O Mandacaru

O MandacaruPT

Lucas Serafim  En proceso
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Resumen
Índice

Um agiota ameaça a vida de Fabíola, enquanto isso, seu novo hospede tem estranhas espinhas pelo corpo que começam a surgir em todos na casa ao mesmo tempo que uma estranha criatura assombra os sonhos de Fabíola.

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19 chapters
I
Uma vez irritada tudo a irrita mais, inclusive o som oco do mandacaru batendo em sua janela. Não era a primeira vez a acontecer, dia e noite o mandacaru ia com força contra o vidro quando lhe tocava o vento. Embora grande fosse a tentação de cortar alguns gomos, Fabíola sempre tinha pena; estavam tão belas as flores vermelhas cujos botões abriam todas as noites. Naquela tarde nublada, tanto nervosismo, ansiedade, tristeza vinham em bruma translúcida pelos olhos e escorriam salobras pela face de Fabíola — cegavam não apenas à visão. Fabíola largou a calculadora ao chão, pegou uma tesoura de costura e abriu a janela. Extravasou tudo a lhe ocorrer no pobre mandacaru, mas a planta era tão forte que a perda fora imperceptível.    Fab&i
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II
Às onze da noite Fabíola chegou em casa, chegara mais cedo, pois não tinha feito hora extra, queria aproveitar a casa sozinha — a mãe ia à igreja naquela noite. Teria chegado ainda mais cedo, não fossem as chuvas de verão; São Paulo inteira estava debaixo d’água e o bairro onde moravam possuía um esgoto à céu aberto que sempre alagava. Como se não bastasse o trânsito nas avenidas, Fabíola teve de dar a volta, pela entrada de outro bairro, para chegar em casa. E foi surpreendida com a presença da mãe. Deixou escapar o ar certamente protestante, afinal, tinha planos, mais precisamente o plano de chegar e ir direto ao quarto sem precisar olhar para a velha senhora sentada no sofá de frente para a televisão.       — Chegou cedo, não deveria estar na faculdade? — a mãe questionou.   &n
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III
Fabíola entrou na sala de aula, sentou à carteira e estava felicíssima, finalmente retornou aos estudos. Pegou seu caderno e abriu na matéria favorita, Políticas Públicas da Educação, ela adorava estudar as leis acerca de sua área de atuação e debatê-las com a amiga Carla, elas eram boas naquela matéria e passavam quase todo o tempo livre debruçadas em casos nos quais as leis não foram colocadas em prática, debruçadas nas falhas do Estado, no sucateamento da escola pública. Vale dizer, as duas foram as primeiras a se revoltar com o congelamento da entrada de grande parte de dinheiro público na educação, após a aprovação da PEC do Teto de Gastos, ao ponto de tentar organizar um protesto. O Movimento Estudantil se mobilizou, as duas foram à luta com seu grupo comunista, inspiradas pelos seus ideais e sonhos.   Infelizmente, não houve luta comunista ou ataque anarquista que impedisse a aprovação
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IV
Maria estava estranha, pelo menos para Fabíola. Assim que entraram em casa, Maria se dispôs a fazer as compressas para os meninos, colocou o celular para tocar na hora de dar os remédios e cantarolava seus “louvores” — por motivos desconhecidos, era quase um pecado capital chamar música gospel de música, Fabíola odiava esse fato tanto quanto odiava música gospel louvores. Todo aquele “lá, lá, lá” proferido pela mãe assustava, de certa forma, apesar de deixar Fabíola confortável. Talvez, a descoberta de que os furúnculos causavam dor em Caíque tivesse amolecido o coração da velha. — Minha filha — ela chamou —, você pode dar uma olhada no quintal? V
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V
