Após um Romance com o Magnata, Meu Ex Enlouqueceu
Após um Romance com o Magnata, Meu Ex Enlouqueceu
Por: Lia Nunes
CAPÍTULO 1
A luz da manhã entrou pelas frestas da cortina e bateu no rosto de Marina Ramos, fazendo suas sobrancelhas se franzirem de leve.

Ela ergueu a mão para bloquear a claridade, virou de lado e se moveu um pouco para o lado por instinto.

No instante em que esticou o braço direito para abraçar alguém, encontrou apenas o vazio. Só então abriu os olhos, ainda meio perdida.

No momento em que despertou, as lembranças da noite anterior invadiram sua mente. Uma doçura difícil de explicar subiu do fundo do peito, e ela não conseguiu conter o sorriso.

Na noite anterior, Vitor Macedo, seu namorado há três anos, finalmente a tinha pedido em casamento.

No meio daquele amor intenso e avassalador, ele a prendeu nos braços. Viu seu corpo tremer, viu seus olhos ficarem vermelhos, e a fez dizer, uma vez atrás da outra, que o amava.

Na intimidade, ele sempre tinha sido dominador e até bruto, mas Marina nunca detestou aquilo. Pelo contrário, sempre que lembrava, sentia o rosto esquentar e o coração disparar.

E o que mais fazia seu coração acelerar naquele momento era a frase que ele tinha sussurrado em seu ouvido, no meio do prazer da noite passada.

— Marina, casa comigo?

Naquele instante, Marina chorou de emoção de verdade.

Ele não sabia que ela esperava por aquela frase havia três anos inteiros.

Com o rosto enterrado no edredom, Marina demorou um tempo para conter o sorriso. Depois se levantou com preguiça e foi para fora do quarto.

Ela pensou que Vitor, como sempre, já estaria na cozinha preparando o café da manhã. Queria ir até ele e fazer um pouco de manha. Mas, assim que chegou à porta do quarto, ouviu a voz baixa de Vitor do lado de fora.

Ele estava parado junto à janela. Marina não conseguia ver seu rosto naquele momento, mas a voz gelada dele e o tom cheio de deboche do outro lado da ligação entraram nos ouvidos dela como veneno.

— Vitor, já deve estar quase na hora, né? Falando sério, fazer ela engravidar é fácil demais. Ela te ama tanto que, mesmo se você não usar proteção, mesmo se gozar dentro, acho que ela nem vai reagir muito.

— E aquele ensaio sensual também. A gente achou que, com o jeito dela, ela nunca ia aceitar. Mas foi só você pedir e ela concordou na hora. Quanto mais ela age assim, mais excitante vai ser quando receber aquele presentão.

— Falando sério, Vitor, quando você vai soltar tudo isso? A gente está esperando.

Enquanto as palavras vulgares do outro lado da linha se espalhavam pelo ar, Vitor respondeu sem pressa:

— Qual é a pressa? Essas coisas só vão ter graça na festa de noivado, diante dos pais da Marina e de tantos parentes e amigos, não acha?

— É mesmo. Eu estou curioso pra ver a reação do Roberto quando descobrir que a filha que ele sempre tratou como um tesouro também tem esse lado tão vulgar.

— Na hora a gente descobre.

Quando Vitor disse isso, sua voz ficou fria até o limite.

A mão de Marina, presa à porta do quarto, ficou cada vez mais dura e gelada.

Ela não abriu a porta. Cambaleou dois passos para trás, caiu sentada na cama, e a cabeça começou a zunir.

Ela simplesmente não conseguia acreditar que aquelas palavras tinham saído da boca de Vitor.

Depois de três anos juntos, sempre achou que eles se amavam. Mesmo ouvindo aquilo com os próprios ouvidos, ainda não conseguia entender por quê.

Eles tinham crescido juntos, se conheciam desde pequenos. Quando a família Macedo tinha enfrentado aquela tragédia, foi seu pai quem, enquanto todos fugiam deles, trouxe Vitor para casa e cuidou dele com atenção.

Então por que ele estava fazendo isso com ela?

O que a família Ramos tinha feito contra ele para que ele planejasse uma festa de noivado inteira só para humilhá-los?

