Cecília Darse
Duas semanas haviam se passado, os hematomas ocasionados pela agressão da governanta já quase desapareceram por completo.
Eu havia voltado a trabalhar e aos poucos deixava os acontecimentos daquela noite para trás.
Tinha algo muito maior com o que lidar, a hipoteca dos meus pais. Conversei com papai um dia após ter voltado do hospital, e ele me disse que sua proposta foi negada, o banco se mantinha irredutível, queriam o valor integral, todas as parcelas deviam ser quitadas.
O prazo para o pagamento estava chegando ao fim, e não temos nem a metade do dinheiro.
Papai vendeu o carro, juntou com o valor que recebeu ao sair da empresa e mais algumas economias, mas não era o suficiente.
Mamãe estava desesperada, papai deprimido e eu me sentia sem saída. Vamos perder a nossa casa, o único bem que meus pais possuem, o lugar em que cresci, carregado de lembranças felizes.
Cada cantinho daquela casa tem uma história, um momento feliz vivido, e agora tudo isso será perdido para