A mãe de Rafael esbarrou com força no meu ombro e entrou correndo no quarto.
Ela segurou Camila, os olhos cheios de preocupação.
— Cami, você acabou de dar à luz e ainda está de resguardo! Por que veio até aqui?
Camila ergueu os olhos para mim, mas permaneceu calada.
Teresa seguiu seu olhar e, assim que me viu, fechou a cara.
— Helena, foi você quem mandou a Cami vir?
— Não sabe que ela acabou de ter um filho, está fraca e precisa descansar?
Indignada, eu até ri.
— E a senhora sabe que sou eu quem deveria se casar com seu filho?
— Ele teve um filho com outra mulher. Todos vocês sabiam, mas ninguém me contou!
Teresa soltou uma risada fria, como se meus sentimentos não tivessem a menor importância.
— Helena, foi você quem se humilhou para conseguir este casamento. Nossa família nunca a considerou boa o bastante!
— Você não tem uma família influente nem contatos importantes. Em que mundo seria digna do meu Rafael?
— Sempre disse a ele que deveria procurar alguém da mesma classe social, mas ele nunca me ouviu e deixou você se agarrar a ele durante todos esses anos.
Não consegui mais suportar. Cerrei os punhos e rebati com desprezo:
— Por menos digna que eu seja, ainda sou melhor do que seu filho, que não soube se controlar e teve um filho com a amante!
— Então é essa a educação da família Almeida? Ensinar o filho a trair a noiva?
Antes que eu terminasse, Teresa levantou a mão e me deu um tapa.
Meu rosto virou para o lado, e minha face ardeu como fogo.
Rafael atravessou o quarto: — Mãe!
— Não se meta!
Com o rosto vermelho, Teresa apontou para o meu nariz.
— Quem você pensa que é para falar assim comigo?
— Escute só, Helena Martins. Se você não tivesse passado esses oito anos agarrada ao Rafael feito uma desesperada, ele teria chegado muito mais longe!
Virei lentamente o rosto de volta, com sangue no canto da boca.
Ela soltou uma risada de desprezo, satisfeita ao me ver naquele estado deplorável.
— A Cami é cem vezes melhor do que você. É gentil, sensata e nunca se esquece de me dar presentes nas datas especiais.
— Sempre quis que ela fosse minha nora. Ter ela na família Almeida seria uma bênção. Já você só trouxe desgraça!
— Sra. Teresa, por favor, não fale assim!
Camila correu para a minha frente.
Estendeu a mão com cuidado, querendo tocar o canto da minha boca, mas teve medo de me machucar. No fim, abaixou o braço.
— Lena... está doendo?
Não respondi.
De repente, lembrei-me de muitos anos antes, quando contei a ela, chorando, que a família de Rafael não gostava de mim.
Seus olhos ficaram vermelhos de tanta indignação, e ela socou o sofá.
— Eles é que são cegos e não enxergam como a nossa Lena é maravilhosa!
— E pode ter certeza: se aquele tal de Rafael ousar magoar você, eu mesma acabo com ele!
Voltei ao presente e encarei seu rosto. Forcei um sorriso, apesar da dor no canto da boca.
— Camila Ferreira, agora você está satisfeita?
Ela balançou a cabeça desesperadamente, enquanto as lágrimas caíam.
— Não, Lena... Não é isso...
Sem esperar que terminasse, virei-me e caminhei para fora.
Rafael gritou atrás de mim:
— Helena!
Não olhei para trás.
— Helena, quero explicar!
Rafael correu atrás de mim e agarrou meu braço, obrigando-me a parar.
— Minha mãe é assim mesmo. Você já conhece bem o jeito dela. Ela só tem a língua afiada, mas não pensa de verdade essas coisas.
— Podemos conversar depois do casamento?
— Vieram tantos parentes hoje. Não faça todos passarem vergonha.
Afastei sua mão e o encarei com frieza.
— Rafael, em oito anos, você alguma vez me defendeu?
Ele permaneceu em silêncio.
— Se tivesse me defendido uma única vez, eu sentiria que esses oito anos valeram a pena.
— Mas você nunca fez isso. Nem uma vez sequer...
Minha voz ficou rouca nas últimas palavras.
Então me virei e saí pela porta sem olhar para trás.