Mundo ficciónIniciar sesiónO banheiro não ficava nem na direção do camarote dele. Mas eu contornei o salão inteiro só para passar por ali. Só para ele me ver de perto. Só para eu ver o que ele ia fazer.
Andei devagar. Um pé na frente do outro. Firme. O short agarrado na carne da coxa, o tecido puxando na parte de trás a cada passo. A barra enrolada deixava parte da bunda à mostra, e eu sabia disso. Sabia que ele estava vendo. O cropped grudado no peito, o umbigo exposto, o piercing brilhando como um pequeno farol na penumbra. Quando passei ao lado da mesa, o burburinho cessou. Não ouvi mais conversa, não ouvi mais risada. Só o som grave da música pulsando no fundo e meu coração batendo forte demais dentro do peito. Senti o olhar dele subir pela minha perna e parar na minha cintura. Subir de novo até minhas costas nuas. Depois ficou ali, entre meus ombros, pesando como se as mãos dele estivessem me segurando. Como se ele já estivesse me tocando só com os olhos. Não virei o rosto. Mas meus olhos puxaram para o canto, apenas um pouco, apenas para ver se ele estava mesmo me olhando. Estava. Sentado, o corpo jogado para trás, braço apoiado na mesa de vidro, cigarro queimando lentamente entre os dedos. Me olhava como se já tivesse decidido o que queria de mim. Como se o jogo já estivesse ganho e ele apenas esperasse eu perceber. E mesmo assim não falou nada. Não precisava. O silêncio dele dizia mais do que qualquer palavra. Dizia que ele estava no controle. Dizia que ele podia esperar. Dizia que, quando ele quisesse, ele viria até mim. Continuei andando. Passei. Mas por dentro eu tremia. Não de medo. De vontade. De raiva de mim mesma por ter gostado daquilo. Por ter desejado que ele olhasse. Por ter esperado que ele fizesse mais. Na porta do banheiro, parei. Encostei na parede fria, respirei fundo. Cruzei os braços sobre o peito, olhei para a frente. E por um segundo pensei em voltar. Apenas para ver o que acontecia se ele falasse comigo. Apenas para sentir o gosto do perigo mais de perto. Lavei o rosto. Duas vezes. Nem era pelo calor — era para tentar esfriar o sangue. A água gelada escorreu pelo meu pescoço, pelo meu peito, mas não adiantou. O fogo estava dentro. Olhei no espelho. Meu cabelo meio bagunçado, o cropped marcando meu peito, a boca molhada de tequila e desejo. Me encarei como se quisesse me dar um aviso: não brinca com o que você não conhece. Mas já era tarde para isso, não era? Abri a porta. E dei de cara com ele. A porta bateu atrás de mim. O estalo da tranca ecoou pelo banheiro pequeno, abafado, íntimo. Era só eu e ele ali dentro. E aquele silêncio carregado que falava mais alto do que qualquer música lá fora. Fiquei encostada na pia de mármore, tentando fingir que ainda estava no controle. As mãos firmes na borda fria, o queixo erguido, o olhar duro. Mas meu peito subia e descia rápido demais, o coração batendo forte demais, e os olhos dele... os olhos dele me queimavam como brasa. — Entra — disse ele, a voz grave, quase um comando. Eu entrei. Ele veio logo atrás. O espaço era pequeno para manter qualquer distância. O cheiro dele invadiu tudo. Forte, masculino, um toque de perigo misturado ao perfume caro. Fechou a porta com um movimento seco. Trancou. E ficou ali, parado, me analisando como quem avalia uma presa. O olhar dele em mim não era de homem qualquer. Era de predador. De quem escolheu, decidiu, e agora ia pegar. Não havia hesitação. Não havia dúvida. Havia apenas certeza. — Você sabe o que está fazendo? — perguntou ele, a voz baixa, quase um sussurro. Fiquei quieta. Não ia fingir que era inocente. Não ia fingir que não sabia. Eu tinha passado perto de propósito. Tinha provocado. Tinha deixado ele me olhar, me desejar, me devorar com os olhos. — E você sabe? — respondi, a voz saindo mais firme do que eu esperava. Ele sorriu de canto. Aquele sorriso torto, confiante, perigoso. Chegou mais perto. Apenas um passo, mas foi o suficiente para eu sentir o calor do corpo dele. Senti o corpo dele quase tocando o meu. Meu short já estava quente contra a pele, o cropped colado no peito, os mamilos duros sob o tecido fino. Respirei fundo, mas o ar já não era o mesmo. Era o ar dele. Era nosso. — Fica quietinha só mais um segundo… — disse ele, a voz roçando no meu ouvido. Sem aviso. Sem permissão. Apenas desejo. A mão dele foi direto para a minha cintura, puxando com força, fazendo meu corpo colar no dele. Senti cada músculo do peito dele contra os meus seios, cada centímetro de tensão acumulada. A boca dele encontrou a minha com fome, com raiva, com vontade guardada há tempo demais. Reagi na hora. Beijei de volta. Com a mesma intensidade. Mordi o lábio dele, senti o gosto de whisky e desejo. Ele apertou minha cintura com mais força, desceu a mão para minha coxa, subiu meu corpo contra a pia fria. Minha mão foi para o pescoço dele, puxando-o para mais perto. A língua dele encontrou a minha, e tudo virou bagunça. Calor. Pele. Fôlego roubado. Era beijo de quem queria mais. Muito mais. Era beijo de quem não ia parar ali. E eu, tola, não queria que parasse.






