Lívia não dormiu naquela noite.
Mas também não entrou em pânico.
Havia aprendido algo essencial ao longo dos meses: quando o sistema muda de método, não se responde com impulso — responde-se com arquitetura.
Helena não era a inimiga.
Era sintoma.
A chantagem não vinha em envelopes ameaçadores.
Vinha em promessas de aceleração de recursos.
Vinha na forma mais difícil de combater: urgência legítima.
Às três da manhã, Lívia estava sentada à mesa da cozinha com um caderno aberto.
Não havia laptop.