MABEL
Escuto o deboche daquela mulher vestida de seda e sinto um estalo de pura lucidez na minha mente. A audácia dessa infeliz de pisar no meu quarto de hospital para tripudiar sobre a minha dor me dá uma onda de energia que chuta para longe qualquer rastro de sedativo. Respiro fundo, sentindo o ar expandir o meu peito, e encaro a figura vulgar diante de mim com o mais absoluto desprezo.
— Escuta aqui, sua cadela... — a minha voz sai baixa, firme e cortante como uma navalha. — Eu não vou nem m