Mundo de ficçãoIniciar sessãoAlguns dias antes...
Ali Al-Kudsi, sheik de Godan A cada palavra do meu assessor, sinto a minha respiração ficar mais pesada. Mohamed. Durante um ano, confiei naquele homem. Entreguei a ele os números dos meus hotéis, os relatórios financeiros e o controle de parte dos meus negócios. Acreditei que fosse competente, leal e, acima de tudo, honesto. Agora descubro que ele me rouba há meses. Não é o dinheiro que faz o meu sangue ferver. Sou um dos homens mais ricos do Barein. A quantia desviada não ameaça a minha fortuna. O que me enfurece é a audácia daquele homem. Ele me julgou um tolo. Acreditou que poderia enganar a mim e à minha família sem jamais ser descoberto. Levanto-me da cadeira ornamentada com ouro e começo a andar de um lado para o outro na sala. —Por favor, sua alteza, tente se acalmar —Faruk pede, mantendo a voz baixa. Paro perto da janela e encaro o jardim de inverno. A beleza do palácio não consegue amenizar a raiva que pulsa dentro de mim. —Como quer que eu me acalme? —pergunto, virando-me para ele. —Nós confiamos cegamente naquele desgraçado. Meu assessor engole em seco. —É verdade, mas sua pressão pode subir. O médico recomendou que o senhor evite fortes emoções. Solto uma risada sem humor. —Emoções? Ele roubou a minha família, a minha empresa e a minha confiança. Isso não é uma emoção, Faruk. É uma afronta. Volto a olhar pela janela. Um ano nos roubando. Um ano sorrindo diante de mim enquanto escondia a própria ganância. Um ano usando o meu nome e a minha confiança para alimentar vícios e decisões irresponsáveis. —O que vossa excelência fará? —Faruk pergunta. Encaro-o com firmeza. —Puxe o endereço desse sanguessuga. Iremos até lá. Quero que ele conheça o peso da própria traição. Pouco depois, deixo o escritório com o endereço nas mãos. Faruk me acompanha até a saída, onde o motorista já espera. No caminho, vejo meu filho sentado sozinho em uma poltrona. Rashid mantém o olhar perdido, distante, como se carregasse dentro do peito uma dor que não permite que ninguém toque. —Faruk, espere no carro. Ele obedece. Aproximo-me do meu filho. —Rashid —chamo em tom firme. Ele demora a me encarar. —Acabei de descobrir que Mohamed, o controller dos hotéis, está roubando. Saad foi um incompetente. Deveria ter percebido antes. Rashid se levanta devagar. Preparo-me para o desprezo frio que costuma surgir em seus olhos sempre que tento envolvê-lo nos negócios da família. —Baba, hoje não —ele diz. —Resolva o que tiver que resolver, mas não me peça para participar disso. Acabei de sair de uma reunião e não me envolvo nos assuntos de Saad. Toda a vontade de afrontá-lo desaparece. Desde jovem, Rashid consegue exercer sobre mim um domínio silencioso. Ele não precisa levantar a voz para impor limites. Basta me olhar. Respiro fundo. —Tudo bem. Vou resolver tudo do meu jeito. Um sorriso frio toca os lábios do meu filho. —Ótimo. E, naquele momento, ainda não sei que a vingança que estou prestes a iniciar vai mudar para sempre o destino de duas famílias.






