Mundo de ficçãoIniciar sessão— Eu peço desculpa! Eu estava com fome e quis fazer alguma coisa para comer, mas acabei dormindo e quando senti o cheiro de fumaça, peguei na bebê e saímos. Não consegui apagar o fogo— disse ele, se sentindo culpado.
Ela chorou, ajoelhou e abraçou os dois. — Ainda bem que você existe. Estou feliz por vocês existirem— disse ainda chorando. Finalmente as lágrimas estavam caindo, depois de tudo o que aconteceu nas últimas vinte quatro horas. — Não se preocupa, agora nós precisamos sair daqui. Não podemos ficar aqui, já não é seguro. — E para onde vamos? — Para uma pequena cidade. Meu pai me levava lá algumas vezes para passear, e é muito bonita. — Desde que estejamos todos juntos. Acho que o lugar não importa. A chuva caiu, e os três passaram a noite ali mesmo. Outros mendigos também estavam ali, e eles fizeram uma fogueira. Thomás era o mais velho, eles se conheciam desde que ela fugiu aos catorze anos. — Preciso da sua ajuda— disse ela— Ainda sou menor de idade, não posso ir ao banco. Se importaria de ir comigo? Ele assentiu. Yelissa olhava para o cheque em branco. Não precisava de muito, apenas dinheiro para as passagens e hospedagem assim que chegassem, o resto ela mesma podia conseguir. — Só 500 ? — perguntou Thomás— Estás com duas crianças. Pensa mais nelas do que em ti. Vocês acabaram de perder tudo, e vão começar do zero. — Mas esse dinheiro… — Não é tempo de ser orgulhosa agora. Raissa em breve fará um ano, Noah precisa estudar. E você também. E se o cheque está em branco, quer dizer que pode aumentar mais três zeros. Ou seis— brincou. No dia seguinte, os dois foram, e conseguiram tirar o dinheiro. Yelissa estava com uma bolsa cheia dele. — Vamos! Eu compro as passagens para vocês— Disse Thomás. Yelissa assentiu. Os três subiram no autocarro, Noah acenou para o senhor, e Yelissa fez o mesmo. Dois meses se passaram. Era o dia do casamento de Gustavo. Ele estava esperando por um milagre. Qualquer um que interrompesse esse casamento. Estava ao lado do amigo, olhando como ele dormia tranquilamente. “Nesse momento, eu daria tudo para que você acordasse, ou talvez para que trocássemos de lugar. Ao menos você, mesmo em coma, está noivo da mulher que ama e salvou.” — Que inveja— murmurou— Eu achei que eu e a Yelissa estaríamos juntos para sempre. Mas aconteceu tanta coisa que sinceramente não acredito que isso aconteceu comigo ou com ela. Mas uma coisa tenho certeza— ele tirou a outra pulseira da amizade e colocou no pulso dele— Ela fez essas pulseiras da amizade, e prometeu que sempre estaria comigo. Achas que ela algum dia vai voltar? Ajustou a pulseira no pulso dele. — Ela é mais forte do que pensava. Ela fugiu do sistema de acolhimento aos catorze, nem consigo imaginar porquê, mas o jeito como aquela mulher bateu nela, foi horrível. E eu não a protegi— não consegui. Quando é que eu serei como você? — Ainda bem que não é como ele— disse Sarah. Que estava parada atrás dele. Gustavo se virou e olhou para ela. — Não vai ao casamento? — E ver o homem que amo se casar com outra? Não obrigada— sorriu amarelo. — Já falamos sobre isso. — Eu sei! Finge que não disse nada. — Eu vou indo! Cuida bem dele por mim. — Claro! Pode deixar… graças a ele, eu sempre posso te ver. Mesmo sem poder te tocar. Gustavo suspirou. Olhou para ela e não disse mais nada. Quando estava prestes a sair. Sarah chamou por ele. — Gustavo…— ele olhou para trás— Espero que possas ser feliz! Ele sorriu sem vontade. — Eu também espero. •Momento atual• — Não precisa exagerar. Vamos ao parque, também tenho saudades de sair com minhas duas pessoas favoritas. — Aquela sua chefe horrível não vai fazer você pagar com horas extras? — perguntou ele. Servindo para ela. Yelissa se sentou ao lado da pequena. Fez um cafuné gostosinho e beijou o topo de sua cabeça. — Não! Hoje é meu dia de folga! Posso ficar o tempo todo com vocês. E pode parar de dizer que trabalho feito condenada? — Comeu o ovo com o pão— isso me faz parecer uma mãe ausente. Ele se sentou. — Nós sabemos que és melhor que muitas mães que andam por aí. Não precisa se preocupar— disse ele. — Vamos fazer um piquenique hoje? O dia está perfeito— falou Raissa. — Boa ideia— concordou ela. Os três comeram enquanto Raissa contava as aventuras que teve durante a semana com as amiguinhas na escola. Noah, sempre foi mais observador. Juntos já passaram por tanta coisa que nem ele acreditava que Yelissa tinha essa toda força. Sozinha ela conseguiu cuidar de duas crianças. Durante oito anos, ela se fechou para o mundo. Noah sempre se perguntava o que tinha acontecido com o amigo misterioso dela. E porquê tinham saído de onde estavam. Ele sabia que não era apenas pela casa. As vezes, ela ficava sentada no chão olhando para o nada. A tristeza era nítida. Mas sempre preferiu não tocar no assunto. Já tinha feito muito por eles, o mínimo que podia fazer era não se envolver na vida dela amorosa. Depois de voltar para casa, Yelissa recebe uma ligação de sua chefe. — Ir para Cidade? Porquê? — perguntou confusa. — Você foi transferida para casa de um paciente, uma mãe entrou em contato com a nossa clínica, parece que fomos recomendados, e eles querem você para cuidar do filho em coma. — Nunca me desloco para outras cidades. E a senhora sabe. Tenho filhos para cuidar. . — Eu sinto muito Yelissa, mas é uma cliente influente e muito rica, ela prometeu pagar bem pelo seu serviço— disse a mulher de meia idade— Nossos clientes recomendaram você por alguma razão. — Meus filhos não se adaptam bem com novas mudanças, eu sei que o dinheiro é bom, mas eu me recuso a aceitar esse trabalho. — Você tem certeza disso? — Tenho! Não quero me envolver em assuntos de família rica! Se eles quiserem que se mudem para cá. — Pare de ser irracional mulher. Seus filhos precisam disso. Quem sabe uma escola melhor para Noah e Raissa, ela se prontificou a cuidar de tudo. Você só precisa estar lá dia e noite para caso seja necessário— Antes que Yelissa respondesse, ela interviu— Não estrague a sua carreira, a família Ford não é uma família que recebe “nãos” abertamente. Se não quiser arruinar seu futuro e da clínica, eu te imploro, pense com calma. Ela suspirou.






