Enquanto Formos Jack

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Resumen
Índice

Sinopsis

Puro

A morte de Jack Orestes não trouxe apenas alívio e desespero, fez nascer também sentimentos vagos e vidas sem rumo que caminham inutilmente para o vazio, tentando apagar seu nome de seus corpos e memórias. Para se manterem vivos, após a morte do pai, os irmãos Orestes separam e unem-se vezes de mais, mas um nunca conta o que viu ou ouviu ao outro; o mais novo sempre se mantém em silêncio, o mais velho nunca está realmente ali. Entre mentiras e o desespero do passado em seu encalço, gritando sobre o antecessor marcado à bala, cada um tem seu próprio motivo para não morrer, mas ambos sabem que a órbita vazia, uma hora ou outra, também manchará suas alvas faces.

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Jack e Sangue
Jack era uma verdadeira aparição, um espectro pálido e magro, várias cabeças mais alto que qualquer um naquela sala. Mesmo pequenos perante ele, os homens lhe olhavam com sede e fome, querendo seu sangue e sua carne para satisfazerem seus próprios bolsos egoístas.Jack não tinha saída, sabia exatamente como chegou àquela situação e isso o fez temer ainda mais a raça humana."Humanos são os únicos animais que matam, ferem, sabem as consequências de seus atos, com o que irão pagar e até quanto irá doer e ainda assim o fazem", ele dizia sempre que alguém lhe permitia falar.Os homens deslizaram seus dedos sobre as travas e depois os fizeram dançar sobre os gatilhos. Nenhum atirou de imediato, esperavam alguma reação estranha de Jack - ele sempre tinha alguma reação estranha.Lewi, o maio
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Mentiras e Negócios
O mais novo dos irmãos parecia um pouco mais velho do que realmente era. Com apenas dezesseis, aparentando vinte e poucos, se perdeu nos becos de uma cidade qual o nome ninguém sabia.     Essa foi a quarta vez que ele deixou seu irmão numa estação de trem, mas foi a primeira em que não soube o que fazer.    Ele era um forasteiro num mundo de ladrões e negociadores de sequestros, onde qualquer um faz um escarcéu quando gente nova, aparentando não parecer tão nova assim, se perde por aquelas bandas.    As ruas pareciam todas iguais, as casas estão sujas nos mesmos lugares e sob a tinta ainda há a mesma cor. Os únicos caminhos diferentes eram os túneis velhos onde deveriam passar grandes tubos de concreto que levaria o esgoto da cidade até o esgoto da cidade vizinha. Esses permanecem vazios mas já são tão mal cheirosos que ninguém negaria caso o prefeito dissesse, numa das entrevistas à imprensa, que foram usados um dia. 
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Trens e Circo
O mais velho dos irmãos — só por alguns minutos — descia e subia de trens, e fora assim sua vida toda — bem, se tornou quando Jack se foi. Ele vê a silhueta do irmão mais novo atravessando os trilhos sempre que o trem está um pouco longe de mais para continuar acenando, e assim ele sabe: irá demorar à voltar. As vezes, teme que nenhum dos dois nunca volte a se encontrar. O mais velho não é de demonstrar, mas sempre teme o fato de talvez nunca poder ver um rosto conhecido pelo resto de sua vida.    E, nessa vida de sobe e desce de trens, o mais velho dos irmãos aprendeu a fazer muitas coisas. Coisas como abater carteiras sem ser visto, matar alguém sem encostar nele, lavar uma casa inteira apenas com detergente e vassoura... Mas nunca houve como testar seus conhecimentos.    Quando encontrou a pessoa certa, ele quebrou uma garrafa e a amassou até ver o vidro virar pó. Encheu um pote com cola e jogou o vidro em pó lá dentro, depois jogou um tubo
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Morte e Razão
Quando o mais jovem dos irmãos morreu, ninguém chorou. Ele parecia uma cópia exata do velho Jack: o mesmo cabelo ruivo, que, as vezes, quando o sol estava muito forte, ou seus olhos ainda não haviam se acostumado com a luz, parecia loiro; os mesmos olhos cinzentos, que, no inverno, eram um tanto verdes; o mesmo nariz reto, mas só até a ponta — onde deslizava numa descida redonda; os lábios sem cor, como se sempre estivesse com frio e fazia com que todos sempre se preocupassem, mas, de repente, estavam tão vermelhos como se passasse batom. O relógio do velho Jack ainda era mantido pende em seu pescoço, sob a camisa, como um camafeu desprovido de fotos ou lembranças reais, contendo somente as mesmas horas que Jack via todas as noites em que saia de casa, mentindo sobre ter amigos do trabalho com quem precisava dar uma "palavrinha".     Todos esses amigos acabavam mortos, hoje o mais jovem sabe.     Ele, o mais jovem — só por alguns minutos —
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Palhaço Obscuro
A graça se foi, tão rápido quanto viera. A verdade é que ela nunca existiu. E o Leviathan, que tornou-se tão famoso no lado negro, logo deixou de agir.    Primeiro, as leituras de mãos sempre terminavam mal: a linha do amor e a da vida se misturavam no meio do caminho, e tudo sempre acabava em morte.     A previsão do futuro nunca se tornava realidade. Ele mesmo disse: não tenho controle sobre o tempo, isso pode acontecer hoje, amanhã, daqui à trinta e cinco anos, quando seus netos te chamarem de vovô; só precisa esperar.     A aula de tiros formou vários garotos na escola negra do Senhor Leviathan. Por um momento, as mortes foram muitas naquele lado da cidade, todas da mesma forma desajeitada.     Toda semana, alguém via os olhos cinzentos da morte e então a tenda roxa do Jack do meio mudava para outra praça, outro circo, outra cidade. As vezes, a tenda era
