nariz arder. Ainda não conseguia acreditar que o homem ao seu lado guardava pensamentos daquele tipo.

Naquele instante, ela até tentava encontrar desculpas para ele no fundo do coração, queria provar que tudo não passava de um mal-entendido.

Mas, se fosse apenas um mal-entendido, que tipo de mal-entendido o faria dizer coisas assim, querer fazer ela e o pai dela perderem toda a dignidade na festa de noivado, e ainda usar um filho para controlá-la?

Marina afundou nos próprios pensamentos. Quanto mais pensava, mais frio sentia nas costas, e seu rosto ficou pálido na mesma hora.

Quando Vitor entrou pelo outro lado, viu o jeito perdido dela.

A pele dela já era clara, e sob a luz do dia parecia ainda mais pálida, quase doente.

Vitor franziu levemente a testa. Uma ponta de preocupação surgiu em seus olhos, e ele estendeu a mão por instinto para segurar a dela.

Mas, assim que ele se moveu, Marina pareceu se assustar. O corpo dela tremeu sem controle.

— Marina, o que foi? Está se sentindo mal? — Vitor perguntou. Ao encarar os olhos úmidos e vermelhos dela, sentiu o coração apertar por um motivo que nem ele entendeu.

— Eu... — A garganta de Marina travou um pouco. Depois de respirar fundo, ela balançou a cabeça. — Não é nada. Acho que é medo antes do casamento.

Depois de dizer isso, ela ergueu os olhos para Vitor com seriedade.

— Vitor, ouvi dizer que muita gente muda depois do casamento. Você também vai mudar?

— Vai ser como dizem na internet, que depois que conquista, deixa de valorizar?

Ao ouvir aquilo, Vitor ficou atordoado por um instante. Em seguida, com um sorriso, puxou-a para os braços.

— Bobinha, que coisa é essa que você está pensando? Claro que não.

Enquanto falava, ele se inclinou, segurou o rosto de Marina com delicadeza e encarou seus olhos com seriedade.

— Marina, você não sente o quanto eu te amo?

— Você é a minha vida. Quem não valoriza a própria vida?

— Você também, não fica vendo essas coisas na internet. Vão acabar colocando bobagem na sua cabeça.

Vitor falou, e seus gestos ficaram ainda mais cheios de carinho.

— Marina, o que a gente tem não é igual ao que os outros têm. Você é a luz da minha vida, a minha salvação. Se não fosse você, talvez eu nem existisse como sou hoje.

— Poder voltar, te encontrar de novo e ficar com você é a maior felicidade pra mim.

— Então pode ficar tranquila. Casados ou não, passe quantos anos passarem, o que eu sinto por você não vai mudar. Nem um pouco.

Vendo a seriedade e a firmeza nos olhos dele, Marina queria muito acreditar. Queria que tudo aquilo fosse verdade.

Mas...

Ela conteve a agitação no peito, que a deixava quase em pânico. Depois de hesitar por um momento, não conseguiu evitar e perguntou:

— Então onde você esteve quando saiu de casa de repente? Agora pode me contar?

— Naquela época, meus pais ficaram quase loucos de preocupação. Chamaram a polícia, procuraram você por toda parte, mas não encontraram nenhuma pista.

— Três anos atrás, quando você apareceu de repente na minha frente, você nem imagina como eu fiquei emocionada. Se meus pais soubessem que agora você está bem, e ainda se tornou um nome de destaque na Cidade G, eles também ficariam felizes por você.

— Mas por que você não me deixou contar? Por que esconder deles? Por que só quer contar na festa de noivado?

Pensando bem, todos os sinais já estavam ali.

Só que o filtro sobre a pessoa por quem ela se apaixonou na juventude era pesado demais.

Por isso, quando ele apareceu de novo diante dela depois de cinco anos desaparecido, voltando com todo aquele brilho de sucesso, ela simplesmente não conseguiu resistir.

O garoto imaturo de antes agora ocupava uma posição alta.

Ela tinha visto o quanto ele era inacessível lá fora, tinha visto seu ar nobre e frio.

Por isso, quando ele se mostrou cheio de ternura diante dela, como nos velhos tempos, Marina não conseguiu recusá-lo.

Nesses três anos, eles foram íntimos e apaixonados. Mas, pensando com calma, ela parecia não saber nada sobre ele depois dos dezoito anos.

Quando Vitor tinha cinco anos, a família Macedo sofreu uma grande tragédia. Os bens foram tomados por rivais, a empresa declarou falência, o pai dele morreu em um acidente de carro, e a mãe, incapaz de suportar tantos golpes seguidos, ficou mentalmente abalada.

Naquela época, todos diziam que o pai de Vitor tinha se metido com gente perigosa, e que era por isso que a família tinha acabado daquela forma. De uma hora para outra, todo mundo passou a evitar Vitor e a mãe dele.

Todos aqueles que antes viviam se dizendo amigos íntimos do Álvaro sumiram. Só Roberto Ramos, o pai de Marina, estendeu a mão.

Depois de cuidar da situação da mãe de Vitor, Roberto levou o menino para a casa da família Ramos e o criou.

Naquela época, Marina tinha apenas quatro anos.

Então eles realmente tinham crescido juntos.

No começo, tudo era bom. Os pais dela tratavam Vitor muito bem. Marina também gostava muito dele, e Vitor a mimava. A casa inteira vivia em harmonia.

E, quando começou a entender o que era amor, ela se apaixonou por Vitor, o garoto que tinha crescido ao lado dela.

Ele era bonito, alegre, gentil, e a mimava sem limites.

Mas, justo quando ela contava os dias para se declarar a ele em sua festa de dezoito anos, Vitor desapareceu de repente.

Nos mais de dois anos seguintes, Roberto usou todos os contatos para procurá-lo por toda parte, mas nunca encontrou nenhum rastro.

Com o tempo, até apareceram pessoas tentando consolá-los, dizendo para se prepararem para o pior.

Marina, porém, nunca desistiu. Não acreditava que Vitor tivesse sofrido um acidente. Tinha certeza de que um dia o encontraria.

Por isso, quando ele realmente apareceu diante dela três anos atrás, Marina ficou feliz e emocionada demais. Acabou ignorando automaticamente tudo que não fazia sentido.

Agora, ao tocar novamente nos cinco anos em que ele desapareceu, ela realmente esperava que Vitor lhe desse uma explicação razoável.

— Por que perguntar isso de repente? A gente não tinha combinado de não tocar nesse assunto?

A voz de Vitor continuava suave, mas Marina ainda captou com clareza o desagrado escondido ali.

Antes, para não deixá-lo infeliz, ela sempre aceitava não mencionar aqueles cinco anos. Mas agora, quanto menos ele queria falar, mais ela sentia que havia algo errado.

Dessa vez, ela não deixou o assunto passar. Em vez disso, apertou levemente a mão e disse, com os dentes cerrados:

— Vitor, nós já vamos ficar noivos. O que ainda existe entre nós que não pode ser dito?

— Pensa nisso como uma forma de me deixar tranquila, está bem? Eu só quero muito saber onde você esteve nesses cinco anos.

— Por que foi embora sem se despedir? Por que passou cinco anos inteiros sem entrar em contato com a família?

— O que aconteceu nesses cinco anos?

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