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Capítulo 4: Lugar selvagem
Saí correndo antes de pensar demais. Não queria fazer barulho, não queria chamar a atenção de ninguém — só precisava me afastar dali o mais rápido possível.

Minhas pernas tremiam enquanto eu avançava pelo corredor com carpete do quadragésimo primeiro andar, aquele lugar onde normalmente reinava o silêncio absoluto… exceto naquela noite, que parecia possuída por um eco estranho, quase zombeteiro.

Não conseguia parar de me perguntar: por que meu chefe pronunciou meu nome enquanto se masturbava?

A frase ecoava dentro da minha cabeça como uma martelada.

Não entendia. Não queria entender.

Azkarion D'Argent era um dos homens mais ricos do país, um magnata frio, distante, impecável… e aterrorizante.

Aquele tipo de bilionário que vive num universo diferente, onde as regras são outras, onde o poder justifica tudo.

Sempre tinha ouvido rumores sobre seus fetiches, suas festas, seus caprichos, seus amantes… mas jamais imaginei ouvi-lo gemer meu nome à beira do clímax.

Aquela imagem me corroía por dentro. Não sabia se sentia vontade de rir, medo ou vergonha.

Talvez tudo junto.

A única coisa que sabia era que estava enlouquecendo.

E se não foi assim, e se foi só imaginação minha?

Minha mente era um caos frenético.

Respirei fundo e decidi ir embora. Não ia ficar nem mais um segundo com aquele homem, nem com aquele olhar fixo, nem com aquele ambiente denso que parecia pronto para me devorar.

Cheguei ao elevador e apertei o botão com tanta força que a ponta do dedo doeu.

Quando as portas se fecharam, quase desabei. Apertei o botão do térreo.

Baixei a cabeça e me abracei. Só queria ir embora… sair do prédio, pegar um maldito táxi e desaparecer na noite.

Só isso. Nenhuma despedida. Nenhuma explicação.

Só… sair.

Quando as portas do elevador se abriram, a luz bateu no meu rosto — forte, quente… quente demais.

Dei um passo e parei na hora.

Aquilo não era a saída.

Era… uma piscina.

Uma piscina climatizada subterrânea, gigantesca, cercada de luzes vermelhas, vapor, música ensurdecedora… e corpos.

Corpos nus. Muitos.

Centenas de peles brilhando sob o vapor, entrelaçando-se em movimentos que pareciam tirados de uma selva primitiva.

Gemidos. Risos. Gemidos quase animais.

Era uma orgia.

Homens com mulheres. Mulheres com mulheres. Homens com homens. Trios. Quartetos.

Sexo puro, descontrole total.

Levei uma mão à boca.

Meu estômago se revirou com violência. Senti que estava invadindo um ritual proibido, uma orgia demente onde todos tinham perdido o juízo.

Voltei sobre meus passos quase tropeçando. Toquei o botão do elevador e xinguei ao ver que não respondia.

Tinha que encontrar outra saída, qualquer saída.

Me enfiei no corredor lateral, seguindo as placas de emergência. Minha respiração era um ofego entrecortado.

O coração batia na garganta. Sentia que a qualquer momento alguém me veria, me tocaria, me arrastaria para aquele inferno úmido.

Por fim encontrei a porta dupla de vidro que dava para o saguão.

O alívio me atingiu tão forte que quase chorei. Estava a um passo da liberdade quando…

Uma mão fechou em torno do meu pulso.

Me virei de repente, paralisada.

Alexander Merchant estava na minha frente.

Não vinha sozinho. Dois homens o acompanhavam, vestidos com ternos caros que contrastavam grotescamente com a sujeira moral que emanavam.

Sorrisos tortos, olhos brilhando de perversão, respiração agitada.

Merchant me observou como se eu fosse um brinquedo perdido.

— O que temos aqui? — disse com uma voz que me gelou o sangue. — Olhem… o cordeirinho de Azkarion. Já vai embora, pequenininha?

Meu estômago se contraiu. O jeito que ele falou… como se eu fosse propriedade de alguém.

Como se minha vontade não existisse. Como se eu fosse só mais uma presa.

— S-sim… preciso ir, senhor… — murmurei, engolindo saliva.

Tentei me soltar. Foi inútil.

Sua mão apertou mais forte, cravando os dedos na minha pele como uma garra.

— Você não vai a lugar nenhum — disse, se aproximando tanto que senti seu hálito pesado na minha bochecha. — Não antes de satisfazer nossas necessidades. Estou com vontade de você faz tempo. Quer sentir?

Tudo escureceu. Minha mente se apagou por alguns segundos, como se o medo tivesse cortado os fios do meu corpo.

Um dos homens pegou minha outra mão com uma suavidade fingida, como se tentasse me acalmar, e a guiou em direção à sua entreperna.

Gritei sem voz.

Meu coração explodiu no peito.

O terror tomou conta de mim de um jeito que eu jamais tinha sentido antes. Fiquei em branco.

Meu cérebro não encontrava nenhuma saída lógica.

Só sentia aquela náusea gelada subindo pela garganta e aquela convicção brutal de que algo horrível estava prestes a acontecer.

Minha respiração virou um ofego. As paredes pareciam se fechar.

O mundo começou a girar.

E por um instante, pensei que não ia sair viva daquele prédio.

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