####CAPÍTULO 02

O Hotel Crownmont Royal despertava devagar naquela manhã cinzenta de Londres, como um relógio que se recusa a marcar a hora certa.

— Na suíte executiva, um silêncio enganoso reinava, interrompido apenas pelo choro incessante do pequeno Alex.

Sua habilidade de desmantelar qualquer tentativa de serenidade era comparável à de um artista em um grande espetáculo, com cada berro desafiando a tranquilidade que todos desejavam.

— Enquanto isso, Alexander, sentado em frente à mesa de trabalho, esforçava-se para revisar documentos para a videoconferência com os Estados Unidos.

Seu notebook aberto ao lado e os fones de ouvido repousando em silêncio eram como elementos de uma orquestra esperando pela sinfonia que nunca começava.

— Do lado oposto da suíte, a nanny inglesa caminhava nervosamente de um lado para o outro, segurando o bebê no colo, enquanto Alex continuava a chorar como se estivesse ensaiando para um concerto de gritos, insistente e desafiador.

Emily, sentada no sofá, observava aquela cena preocupante em silêncio, abraçada a seu ursinho, que parecia compartilhar da sua angústia, como um cúmplice silencioso em meio ao caos.

— Senhor — disse a nanny, quase sem paciência — o senhor mima demais essas crianças.

Alexander levantou os olhos lentamente, ainda em estado de choque, como se tivesse acabado de descobrir que o leite estava azedo.

— Ele é apenas um bebê.

— E isso que ele faz é apenas uma birra de uma criança — retrucou ela.

—Se não começar a educação desde já, ele se tornará um pequeno terrorista, se continuar sendo mimado.

A frustração aumentava dentro dele, enquanto Alexander fechava o notebook devagar, como se estivesse enterrando um tesouro que ninguém entendia.

— Como assim?

— A menina já está mal-acostumada — prosseguiu a nanny.

— E o bebê está seguindo o mesmo caminho.

O clima na suíte tornou-se tenso, e Alexander se levantou, sentindo o peso das responsabilidades que a paternidade traz.

— Você está dispensada, e não darei boas referências.

A nanny congelou, surpresa, como uma estátua de gelo em pleno verão.

— O quê? Estou aqui apenas a dois dias!

— Passe no setor de recursos humanos, seus honorários serão pagos — a voz dele soou firme.

— Não lhe pago para você falar assim dos meus filhos.

A mãe deles faleceu há poucos meses e ninguém tem o direito de julgar a forma que trato meus filhos!

Com a frustração no auge, a nanny disparou: — O senhor nunca encontrará alguém que aguente essas crianças — já se dirigindo à porta, como uma atriz deixando o palco após uma apresentação decepcionante.

— Saia agora! — respondeu Alexander, decidido, com a certeza de que a proteção dos filhos era sua prioridade.

— A porta se fechou com estrondo, e o choro de Alex aumentou, como uma orquestra desafinada.

Alexander permaneceu parado por alguns segundos, observando o filho em pranto e Emily, que agora estava com os olhos marejados.

— Meu Deus… — murmurou, sentindo o peso da situação como se estivesse carregando uma montanha nas costas.

Ao olhar para o relógio, percebeu que a videoconferência começaria em poucos minutos.

— Como vou participar dessa reunião nesse estado?

Nesse momento, o telefone tocou. — Tio Alexander — a voz de Diana ecoou do outro lado —, eu encontrei uma babá para as crianças.

Aliviado, Alexander fechou os olhos por um instante.

— Graças a Deus, Diana — disse.

— Acabei de dispensar a nanny renomada que o gerente geral me arrumou.

Essa mulher estava falando mal dos meus filhos, você acredita?

— Eu imaginei.

— E quanto tempo de experiência tem, sua amiga em cuidar de crianças?

Um breve silêncio se estendeu, como uma pausa dramática antes da revelação.

— Ela não tem experiência — Diana confessou sinceramente.

— Mas ela adora crianças, é paciente e educada; eu garanto que ela pode ajudar o senhor, ela precisa desse emprego, e o senhor de uma babá de confiança.

— Assim como uma flor que, apesar de não ter crescido em um jardim famoso, consegue florescer e trazer beleza ao ambiente, essa babá pode ser a presença positiva que as crianças precisam.

Alexander olhou novamente para o bebê chorando, tão triste que parecia ter acabado de perder uma batalha.

