Capítulo 7
Como Solange ainda estava ali, aquela confraternização não tinha se estendido por muito tempo. Quando o céu começou a escurecer, Bento tomou a iniciativa de encerrar a reunião e foi o primeiro a sair do camarote, levando Solange com ele.

Assim que eles chegaram ao térreo, o celular dele começou a tocar.

Quando ele viu o nome que apareceu na tela, ele automaticamente se afastou um pouco dela para atender.

Três minutos depois, ele encerrou a chamada e olhou para Solange com um ar de culpa:

— Solange, apareceu uma coisa urgente na empresa. Eu vou ter que passar lá agora. Eu peço para o motorista te levar para casa, pode ser?

Ela ficou olhando fixamente para ele. Ela não o desmascarou, mas também não aceitou de imediato a proposta:

— Deixa o motorista ir embora primeiro. Aqui não é tão longe assim. Eu quero andar um pouco sozinha, esfriar a cabeça.

Bento pensou por um instante. A distância até o Condomínio Serra realmente não era grande e, além disso, ela vinha passando dias trancada em casa. Ele achou que uma caminhada poderia fazer bem. Por isso, ele fez um gesto para o motorista ir embora e, em seguida, ele mesmo entrou em outro carro.

Ela ficou olhando na direção em que ele tinha ido e levantou a mão para parar um táxi.

— Segue aquele carro ali da frente. — Disse Solange.

O carro de Bento não foi para a empresa. Ele parou em frente a outro prédio de apartamentos.

Assim que Solange pagou a corrida e desceu, ela se virou, e viu Dalila, com a barriga já levemente arredondada, correndo animada para fora do prédio e se jogando direto nos braços de Bento.

Bento não demonstrou qualquer surpresa. Ele abriu um sorriso cheio, firmou os braços e recebeu Dalila no colo, puxando-a para um abraço apertado.

Se alguém que não soubesse de nada tivesse passado ali naquela hora, provavelmente teria suspirado com a "doçura" dos dois.

De longe, Solange viu Dalila se aproximar do ouvido de Bento, rindo, e dizer algo que ela não conseguiu escutar. Seja lá o que foi, bastou para que ele esquecesse completamente que ainda estava na rua e segurasse a nuca dela, puxando-a para um beijo profundo, urgente, como se o mundo tivesse desaparecido.

Quando os dois se separaram, os olhos de Dalila brilhavam com malícia, o batom da boca dela estava todo borrado. Ela mordeu de leve o próprio lábio, o que a deixou ainda mais provocante.

No instante em que os olhares dos dois se encontraram, a tensão entre eles pareceu ganhar forma. Sem que percebessem, eles foram se aproximando outra vez, até que a respiração de um se misturou com a do outro.

— Ah!

No segundo seguinte, Dalila soltou um gritinho surpreso ao ser erguida pela cintura. Bento a pegou no colo com facilidade e começou a caminhar em direção ao prédio.

Ela passou um braço em volta do pescoço dele e, com a outra mão, deu tapinhas manhosos no peito dele, reclamando com charme.

— Para com isso, vai. Eu estou grávida…

Ele deixou o olhar escurecer, baixou a cabeça e roubou mais um beijo dos lábios dela:

— Já deu vários meses. Tá na hora. Deixa o bebê conhecer o pai um pouquinho antes.

Dalila ainda tentou fazer charme, meio cedendo, meio resistindo:

— Não pode. Eu fico com medo…

— Não precisa ter medo. Faz tempo demais que eu não encosto em você. Você não tem ideia de como eu estou ficando louco.

Assim que ele terminou de falar, ele apertou Dalila contra o peito e entrou apressado com ela no prédio.

Solange não soube por quanto tempo ficou parada ali, imóvel, até que o toque do celular dentro da bolsa finalmente interrompeu o torpor. Quando ela pegou o aparelho, ela viu um número desconhecido. Ela entendeu quem era e, então, apertou o botão para atender. Do outro lado da linha, ninguém falou nada. Só se ouviu o atrito de roupas, um som abafado, ritmado.

— Sr. Bento, o seu pau é grande demais, eu não consigo colocar tudo na boca…

A voz manhosa de Dalila saiu claramente pelo alto-falante, cada sílaba cortando o ouvido de Solange. Logo em seguida, veio a voz do homem que ela conhecia melhor do que ninguém, rouca, carregada de provocação:

— Fica quietinha… olha como cabe direitinho na sua boquinha.

Gemidos, respirações entrecortadas, ruídos confusos e úmidos se misturaram do outro lado da linha, subindo e descendo como uma onda sem fim. Aquilo fez os olhos de Solange ficarem completamente vermelhos.

Em algum momento, o céu se encheu de nuvens escuras. A chuva começou de repente, com gotas grossas, pesadas, batendo no chão, nas folhas das árvores, compondo um barulho contínuo, estrondoso.

Em poucos segundos, ela ficou encharcada da cabeça aos pés.

Ela não soube dizer se aquilo que escorria pelo rosto era chuva ou lágrimas. Tudo ficou embaçado diante dela. Ela continuou ali, parada, sem reação. Ela queria ir embora, queria desligar o celular, queria se arrancar daquele lugar, mas não conseguiu nem encontrar forças para dar um único passo.
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