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Galinhas e Abby Myron
Quando o mais novo Jack abriu os olhos, o sol já havia se posto. A noite uivava como um lobo solitário, dizendo "Estou aqui. Alguém? Estou bem aqui..." mas, fora aquele Jack, não restou ninguém. Assim que as lembranças do dia anterior voltaram, ele ergueu os braços com agonia e passou as mãos por seu peito. Estava úmido. Arregalou os olhos. Teve tanto medo da órbita que poderia ter sido aberta ali que poderia morrer. Mas, ao olhar as mãos, percebeu: estavam limpas, apenas um pouco molhadas. Suspirou alto e aliviado, deixando-se cair novamente. Quando a dor de cabeça diminuiu, se pôs a procurar o relógio-camafeu do velho Jack. O relógio tornara-se uma bola retorcida de latão e cobre. O buraco, bem no centro, ainda prendia a munição do policial. Milagrosamente, ainda era possível ouvir o sibilar dos ponteiros, marcando os minutos para ver o novo Jack erguer-se daquele chão umedecido.Primeiro foi preciso afastar as galinha
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Jackie
Alguns pares de dias depois, o trem parou, mais uma vez, e, dessa vez, o ex-Leviathan pôs-se a levantar. Ele não esperou que alguém avisasse, nem mostrou o bilhete... Nada. Abriu a janela e pulou.    O chão sob seus pés estava úmido e havia uma quantidade extremamente desnecessária de folhas secas e pegadas do que pareciam vacas ou cavalos ou camelos. Esse Jack não sabia a diferença.    O pequeno vilarejo que, escondido entre tantas árvores, era difícil perceber, parecia mais pacato que qualquer outro. Mais ao longe, uma fábrica soprava sua fumaça negra e reclamava do pouco espaço que lhe deram. Aquele era o portão de entrada para uma cidade maior, menos verde, um verdadeiro inferno de pedra e almas tão perdidas quanto a dele.     Ele também não esperou por alguém que lhe indicasse o caminho. Adentrou o grande solto e seguiu em frente até ver muros e ouvir asas batendo. Os muros eram baixos e po
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Vivos e Mortos
Quando o mais velho disse que iria embora, aquele Jackie, que comia bolo branco e tomava chá com uma senhora de milhares de anos, parecia querer voltar. O caçula o sentia. Mãos e pés debatendo-se pelas paredes, pedindo passagem, consolo, suplicando para que o tirassem daquela escuridão claustrofóbica. Ele queria estender seus dedos e puxá-lo para fora, trazê-lo à tona novamente. Mas Jackie estava fundo, muito fundo, colado àquelas paredes pegajosas.     Mesmo assim, mesmo não sendo aquele Jackie, o caçula pediu que Abby deixasse o irmão passar a noite ali, sob o mesmo teto que cobre sua cabeça e lhe fez tão bem. Abby era bondosa de mais para dizer não. Então todos os Jacks dormiram no mesmo quarto: os mortos que permanecem vivos e os vivos que estão mortos.     Os mortos que permanecem vivos, ou seja, os irmãos Orestes, dormiram lado a lado. Um enfiado em lençóis e travesseiros no chão e outro, sobre a cama, envolto e
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Fuga e Neve
Quando pessoas deixam de ser quem são e, numa certa curva de suas novas trajetórias, desejam voltar ao ponto de partida, é natural querer de volta tudo o que lhes foi tirado ao longo do caminho ou até mesmo antes de começar a caminhada. Ao menos Jack pensava assim. Talvez ele não estivesse certo, talvez nem mesmo o caçula achasse aquilo correto. Mas, aquele Jack, o Jack que matou alguém para seguir em frente e reviveu outrem para voltar atrás, queria isso, queria tudo de volta. A casa, o quarto azul, a mãe, o pai, a vida... Ele queria estar sob todos aqueles lençóis e os desenhos de estrelas e luas que o velho Jack pintou no seu pequenino céu quadriculado. Ele queria o irmão chorão e fazê-lo rir com cócegas. Queria as almofadas que nunca ficavam no lugar e ter que arruma-las antes de dormir. Queria os armários que sempre estavam cheios e temê-los durante a noite. Ele queria tudo, tudo, tudo. Desde o piso frio até os cabos de aço das panelas sempre ferventes. Tudo.&
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Limite
Dias e dias trancados numa grande caixa de madeira marrom com traços tão verdes e caracóis chamuscados, fizeram a claustrofobia do mais velho — só por alguns minutos — escorrer pelas laterais e manchar todo o chão encarpetado do trem. Talvez a Itália fosse capaz de pôr homens do governo atrás desse Jack por manchar o chão de sua bela monstruosidade mecânica e invadir suas terras clandestinamente.     O mais jovem dos Orestes nada podia fazer a não ser deixar bem claro que monstro algum conseguiria passar por ele e fazer o mais velho rir de vez em quando.    Para Jack, o mundo estava meio de cabeça para baixo. O estômago virando e revirando, girando e regirando. Aqueles monstros que Jackie citava, poderiam aparecer em qualquer lugar entre as cidades e as florestas, que surgiam e desapareciam nas janelas. O almoço, que não passou de ravioli e um grande e muito cheio copo de suco de maçã, estava pedindo para
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