POV de Mia
— Obrigada, Henri — disse, me acomodando no banco de couro macio como manteiga. Minhas costas doíam do voo apesar das acomodações especializadas, e os gêmeos pareciam determinados a compensar o silêncio anterior performando o que parecia rotinas de nado sincronizado.
— Tudo bem? — Scarlett perguntou baixinho, notando minha careta quando um chute particularmente entusiasmado me pegou embaixo das costelas.
— Só meus companheiros de viagem marcando presença — a assegurei, esfregando o lugar gentilmente. — Acho que estão empolgados com Paris.
Henri navegou pelo trânsito noturno com a facilidade praticada de alguém que dirigia por essas ruas há décadas. Captei vislumbres da cidade pelas janelas — prédios elegantes, cafés de rua, pessoas passeando por bulevares arborizados. Mesmo nesses instantâneos fugidios, Paris tinha um romance inegável.
Nosso hotel — Le Grand Paris — era um magnífico prédio histórico no que Scarlett me informou ser "a melhor parte absoluta do 8º arrondis