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***Lucca Schutz***

A pedido da dona Sara passei o final de semana aqui na sua casa, não foi nada ruim, muito pelo contrário, afinal ela me mimou muito, não posso negar que estava com muita saudade dos dois, mesmo vindo todo ano, ainda, sim, não era nada como saber que agora vou ter esse carinho toda semana.

Dona Sara só não me permitiu rever certas conhecidas que já tinha combinado anteriormente a caminho de Foz do Iguaçu, o resultado foi o meu celular desligado para não correr o risco da minha querida mãezinha atender e dispensar todas da pior forma.

O meu pai apenas ria de ver a minha mãe esperando, apenas eu bobear com o telefone para ela exterminar com todos os meus esquemas presentes e futuros. Quem não a conhece que a compre, ela com esse seu rostinho doce esconde uma verdadeira bruxa vidente.

Ela apenas de olhar para a foto ou até mesmo de ouvir a minha conversa já sabe se a pessoa presta ou não, e o pior é que ela sempre acerta, sem contar que quando quer alguma coisa ela vai manipulando todos, até que realizem o que ela quer e da forma que ela planejou, isso claro sem nem perceber que ela está os manipulando.

— Lucca, se demorar mais dois minutos, eu mesmo entrego o seu celular para a sua mãe — escuto o meu pai falar baixo na porta do quarto, ele me chantageou o final de semana inteiro desta forma, mesmo sabendo que ele não vai fazer isso entrei na brincadeira.

— Não precisa, já estou pronto — saio correndo do banheiro, o fazendo rir e negar com a cabeça, pode até ter passado anos, mas a dinâmica ainda é a mesma.

O trajeto de Foz do Iguaçu a Londrina foi até rápido por ser de avião, as minhas malas foram encaminhadas com as do meu pai, que levava a contra gosto uma pasta com três opções para a minha futura moradia, ele até tentou se livrar e me levar direto a um próximo à empresa, mas a minha mãe era mais inteligente que ele colocando alguns itens que ele deveria recolher.

O obrigando a passar pelos três locais de qualquer forma e quem conhece a Dona Sara sabe muito bem que não tem como dizer não a ela e sair ileso. Então, entre arrumar briga e seguir o cronograma, nós dois optamos em seguir as instruções dela.

— Admite, ela te conhece melhor que você mesmo — falo segurando a risada enquanto estamos indo ao primeiro apartamento, ele ainda olhava para a pasta em completo desgosto.

— Calado — eu até que tentei, mas implicar com o meu pai era muito mais interessante.

Ao chegar no primeiro local me deparo com um prédio que fica no centro da cidade, percebo que ele é bem luxuoso, completamente oposto da proposta que o meu pai me fez.

Foi subindo pelo elevador que consegui entender que aquilo era um teste que nem o meu pai tinha conhecimento ainda, como eu disse a dona Sara era muito inteligente e algo ela queria me ensinar e claro que seria na prática a lição.

— Dona Sara caprichou, mas não preciso nem entrar, sei que não é esse — declaro assim que paramos à frente da porta.

— Por que diz isso? — o meu pai paralisa no local ao escutar a minha fala ele realmente não entendeu de começo, mesmo sendo uma pessoa fria com os outros, comigo ele ainda era bem expressivo ou eu que aprendi a ler as suas expressões.

— Se vou passar por todos os cargos da empresa, ao ponto de vivenciar a realidade dos nossos funcionários, como vou morar num lugar tão luxuoso como esse? Sem contar que nem faz o nosso estilo de vida um lugar assim.

— Vamos entrar — me pai fala sorrindo orgulhoso, nunca tive problemas com os meus pais, mas ver ele assim por minha causa sempre é uma satisfação.

Ao entrar no apartamento a nossa frente tem apenas uma mesa, pois o restante dos cômodos está completamente vazio, em cima tinha apenas dois chocolates e um envelope, o meu pai sorrindo vai até ele enquanto eu pego o meu chocolate sabendo que é obra da minha mãe.

Eu lhe disse querido, ele está preparado. Como imaginei, ele já descartou o local sem nem entrar?”

 Vejo o meu pai começar a gargalhar enquanto nega com a cabeça, em seguida me entrega o envelope e me junto a ele nas gargalhadas, ainda nesse clima, saímos do apartamento e vamos para a segunda opção, que, na verdade, era uma casa em um condomínio fechado, ela era mais singela que o apartamento, mas ainda, sim, não era a proposta do meu pai.

— Também não é aqui — o meu pai me olha surpreso, afinal era um local até que agradável.

