DANTE — A ESPERA
Três dias.
Tinha se passado três dias desde que vi meu filho pela primeira vez.
Três dias desde que Lívia disse que "ia pensar".
E nesses três dias, não fiz nada além de esperar.
Esperar por uma ligação que não sabia se viria.
Esperar por uma chance que não sabia se mereceria.
Esperar.
Sempre esperando.
Rafael apareceu no meu escritório na manhã do segundo dia. Entrou sem bater, como sempre fazia quando sabia que eu estava mal.
— Preciso falar com você — disse ele.
— Se é para me dizer para ter paciência, já sei. Não vou pressionar ela. Não vou...
— Fui encontrar com a Lívia ontem.
Congelei.
— Você o quê?
— Fui encontrar com ela. No café perto do hospital. Conversei com ela sobre você. Sobre tudo.
Levantei da cadeira, incrédulo.
— Rafael, eu disse para não pressionar! Eu disse...
— E eu não pressionei — ele me cortou, calmo. — Eu só... dei a ela uma perspectiva. Contei como você está. Como ficou nos últimos meses. E ela me ouviu.
Sentei de novo, passando as mãos pelo r