Capítulo 6
** POV da Paige **

A escola foi fantástica, e todos os funcionários foram muito acolhedores. A diretora, que prefere ser chamada de Regina em vez de Sra. Green, não pareceu nem um pouco abalada quando expliquei o histórico de Jaxon na escola anterior.

Quando a visita terminou, Jax já tinha feito amizade com algumas crianças, e ele não queria ir embora. Regina concordou que ele começasse com meio período amanhã antes de começar em tempo integral na próxima semana.

A caminhada de volta pela cidade foi agradável. Paramos para tomar sorvete em uma pequena sorveteria. Depois, compramos alguns materiais de arte em uma loja de artesanato, para que Jaxon possa sentar no jardim e pintar enquanto ligo para as empresas de serviços públicos para deixar tudo funcionando.

Ainda estou esperando na linha com a empresa de internet quando há uma batida na porta. Olho para Jax, que ainda está sentado no jardim dos fundos pintando, e vou atender a porta. Poppy não disse que viria hoje, e ainda não conhecemos ninguém aqui, então estou tentada a ignorar, mas a curiosidade fala mais alto e abro a porta.

Meu coração para por um segundo quando o rosto de Ryder me encara com um sorriso e meus olhos se movem para a mão dele, verificando a marca de nascença.

— Oi, desculpa aparecer sem avisar, mas estava passando e pensei que talvez Jaxon quisesse chutar uma bola — Callen diz com uma bola debaixo do braço.

Ele trocou de roupa desde que o vi algumas horas atrás. Trocou o shorts preto e camiseta por uma camiseta azul-bebê que faz os olhos dele parecerem ainda mais azuis.

— Hum... na verdade ele está ocupado no momento — digo, bem quando Jaxon entra correndo, segurando sua pintura e declarando orgulhosamente que terminou.

— Callen! — Jax grita empolgado quando o vê na porta. Ele corre em direção a ele, tropeçando no cadarço desamarrado e caindo com um baque pesado no chão de madeira contra a parede.

— Estou bem — Jax declara antes que eu tenha chance de perguntar.

— Devagar, amigão, não precisa correr — Callen diz.

Ajudo Jaxon a se levantar e o examino. Ele não parece machucado, mas sua pintura está completamente destruída, assim como a parede antes imaculada.

Tinta azul, vermelha e amarela estão borradas na parede como uma tentativa grosseira de arco-íris na parede magnólia.

— Merda — xingo baixinho e corro para a cozinha pegar um pano. Essa não é a primeira impressão que quero dar ao proprietário quando ele vier amanhã.

— Desculpa, mamãe — Jaxon diz com os olhos cheios de lágrimas enquanto olha para a bagunça na parede.

— Tudo bem, meu amor, foi um acidente — tranquilizo enquanto limpo a tinta da parede, o que só parece piorar as coisas conforme espalho mais.

— Aqui, deixa eu ajudar. A culpa foi minha por aparecer sem avisar — Callen diz, entrando na casa e estendendo a mão para o pano.

Estou prestes a protestar quando o telefone preso entre o ombro e a orelha finalmente conecta com um atendente. Aceno e entrego o pano para Callen para atender a ligação. Se eu não precisasse da internet para trabalhar, teria desligado e ligado de volta amanhã, mas a central de atendimento fecha em breve, e preciso me conectar o mais rápido possível para cumprir o prazo do manuscrito.

Passo todos os meus dados e negocio um bom pacote de TV e internet enquanto observo Callen e Jaxon limparem a parede. Depois eles vão para o jardim dos fundos chutar a bola de futebol enquanto os observo pela janela.

Quando termino a ligação, fico na janela observando Jaxon brincar. Ele parece tão feliz e curtindo muito jogar futebol. Greg nunca tinha tempo para brincar com ele assim. Estava sempre cansado demais ou ocupado demais, e eu nunca fui boa em esportes. Meu pai sempre dizia que eu tinha dois pés esquerdos.