— Lembrou-se de como uma boa conexão com a babá poderia fazer toda a diferença na vida das crianças. — Traga-a aqui. Agora.

Alguns minutos depois, a porta da suíte se abriu e Diana entrou primeiro.

— Oi, Emily.

— Oi, Di ...— respondeu a menina, levantando-se do sofá como uma princesa chamada para o trono.

— Tio Alexander, bom dia — disse Diana —, esta é minha amiga Vitória James.

Vitória apareceu logo atrás, vestida de forma discreta, com óculos de grau e o cabelo preso em um coque apurado.

Sua postura era tão correta que parecia ter saído de um manual de etiqueta, e ela parou a alguns passos à frente, segurando a bolsa junto ao corpo, como se estivesse guardando algo muito precioso.

— Bom dia, senhor.

Alexander a observou por alguns segundos, avaliando-a como um jurado em um programa de calouros.

— Quantos anos você tem?

— Vinte e dois, senhor.

— Formação? — Artes, falo quatro idiomas e sou musicista.

Alexander levantou a sobrancelha, impressionado, mas ainda cauteloso diante da situação.

— Vitória respirou fundo, hesitando, como se estivesse prestes a abrir um livro de memórias.

— Nunca trabalhei com crianças, senhor.

Um curto suspiro de surpresa escapuliu dos lábios de Alexander, como alguém que acaba de descobrir uma peça-chave de um quebra-cabeça.

— E você acredita que consegue cuidar de meus dois filhos?

— No instante seguinte, o choro do bebê se intensificou, quase como se estivesse pedindo uma audição para um papel principal.

Alexander apontou para o pequeno Alex, e perguntou de uma forma desesperada.

— Você consegue fazer meu filho parar de chorar e dormir para que eu possa participar da reunião?

— Depois da reunião, conversamos sobre os detalhes de seu contrato de trabalho.

Vitória olhou para o bebê, depois para Emily, e novamente para Alexander.

— Eu nunca cuidei de crianças — disse, sincera.

— Gosto muito de crianças, mas nunca tive a oportunidade de cuidar de uma.

Alexander franziu o cenho, visivelmente surpreso.

— Nunca cuidou de crianças?

— Não, senhor, estou sendo sincera, não iria mentir para o senhor jamais. — ela fez uma breve pausa para reunir coragem.

— Mas passei a noite inteira assistindo vídeos no YouTube sobre como ser babá, trocar fraldas, fazer papinhas e cuidados.

A incredulidade tomou conta de Alexander, que piscou como se estivesse assistindo a um truque de mágica.

— Você aprendeu a cuidar de criança no YouTube?

— Sim, senhor, o YouTube é uma fonte de informação, e tem muitas mães que se ajudam.

Diana mordeu o lábio para não rir, enquanto Vitória avançava com mais confiança, parecendo uma competidora pronta para brilhar em uma competição de talentos.

— Posso me aproximar dele, senhor?

Alexander assentiu lentamente, ainda um pouco desconfiado, Vitória se agachou diante do bebê.

— Olá, Lorde Alex, porque você está chorando ? Cheguei e vou cuidar de você tudo bem meu lorde?— disse em tom suave, como se estivesse fazendo uma reverência. — Sua serva acaba de chegar.

Alexander voltou seu olhar para Diana, surpreso, como se estivesse assistindo a uma cena inesperada em um filme.

—Você chamou meu filho de lorde?

E Vitória então se dirigiu a Emily.

— Lady Emily, você poderia me acompanhar até o quarto, por favor, e vamos tomar chá, e cuidar do seu irmãozinho juntas?

Emily esboçou um pequeno sorriso, parecendo a coadjuvante mais feliz do dia, enquanto Vitória pegava o bebê no colo.

— Curiosamente, o choro cessou quase que imediatamente, como se a mágica tivesse funcionado.

Alexander ficou imóvel, observando a cena com incredulidade, como um espectador diante de um milagre.

— Faça a sua reunião, senhor cuidarei das crianças, se eu tiver dúvidas, vou buscar resposta no YouTube — disse Vitória tranquilamente.

— Depois conversamos, Alexander passou a mão pela testa, atordoado, como se estivesse tentando acordar de um pesadelo.

— Meu Deus… o que o desespero não faz.

Vitória sorriu levemente, compreendendo a situação, como se tivesse acabado de descobrir um novo truque de mágica.

— Eu que o diga, senhor.

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