Mundo ficciónIniciar sesiónO Hotel Crownmont Royal despertava devagar naquela manhã cinzenta de Londres, como um relógio que se recusa a marcar a hora certa.
— Na suíte executiva, um silêncio enganoso reinava, interrompido apenas pelo choro incessante do pequeno Alex. Sua habilidade de desmantelar qualquer tentativa de serenidade era comparável à de um artista em um grande espetáculo, com cada berro desafiando a tranquilidade que todos desejavam. — Enquanto isso, Alexander, sentado em frente à mesa de trabalho, esforçava-se para revisar documentos para a videoconferência com os Estados Unidos. Seu notebook aberto ao lado e os fones de ouvido repousando em silêncio eram como elementos de uma orquestra esperando pela sinfonia que nunca começava. — Do lado oposto da suíte, a nanny inglesa caminhava nervosamente de um lado para o outro, segurando o bebê no colo, enquanto Alex continuava a chorar como se estivesse ensaiando para um concerto de gritos, insistente e desafiador. Emily, sentada no sofá, observava aquela cena preocupante em silêncio, abraçada a seu ursinho, que parecia compartilhar da sua angústia, como um cúmplice silencioso em meio ao caos. — Senhor — disse a nanny, quase sem paciência — o senhor mima demais essas crianças. Alexander levantou os olhos lentamente, ainda em estado de choque, como se tivesse acabado de descobrir que o leite estava azedo. — Ele é apenas um bebê. — E isso que ele faz é apenas uma birra de uma criança — retrucou ela. —Se não começar a educação desde já, ele se tornará um pequeno terrorista, se continuar sendo mimado. A frustração aumentava dentro dele, enquanto Alexander fechava o notebook devagar, como se estivesse enterrando um tesouro que ninguém entendia. — Como assim? — A menina já está mal-acostumada — prosseguiu a nanny. — E o bebê está seguindo o mesmo caminho. O clima na suíte tornou-se tenso, e Alexander se levantou, sentindo o peso das responsabilidades que a paternidade traz. — Você está dispensada, e não darei boas referências. A nanny congelou, surpresa, como uma estátua de gelo em pleno verão. — O quê? Estou aqui apenas a dois dias! — Passe no setor de recursos humanos, seus honorários serão pagos — a voz dele soou firme. — Não lhe pago para você falar assim dos meus filhos. A mãe deles faleceu há poucos meses e ninguém tem o direito de julgar a forma que trato meus filhos! Com a frustração no auge, a nanny disparou: — O senhor nunca encontrará alguém que aguente essas crianças — já se dirigindo à porta, como uma atriz deixando o palco após uma apresentação decepcionante. — Saia agora! — respondeu Alexander, decidido, com a certeza de que a proteção dos filhos era sua prioridade. — A porta se fechou com estrondo, e o choro de Alex aumentou, como uma orquestra desafinada. Alexander permaneceu parado por alguns segundos, observando o filho em pranto e Emily, que agora estava com os olhos marejados. — Meu Deus… — murmurou, sentindo o peso da situação como se estivesse carregando uma montanha nas costas. Ao olhar para o relógio, percebeu que a videoconferência começaria em poucos minutos. — Como vou participar dessa reunião nesse estado? Nesse momento, o telefone tocou. — Tio Alexander — a voz de Diana ecoou do outro lado —, eu encontrei uma babá para as crianças. Aliviado, Alexander fechou os olhos por um instante. — Graças a Deus, Diana — disse. — Acabei de dispensar a nanny renomada que o gerente geral me arrumou. Essa mulher estava falando mal dos meus filhos, você acredita? — Eu imaginei. — E quanto tempo de experiência tem, sua amiga em cuidar de crianças? Um breve silêncio se estendeu, como uma pausa dramática antes da revelação. — Ela não tem experiência — Diana confessou sinceramente. — Mas ela adora crianças, é paciente e educada; eu garanto que ela pode ajudar o senhor, ela precisa desse emprego, e o senhor de uma babá de confiança. — Assim como uma flor que, apesar de não ter crescido em um jardim famoso, consegue florescer e trazer beleza ao ambiente, essa babá pode ser a presença positiva que as crianças precisam. Alexander olhou novamente para o bebê chorando, tão triste que parecia ter acabado de perder uma batalha. — Lembrou-se de como uma boa conexão com a babá poderia fazer toda a diferença na vida das crianças. — Traga-a aqui. Agora. Alguns minutos depois, a porta da suíte se abriu e Diana entrou primeiro. — Oi, Emily. — Oi, Di ...