Sua mente estava uma confusão e não conseguia encontrar nenhuma resposta. Então passos vieram de fora.

Marina não sabia como encará-lo naquele momento. Só conseguiu puxar o edredom, se enfiar debaixo dele e fingir que dormia.

Os passos desaceleraram assim que entraram no quarto.

Talvez vendo que ela ainda dormia, Vitor soltou uma risada baixa e caminhou devagar até a cama.

Justo quando Marina ainda hesitava sobre que reação deveria ter, um beijo quente pousou em sua testa como de costume.

Seu corpo enrijeceu um pouco. Seus olhos arderam sem controle, mas ela ainda assim abriu os olhos.

Vitor então se inclinou e roçou de leve a ponta do nariz dela, com mimo.

— Preguiçosa, está na hora de levantar.

Marina sentiu um aperto doloroso no peito. Ela sentiu que estava prestes a chorar em voz alta.

Mas, com medo de Vitor perceber, esfregou os olhos e perguntou baixinho:

— Por que você levantou tão cedo?

— O que você acha? Hoje marcamos de provar os vestidos. Esqueceu? — Vitor disse, ainda com uma ternura impossível de descrever.

Vendo os olhos levemente vermelhos de Marina, ele se inclinou com pena e tocou seu rosto.

— Ontem à noite eu exagerei, não foi? Te deixei cansada?

— Quer remarcar a prova dos vestidos?

As palavras ambíguas de Vitor chegaram aos ouvidos dela. Se fosse antes, Marina já teria levantado a mão fingindo bater nele, envergonhada.

Mas, naquele momento, sua cabeça estava cheia das cenas da noite anterior.

Vitor tinha controlado tudo. No fim, até os pensamentos dela estavam confusos, a consciência nebulosa. Ela não sabia se ele realmente tinha usado proteção.

Um suor frio surgiu sem motivo em suas costas. A mão escondida sob o edredom se fechou com força. Ela segurou tudo por muito tempo até conseguir impedir que as emoções desabassem naquele instante.

Ela não sabia por que Vitor queria fazer aquilo, mas, depois de ouvir o que ele tinha dito ao telefone, não ousava apostar. Não podia apostar sua vida inteira e a honra da família na sinceridade de um homem.

Se esses três anos de amor tinham sido apenas uma peça encenada por ele para se vingar da família dela, então essa peça também deveria acabar pelas mãos dela.

— Não precisa remarcar. Foi difícil conseguir esse horário. Me espera um pouco, vou trocar de roupa.

Marina disse isso, afastou a coberta, se levantou e foi para o closet.

A cabeça ainda estava uma bagunça, mas os passos atrás dela já vinham se aproximando. Marina não ousou demorar. Pegou um vestido qualquer no armário e se trocou às pressas.

Assim que terminou, Vitor abriu a porta e entrou.

Ele a abraçou por trás, agarrou sua cintura fina com a mão grande e depois deslizou a palma devagar até a barriga dela.

— Como você é magra. Não tem carne nenhuma. — Vitor falou com amor na voz, suave. — Você é tão magra que eu nem consigo imaginar como seria se tivesse um bebê aqui dentro.

Antes, Vitor também gostava de dizer isso. Mas só dessa vez Marina pareceu levar um susto.

Forçando um sorriso, ela o empurrou e disse:

— Chega, vamos logo. Você não disse que esse estilista era difícil de marcar? Eu não quero que meu vestido de noivado tenha nenhum defeito.

Enquanto falava, Marina viu Vitor responder com mimo e se virar para sair. No mesmo instante, o sorriso nos olhos dela desapareceu por completo.

Faltavam apenas dez dias para a festa de noivado. Ela tinha só dez dias para descobrir o que estava acontecendo.

Mas, fosse qual fosse o resultado, ela não deixaria acontecer a cena que Vitor tinha descrito ao telefone.

Precisava apagar, nesses dez dias, tudo que Vitor pudesse usar para controlá-la. O mais importante eram aquelas fotos sensuais e a questão da gravidez.

Por isso, naquele dia, ela precisava encontrar uma chance de afastar Vitor e ir ao hospital fazer um exame.

E aquela festa de noivado, se Vitor realmente queria expô-la ao ridículo, seria o presente de volta que ela prepararia para ele.

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