No salão principal do Templo, Henrique sentiu alguma coisa desaparecer das profundezas de sua alma.Algo que estivera ali por trezentos anos.Uma presença constante, quase imperceptível, que ele jamais imaginara perder.E, num único instante, tudo sumiu.Sem deixar calor.Sem deixar vestígio.O salão da cerimônia mergulhou em agitação.Isabela ainda segurava o braço dele, as faces levemente coradas pela timidez de momentos antes. Quando viu a taça escapar de sua mão, estendeu o braço por reflexo.— Rique?Henrique nem sequer olhou para ela.Levou a mão ao peito.Seus dedos tremiam.Até poucos segundos antes, havia ali uma ligação tênue.Trezentos anos atrás, antes da nossa primeira cerimônia do pacto matrimonial, Henrique temera que eu entrasse sozinha em uma região proibida, tomada por magia perigosa, e desaparecesse sem que ele pudesse me encontrar.Por isso, criara com as próprias mãos uma marca capaz de conectar nossas almas.Na época, reclamei, dizendo que aquilo parecia uma corda
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