Desci até a cozinha, montei um prato rápido e voltei para a praia. Sentei na areia, a metros da água, mastigando sem sentir gosto de nada.Passos firmes afundaram na areia atrás de mim. Antes que eu pudesse olhar por cima do ombro, uma sombra alta cobriu o sol. William se sentou ao meu lado, sem o terno, sem o notebook, segurando um prato idêntico ao meu.Continuei encarando o horizonte. Mastiguei devagar, fingindo que ele era uma pedra. Um fantasma.— Você é péssima nisso.A voz grave dele cortou o barulho do mar. Mantive o olhar fixo nas ondas.— Ficou surda, Viola? — Ele deu uma garfada na comida, o tom carregado de um deboche calmo. — Descobri que a minha esposa estava tão desesperada pela minha companhia que passou o dia inteiro perambulando pela casa como uma alma penada.O sangue subiu fervendo direto para a minha cabeça. Girei o rosto para ele na hora, os dentes trincados.— Desesperada? Por você? Nem se você fosse o último homem do planeta, William!O canto da boca dele subiu
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