Capítulo 4
Depois de sair do hotel, chamei um Uber e voltei para casa.

Meu celular vibrou durante todo o caminho, mas não olhei.

Desliguei o aparelho, fechei os olhos e apoiei a cabeça na janela.

Quando cheguei, encontrei vestígios do casamento por toda parte.

A sala estava toda decorada para o casamento, com arranjos de flores brancas, fitas de cetim e luzinhas pelas paredes.

Os vasos de flores na varanda haviam sido comprados por Rafael quando soube que eu estava desanimada.

Ele disse que um pouco mais de verde em casa faria bem aos olhos e ao humor.

Fui para o quarto, agachei-me e comecei a arrumar a mala.

Ao abrir uma gaveta, encontrei um álbum de fotos escondido no fundo.

Na primeira foto, estávamos no dia em que havíamos acabado de nos mudar para esta casa.

Eu usava um vestido branco e estava no meio da sala. Rafael tinha o braço ao redor dos meus ombros e sorria cheio de orgulho, como um herói que acabara de voltar vitorioso de uma batalha.

Naquele dia, ele me disse:

— Helena, finalmente consegui dar um lar a você.

Não folheei as outras páginas. Fechei o álbum e o devolvi ao lugar.

Quando estava na metade da arrumação, ouvi a porta.

Rafael entrou correndo no quarto. Assim que viu o que eu fazia, segurou meu pulso com força.

— Aonde você vai?

— Não está bem óbvio?

Soltei uma risada fria, o olhar carregado de ironia.

— Sua mãe não gosta de mim. Vou sair da sua vida para você ficar com a Camila.

Seu rosto escureceu imediatamente.

— Helena, precisa mesmo chegar a esse ponto? Até quando vai continuar com esse escândalo?

— Sabe quantos convidados estão esperando no local da cerimônia? E agora vem me dizer que vai embora?

— Você precisa mesmo estragar tudo hoje?

Fiquei olhando para ele sem dizer nada.

Rafael respirou fundo e suavizou um pouco a atitude.

Mas as palavras que saíram de sua boca foram como uma faca ensanguentada atravessando meu coração.

— Helena, quando seu pai traiu sua mãe, ela se casou com ele mesmo assim e teve você.

— Se sua mãe conseguiu suportar tudo aquilo, por que você não consegue aceitar isto?

Meu corpo inteiro ficou paralisado.

— Rafael, repita o que acabou de dizer?

Ele desviou o rosto, irritado.

— Eu disse alguma mentira? Sua mãe conseguiu suportar seu pai, mas você não consegue me suportar...

— Cale a boca!

Minha voz tremia.

— Minha mãe tinha o coração mole! Ela suportou aquilo a vida inteira por minha causa. Você tem ideia do quanto ela sofreu?

— Não vou seguir o mesmo caminho que ela.

— Porque prometi a ela que seria feliz.

Rafael estava prestes a responder quando passos soaram do lado de fora.

Camila havia chegado.

Ela ainda estava ofegante. Assim que entrou, correu até mim e agarrou meu braço.

— Lena, não vá embora. A culpa é toda minha. Eu vou embora!

— Nunca mais vou aparecer diante de vocês. Vou devolver tudo o que tirei de você...

— Camila, que sentido faz dizer isso agora?

Tentei soltar o braço, mas ela apertou ainda mais.

— Vocês transaram e tiveram um filho! Acha mesmo que consigo fingir que nada aconteceu e continuar encenando essa amizade perfeita com você?

Ela balançou a cabeça desesperadamente, cravando as unhas na minha pele.

— Lena, não é isso...

— Escute, eu sei que errei. Por favor, não vá embora...

— Chega! Solte meu braço!

Puxei-o com força.

Camila se desequilibrou para trás e caiu pesadamente no chão, soltando um grito de dor.

— Ai!

— Helena, você enlouqueceu?

Rafael me empurrou com violência.

Ele usou tanta força que cambaleei vários passos para trás e bati a cintura na quina da penteadeira. Uma dor lancinante se espalhou pelo meu corpo.

Rafael nem sequer levantou os olhos.

Ele apenas se agachou para ajudar Camila a se levantar, tomado pela preocupação.

— Cami, como você está? Onde se machucou?

Encostada em seu peito, Camila chorou:

— Minha cintura está doendo muito, e também estou sentindo um desconforto na barriga.

— Não tenha medo. Vou levar você ao hospital.

Rafael pegou ela no colo e caminhou para fora.

Ao passar por mim, ele parou por um instante.

— Helena, apesar de tudo, ela era sua melhor amiga. Você passou de todos os limites!

— O casamento de hoje está cancelado. Quando você criar juízo, nós marcamos outra data.

Em seguida, ele bateu a porta com força.

O quarto ficou em silêncio. Eu só conseguia ouvir minha própria respiração.

Me apoiei na penteadeira e lentamente endireitei o corpo. Minha cintura ainda latejava de dor.

Ao olhar para as fotos do casamento penduradas na parede, comecei a rir.

Mas, enquanto ria, as lágrimas caíram e meus olhos arderam.

Sequei o rosto, peguei a mala e saí daquele apartamento sem olhar para trás.

Quando entrei no carro, o motorista perguntou para onde eu iria.

Olhei uma última vez para o condomínio e respondi com frieza:

— Para o aeroporto.

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