— respondeu a menina, levantando-se do sofá como uma princesa chamada para o trono. — Tio Alexander, bom dia — disse Diana —, esta é minha amiga Vitória James. Vitória apareceu logo atrás, vestida de forma discreta, com óculos de grau e o cabelo preso em um coque apurado. Sua postura era tão correta que parecia ter saído de um manual de etiqueta, e ela parou a alguns passos à frente, segurando a bolsa junto ao corpo, como se estivesse guardando algo muito precioso. — Bom dia, senhor. Alexander a observou por alguns segundos, avaliando-a como um jurado em um programa de calouros. — Quantos anos você tem? — Vinte e dois, senhor. — Formação? — Artes, falo quatro idiomas e sou musicista. Alexander levantou a sobrancelha, impressionado, mas ainda cauteloso diante da situação. — Vitória respirou fundo, hesitando, como se estivesse prestes a abrir um livro de memórias. — Nunca trabalhei com crianças, senhor. Um curto suspiro de surpresa escapuliu dos lábios de Alexander, como alguém que acaba de descobrir uma peça-chave de um quebra-cabeça. — E você acredita que consegue cuidar de meus dois filhos? — No instante seguinte, o choro do bebê se intensificou, quase como se estivesse pedindo uma audição para um papel principal. Alexander apontou para o pequeno Alex, e perguntou de uma forma desesperada. — Você consegue fazer meu filho parar de chorar e dormir para que eu possa participar da reunião? — Depois da reunião, conversamos sobre os detalhes de seu contrato de trabalho. Vitória olhou para o bebê, depois para Emily, e novamente para Alexander. — Eu nunca cuidei de crianças — disse, sincera. — Gosto muito de crianças, mas nunca tive a oportunidade de cuidar de uma. Alexander franziu o cenho, visivelmente surpreso. — Nunca cuidou de crianças? — Não, senhor, estou sendo sincera, não iria mentir para o senhor jamais. — ela fez uma breve pausa para reunir coragem. — Mas passei a noite inteira assistindo vídeos no YouTube sobre como ser babá, trocar fraldas, fazer papinhas e cuidados. A incredulidade tomou conta de Alexander, que piscou como se estivesse assistindo a um truque de mágica. — Você aprendeu a cuidar de criança no YouTube? — Sim, senhor, o YouTube é uma fonte de informação, e tem muitas mães que se ajudam. Diana mordeu o lábio para não rir, enquanto Vitória avançava com mais confiança, parecendo uma competidora pronta para brilhar em uma competição de talentos. — Posso me aproximar dele, senhor? Alexander assentiu lentamente, ainda um pouco desconfiado, Vitória se agachou diante do bebê. — Olá, Lorde Alex, porque você está chorando ? Cheguei e vou cuidar de você tudo bem meu lorde?— disse em tom suave, como se estivesse fazendo uma reverência. — Sua serva acaba de chegar. Alexander voltou seu olhar para Diana, surpreso, como se estivesse assistindo a uma cena inesperada em um filme. —Você chamou meu filho de lorde? E Vitória então se dirigiu a Emily. — Lady Emily, você poderia me acompanhar até o quarto, por favor, e vamos tomar chá, e cuidar do seu irmãozinho juntas? Emily esboçou um pequeno sorriso, parecendo a coadjuvante mais feliz do dia, enquanto Vitória pegava o bebê no colo. — Curiosamente, o choro cessou quase que imediatamente, como se a mágica tivesse funcionado. Alexander ficou imóvel, observando a cena com incredulidade, como um espectador diante de um milagre. — Faça a sua reunião, senhor cuidarei das crianças, se eu tiver dúvidas, vou buscar resposta no YouTube — disse Vitória tranquilamente. — Depois conversamos, Alexander passou a mão pela testa, atordoado, como se estivesse tentando acordar de um pesadelo. — Meu Deus… o que o desespero não faz. Vitória sorriu levemente, compreendendo a situação, como se tivesse acabado de descobrir um novo truque de mágica. — Eu que o diga, senhor.






