Naquela noite, sonhei com a minha vida passada.Em uma noite de inverno, eu tinha adormecido dentro da oficina de guarda-chuvas.Quando acordei, minhas mangas estavam aquecidas pelo calor do fogão a lenha.Henrique estava agachado ao meu lado, virando um por um os tecidos dos guarda-chuvas que tinham absorvido umidade, tentando deixar cada um deles seco.Assim que percebeu que eu tinha aberto os olhos, ele fechou a expressão imediatamente.— Não pense besteira. Eu só não queria que você ficasse doente. Se isso acontecesse, ninguém lembraria o Antônio de tomar os remédios.Mais tarde, quando a oficina voltou a funcionar, o primeiro guarda-chuva de taquara foi pendurado sob o beiral da loja.Henrique ficou parado na chuva, olhando para ele por um longo tempo.No fim, apenas falou:— Ficou bom.Depois disso, Rafael voltou para Costa das Palmeiras.Eu evitava ele de propósito, mas Henrique segurou minha mão no meio da rua principal e não soltou até o fim do caminho.Naquele dia, achei que
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