Mundo de ficçãoIniciar sessão---
★ No dia seguinte, finalmente, a hora da entrevista chegou. Fui ao endereço que Tessa me mandou, em uma agência onde estavam fazendo a entrevista. Há apenas uma candidata no local, sentada em uma cadeira. Me sento ao lado dela, a cumprimento com um leve aceno de cabeça e um sorriso sutil. Ela fez o mesmo. Aguardo enquanto o tempo passa. A mulher que estava do meu lado foi chamada e entrou. Alguns minutos depois, a outra candidata saiu e, então, fui chamada. Respiro fundo e confiro se minha roupa estava apresentável. Aliso o tecido da camisa branca impecável que escolhi e, com confiança, caminho até a sala que a mulher me conduz. Chegamos e a porta é fechada, restando eu e uma senhora na sala, que não deve ter mais do que seus 60 e poucos anos. Seu cabelo, aparentemente branco pela idade, está amarrado em um perfeito coque. Ela veste roupas impecáveis, e um sorriso sutil se instala em seus lábios. — Bom dia — cumprimento, tentando mostrar confiança. A mulher me encara, um pouco dura e um pouco gentil, sei lá. Já estive em mil entrevistas antes, então por que estou tão nervosa? Com certeza deve ser pelo fato de que, se eu passar, terei que cuidar de três crianças. — Bom dia, Sienna, né? — pondera, me observando com cautela. — Sim, eu, Sienna Blake — respondo. Ela assente e pega um papel na mesa, o que deve conter todas as informações da minha vida, e os analisa sob os óculos de grau, seus dedos passando sobre o papel como se estivesse pontuando cada coisa. Claro que lá não vai ter nenhuma informação de que eu cuidei de crianças. A verdade é que só fui selecionada, simplesmente por ser irmã da Tessa. Sinceramente, duvido que eu passe. Até porque, se eu tivesse um filho, com toda certeza do mundo, nunca iria querer uma pessoa que não tivesse nenhuma experiência, a não ser que contasse as vezes em que cuidei da Cora, quando Tessa queria passar uma noite a sós com o marido. Bem, deve ser alguma coisa. — Bom, Sienna, eu sou Helen Black, avó das crianças que precisam de babá — se apresenta, estendendo a mão. Eu a pego, assentindo com um sorriso no rosto. — Muito prazer em conhecê-la. Helen acena com a cabeça e soltamos nossas mãos. Ela continua: — Vi o seu currículo e é impressionante. Vejo que trabalhou em uma empresa de publicidade, mas não entendo como alguém como você, com um currículo assim, iria querer trabalhar como babá — comenta. Boa pergunta. Forço um sorriso. — Publicidade é um trabalho do qual eu gosto, mas agora eu gostaria de dar um tempo e experimentar coisas novas... — tento soar convincente. — Hum... Vejo que não tem experiência em cuidar de crianças. Você gosta de crianças? — pergunta, virando-se para mim, querendo minha resposta. — Sim, eu amo crianças. Me dou muito bem com elas. Elas nos enchem de amor — minto descaradamente. A última vez que cuidei da minha sobrinha, ela me chamou de bruxa porque simplesmente não deixei ela comer um bolo inteiro. Assentindo a cabeça, Helen agora me lança um olhar sério e coloca os papéis na mesa. — Bom, como avó das crianças, receio dizer que eles não são tão fáceis de lidar. A mãe morreu há três anos e deixou o meu filho, o Damon, com as três crianças... Nossa, isso é triste. — A mais velha, Harper, tem 15 anos e, como qualquer adolescente, é rebelde. O do meio, Miles, tem 7 anos, é um pouco eufórico, e, por último, o caçula, Noah, tem 3 anos. As crianças não são fáceis. E bom, já tivemos 24 babás só esse ano. As babás desistem rápido demais. 24 babás em um ano? É tipo duas babás por mês. Eu sou a babá número 25? Assinto, guardando essas informações na minha cabeça e me perguntando o porquê de mudarem tanto de babá. Não é possível que essas crianças possam espantar tantas babás assim em menos de um ano. Se for, é um recorde. Se ao menos eu conseguir ficar dois meses até conseguir arrumar um emprego na minha área... — Se aceitar, já pode começar amanhã mesmo. Ergo as sobrancelhas, surpresa. Isso está correndo rápido demais. Quando algo é tão rápido assim, é porque, com toda certeza, não é nada fácil lidar com essas "crianças". — Quer dizer que passei? — indago, não acreditando. Ela ajeita os óculos no rosto e faz que sim. — Eu confio na Tessa, e conheço a sua irmã. Ela é muito gentil e profissional — conhece? Não sabia disso — e também você parece ótima. Se você aceitar, não há mais o que discutir, além do seu salário. E tem a questão de você ter que morar na casa, porque o Damon, o pai das crianças, trabalha muito na construtora, então ele precisa de alguém que fique na casa quando surgir uma emergência e ele precisar viajar. Então, é necessário que more lá. Os fins de semana são suas folgas, eles vão para minha casa ou para a casa dos avós maternos, então não há no que se preocupar nisso. Não contava com isso, mas acho até bom morar lá. Assim, economizo algumas contas. Por esse lado, é ótimo. — Então, se decidir aceitar, poderá começar amanhã mesmo — finaliza. Ela me olha com expectativa, esperando minha resposta. Um salário bom, economizar dinheiro... pagar minha hipoteca. O que tenho a perder? Eu posso fazer isso. — Eu aceito.