Enquanto os observo, não consigo impedir minha mente de imaginar outra vida. Se Ryder não tivesse desaparecido, e nós vivêssemos juntos como uma família nos últimos seis anos. Seria assim que nossa vida teria sido? Jax e Ryder no jardim jogando bola enquanto eu preparo o jantar? Me pego sorrindo com a vida imaginada, e então suspiro.

Preciso perguntar a Callen se ele tem irmãos. Acho que é a melhor forma de ver se ele sabe sobre Ryder, porque ninguém pode me convencer de que eles não são gêmeos. Não posso perguntar na frente de Jaxon, porém. Se Callen revelar que é irmão de Ryder e algo terrível aconteceu ou Ryder não quiser conhecer Jax, então estarei apenas fazendo meu filho passar por uma dor desnecessária.

Saio pela porta dos fundos, e Callen sorri para mim.

— Acho que você tem um futuro craque de futebol em formação aqui.

— Eu fiz um gol! — Jax diz, jogando as mãos para o alto.

— Eu sei, eu vi. Muito bem, Jax, foi um golaço — sorrio.

— O Callen pode ficar para o jantar? — Jaxon pergunta, seus grandes olhos azuis cheios de esperança.

— Tenho certeza de que Callen já tem planos.

— Não tenho — Callen dá de ombros.

— Ótimo — forço um sorriso, não muito animada em tê-lo para jantar quando o conhecemos há poucas horas.

— Que tal eu pedir delivery? Tem um italiano ótimo que entrega e a lasanha deles é de morrer — Callen diz com um gemido.

— Eu gosto de lasanha — Jaxon acena.

— Três porções de lasanha, então? — Callen pergunta, olhando para mim.

— Claro, e obrigada por ajudar com a parede e com o Jaxon.

— Não foi nada.

Embora eu não quisesse que ele ficasse, posso ver o quanto Jaxon está gostando de tê-lo aqui, e isso tira a mente dele do Greg. Além disso, posso encontrar algum tempo para fazer algumas perguntas quando Jax não estiver por perto.

Callen estava certo. A lasanha era incrível, e tive que lutar contra a vontade de gemer como ele quando ela pareceu derreter na minha boca. Depois do jantar, mando Jaxon lá para cima para se lavar e vestir o pijama enquanto limpamos a mesa.

— Você é bom com crianças. Tem muitos pequenos na sua família? — pergunto, tentando não parecer que estou interrogando ele.

— Não, não na minha família, mas tem várias crianças no meu... grupo de amigos. — Ele pausou, me fazendo suspeitar que preferiria ter usado outras palavras.

— Então, você tem muita família aqui na cidade?

— Na verdade, não. Cresci em lares adotivos e só recentemente descobri que tenho um irmão — ele diz enquanto levamos os pratos vazios para a pia.

Meu coração dispara no peito e minha respiração fica presa na garganta. Quase deixo os pratos caírem na pia enquanto minhas mãos tremem.

— Um irmão mais velho ou mais novo? — pergunto, minha voz saindo mais aguda do que gostaria.

— Na verdade, não tenho certeza. Somos gêmeos, e não sabemos qual de nós nasceu primeiro, mas acho que sou o mais velho — ele ri.

— E ele mora aqui na cidade?

— Sim, nos arredores — ele diz.

Minha cabeça de repente fica estranha, e me agarro ao balcão para me estabilizar. Eu estava certa. Ele é o gêmeo de Ryder, e Ryder está vivo e bem aqui, na cidade para a qual acabei de me mudar. Isso é destino ou uma coincidência cósmica?

Não faço ideia do que dizer a seguir. Conto a ele que seu gêmeo é o pai de Jaxon? Exijo que ele me leve até ele ou ligue para ele e diga para vir aqui? Como abordo isso e mantenho meu filho protegido?
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