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Dois Meses Depois

Faz dois meses desde que entrei na prostituição de luxo para sobreviver. Durante esse tempo, conheci homens ricos que desejavam mais que uma noite em minha companhia.

Tudo está indo bem em paralelo com a minha carreira de modelo, meu rosto está sendo cotado para estampar várias marcas pequenas de roupas entre outros produtos, claro que não uso meu sobrenome verdadeiro.

Sei que estou sendo observada mesmo estando tão longe, mas escolhi ser prostituta, ou melhor, acompanhante de luxo para insultar minha amada família. Regras são facilmente quebradas, essa provocação direta é por tudo o que passei no treinamento.

Se tornar uma arma trouxe consequências profundas.

Encaro o espelho do estúdio aonde vou posar com um vestido vermelho ousado com duas fendas uma em cada lado.

Os seios ficam em destaque, a seda do vestido vermelho combina perfeitamente com a maquiagem leve, os meus cabelos escuros com as pontas cacheadas ficam soltos deixando um tom bastante sedutor para a sessão de fotos.

— Falta um brilho nesta boca — o assistente diz, ao se aproximar de mim com o vidro de brilho.

— Espero entregar tudo nessa sessão, não posso desapontar o patrocinador, afinal tenho um encontro com ele. — Sorrio, divertida.

É tão fácil ganhar dinheiro com isso, homens fazem tudo por uma mulher que ainda não esteve em suas camas.

— Tenha foco e não desaponte, dependemos de você para esse catálogo. Mas pelo que sei, o chefe está muito atraído por você. Você se parece com um ímã, gosto disso, Kiara — elogia com sinceridade.

— Obrigada. Apenas gosto de ser apreciada, de me sentir bonita, apesar de que a beleza para minha família acabou sendo uma maldição  — comento um pouco distante, relembrando os tudo de ruim que já aconteceu.

Pisco algumas vezes para tirar certos pensamentos da minha mente.

— Acorde de qualquer que seja o pensamento que está te levando para longe. É a sua hora de brilhar, vamos pessoal! — ele chama a atenção dos demais.

Levanto da cadeira para as receber instruções de como devo posar hoje, enquanto presto atenção, tudo acontece de uma maneira que não consigo sequer responder.

Estou fazendo poses quando ouço barulhos de tiros, nesse exato momento abaixo engatinhando até a minha bolsa que caiu no chão.

Apesar de não estar mais na Sicília, não consegui largar minha arma, alcanço-a na hora perfeita.

O pessoal do estúdio está sendo assassinado, quando vejo alguns homens se aproximarem atiro de volta rolando no chão, assim consigo evitar ser atingida.

Acabo matando dois homens com um tiro atrás do outro.

Eles estão em maior quantidade, mas por algum motivo que até então não tenho conhecimento não sou atingida.

Claro, não sou o alvo deles.

Encaro os corpos após o atentado, acabo relembrando do sangue da minha casa.

Isso só pode ser um recado para mim.

Os inimigos não me pouparão por estar sozinha e desprevenida em Los Angeles com pessoas que não sabem minha origem verdadeira.

Não sabem que sou uma Bellini, irmã do subchefe da máfia Ndrangheta.

Ouço passos.

Guardo a arma nas minhas costas, assim tenho uma forma de defesa caso algum deles tenha voltado para terminar comigo.

Minha colega de profissão entra e arregala os olhos ao ver os corpos, o sangue está presente em vários pontos do estúdio.

— Oh! O que aconteceu aqui, Kiara? Meu Deus... — pergunta, apavorada.

Aproximo-me dela.

— Pensei que poderia ficar longe de tudo! Meu irmão é um bastardo abusivo que adora esbanjar poder, o soberano deve ter esperado o momento certo para isso acontecer! — desabafo, nervosa. — Ele quer que eu volte para a Sicília, ainda não esqueceu que mandei ficar com todo aquele dinheiro todo e a maldita máfia!

Ela arregala os olhos.

Máfia? Seu irmão? Não consigo entender absolutamente nada que sai da sua boca, Kiara! A máfia não existe, foram assassinos de aluguel.

Reviro os olhos.

— Eu não deveria ter falado que faço parte da máfia, mas agora já era. Você viu muito, o seu sonho de ser uma mulher cobiçada acaba aqui.

Atiro no peito e em seu pescoço.

Alcanço meu sobretudo preto que está no cabide junto a minha bolsa.

Acho meu celular já com uma ideia em mente.

Ligo para uma pessoa e não espero ela se explicar.

— Você organizou isso, Liam. Parabéns por conseguir a minha atenção e arruinar a minha nova vida aqui! — rosno, irritada.

Ele sorri sombrio.

— Está em perigo, Kiara? — pergunta de uma forma inocente.

— Não tente disfarçar! Você mandou seus homens para o estúdio, mataram algumas pessoas e me deixaram viva por "bondade?" — rebato, mordaz.

— A partir do momento que você saiu da Sicília por vontade própria acabou com a sua proteção! — relembra num tom frio. — Qualquer um poderia se livrar de você.

Respiro fundo.

— Preciso que limpe a bagunça que você deixou para mim. Volto para a Sicília, esse é o nosso acordo, Liam.

Posso imaginar o sorriso arrogante e venenoso em seus lábios.

Ele conseguiu o que queria.

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