Com o peso de Fabíola acima do tronco, Beto arquejava, mas de forma alguma era ruim. O peso era delicado, cheirava a rosas e o esquentava. Fabíola brincava passando o queixo nos pelos do peito de Beto, fazia tempo que não o tinha daquele jeito. Mas estava na hora dele ir. — Esse cacto ficou o tempo todo batendo na janela, isso não te irrita? — perguntou Beto, levantando da cama. Fabíola deitou de costas, o corpo nu exposto sem pudores, olhou para a janela: — Pra ser bem sincera, nunca foi assim. Acho que ele bate desse jeito por causa do vento das chuvas. Aliás, é um jamacaru. — Talvez a água tenha o inchado, o peso deve fazê-lo ba
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VI
Por quinze minutos Fabíola esteve imovel, ajoelhada ao chão. As pálpebras estavam abertas, mas nada os olhos enxergavam. A cabeça em nada pensava; por quinze minutos ela não existiu. O primeiro objeto que viu quando retornou à realidade, foi a cadeira diminuída a lixo. Entretanto, ela não pensou sobre aquilo e automática foi ao quarto, na gaveta da mesa de cabeceira, pegou um maço com dezenove cigarros que ela não via a cor há quatro meses. Na cozinha escura por preservar apagada a lâmpada, ligou a chama do fogão e acendeu um cigarro. Foi difícil para os lábios agarrar a bituca com a tremedeira incessante das mãos. Ela sentiu uma brisa e se arrepiou, percebeu, então, que não vestira uma camiseta, estava
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VII
Três vezes ligou e o telefone apenas chamou, na quarta, por qualquer motivo, provavelmente por intuição, sentiu que o pai tinha encerrado a ligação sem nem atender. Ele trabalhava cedo, já estava acordado às cinco. O tempo estava correndo, ela precisava ser rápida! Iria ao próximo, ligou para Roberto. Era um tanto vergonhoso ter que pedir dinheiro um dia após uma transa, realizada depois de uma semana dando vácuo no pobre Beto. — Fabíola, me ligou cedo — a voz dele estava sonolenta, óbvio, era domingo. — Desculpa ter te ligado assim. Tá tudo bem contigo? Hum, que bom… ouça, Beto: eu sei como isso é chato e eu estou morrendo de vergonha, mas, assim, será que você não teria, assim,
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VIII
Apesar da amizade forte, Carla visitou Fabíola uma única vez, há dois anos e não era de fato uma visita, de fato não era aquela coisa de almoço de fim de semana ou de visita pelo simples prazer de ter a amiga por perto; era só uma passada para fazer um trabalho. Gostavam mesmo de se ver em festas, baladas, bares, Carla era uma grande entusiasta da bebedeira iniciada na torre de chopp e finalizada no tilintar do gelo no fundo do copo plastico de caipirinha, sempre de morango e bem docinha, obrigada, passar bem! A primeira visita pelo prazer da conversa acompanhada de uma sacola com quatro latinhas, era como a manutenção de uma tradição. — Adoro duplo malte — Fabíola confessou após o primeiro gole. — Dois mil reais, no mí
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IX
Devia seis mil e cem reais, não só isso, a dívida era maior, aquele valor era só o exigido no momento. Tinha dois mil no cartão e agora receberia mil de Carla, ficariam faltando apenas três mil e cem para completar o valor exigido para não virar puta. — Amiga, foi bom te ver — Carla se espreguiçava, levantou do sofá —, mas eu já tenho que ir. — Tão rápido assim? — É, eu entrei num projeto de iniciação científica e tô fazendo um estágio, então, já viu, né? Tô atarefadíssima. Fabíola a acompanhou até a saída.Leer más
X
Subiu ao próximo andar desobedecendo sua própria regra de não correr nas escadas, entrou em seu quarto batendo a porta, abriu seu guarda roupas e pegou sua latinha de bombons — abriu-a. O cartão de crédito não estava ali, Fabíola gritou bestial com a cabeça erguida, os meninos se assustaram e correram até ela. — O que aconteceu? — Caíque quis saber. — Voltem pro quarto e não saiam, eu volto logo. Fabíola saiu de casa, subiu a rua 13 de maio, virou a esquina na Rua do Orador Cego e seguiu, ademais para o fim da rua, chegou no número cem, numa igreja evangélica. O local estava de portas abertas, apenas o pastor habitava ali em seu lugar no altar, de cabe&cc
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