— Qual motivo? — para quem odiou essas visitas no começo, ele agora estava se divertindo muito as minhas custas, mas não posso negar eu também estou.

— Ainda não sei, mas não é aqui — estava sendo sincero tanto com ele como comigo.

Seguimos em silêncio até a casa que desta vez está mobiliada, mas antes que eu feche a porta algumas vizinhas já saíram para varrer que folhas não existiam, fecho a porta o mais rápido possível fazendo o meu pai gargalhar.

Acabei de encontrar o motivo de não ser essa casa, odeio pessoas cuidando da minha vida e se ficar aqui vou acabar arrumando confusão. Andando pela casa achamos mais um envelope em cima do balcão da cozinha.

Desta vez eu me apresso a pegar o envelope enquanto o meu pai pegava uma das balas de caramelo que estavam juntos, o meu desespero para ela afirmar que não é essa casa era enorme.

“Este é apenas um lembrete que vou estar de olho em você, não importa a distância” mesmo com a sua caligrafia perfeita eu consegui sentir o arrepio na espinha pela sua ameaça.

Ainda sem cor entrego o envelope para o meu pai que começa a gargalhar entendendo o recado da sua esposa com esses imóveis, todos eram da nossa família e estavam disponíveis para locação.

Após muitas gargalhadas do meu pai pelo meu desespero que ele resolve partir para finalmente o apartamento próximo à empresa, este mesmo que o meu pai havia sugerido desde o início.

Ao entrar no prédio passamos por uma moça baixinha com o seu cachorro tão pequeno quando ela, o seu olhar nem foi direcionado a mim, até mesmo as mais velhas estão nos acompanhando atentamente.

Se a sua atenção não estava na nossa presença, a do meu pai estava completamente nela. Ele chegou a parar de andar para a acompanhar, como sou um curioso olhei também.

Nada e nem ninguém chamava a sua atenção que estava completamente naquele cisco de cachorro que não saía do seu lado por nenhum momento e poucas eram as pessoas que se aproximavam, mesmo que todos estivessem a acompanhando assim como nós.

— Ela é... — o meu pai estava babando por ela, mas no sentido de admiração e eram poucas pessoas que conseguiam isso.

— Estranha — murmuro entrando no elevador arrastando o meu pai, pois ele ainda estava tentando acompanhar a baixinha, a minha cabeça já estava fervendo por não entender o seu comportamento.

— Já estou até vendo… — escuto o meu pai falar entre os seus suspiros e acho melhor me manter em silêncio — Ela não é estranha e me parece ser uma…

— Já entendi, ela ganhou a sua admiração, mas agora vamos logo conhecer o apartamento.

— Alguém pelo jeito ficou com ciúmes — resolvo não responder, mas isso fez o meu pai voltar a gargalhar.

Ao chegar no andar percebo que são quatro apartamentos por andar, sendo que o acesso é feito por um corredor levando a dois apartamentos em cada lado e as suas portas eram de frente com a outra.

Analiso o tapete na porta da frente do apartamento e percebo que ele é discreto e sem nenhum detalhe, isso é bom, afinal não quero nenhuma dondoquinha para me dar trabalho.

Afinal o fluxo aqui no apartamento não será baixo, mesmo não morando aqui sei que vou conseguir os meus contatos de forma rápida, dona Sara não vai gostar nenhum um pouco, mas me entendo com ela depois, afinal ela sabe o filho que tem.

Sem cerimônias entramos no apartamento que está mobiliado, faltando apenas os itens pessoais, o apartamento até que é espaçoso, nada comparado ao meu em Foz do Iguaçu, mas ainda, sim, confortável.

Ele tem dois quartos e um dele já está montado o meu escritório, a minha mãe não deixou passar nenhum detalhe, isso me fez sorrir, afinal mesmo aqui tenho que me manter ativo com as empresas que deixei no exterior.

Não ficamos muito, afinal o meu pai estava com pressa. Para a minha surpresa ele não me deixou ficar no apartamento, me informou que amanhã posso trazer as minhas coisas e providenciar os alimentos e outros itens de higiene, pois não tinha nada nos armários desses itens.

Antes mesmo de subir para o quarto, fomos jantar e novamente o meu pai tocou no assunto da estranha, ele ficou realmente encantado e claro que ele não deixou passar o meu comportamento.

Em ligação com a minha mãe acabei escutando tudo novamente dela, mas não posso negar a imagem dela ainda está na minha mente e quem sabe eu ainda não quebre a marra dela.

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