O salão principal se transformara num cenário de caos contido. Mariana estava sentada numa poltrona próxima à entrada do corredor, o rosto pálido como papel, as mãos tremendo sobre o colo. Ela olhava para o nada, os olhos azuis vidrados, a respiração curta e irregular.Júlia, a esposa de Rodrigo, surgiu ao lado dela com passos rápidos, o vestido pomposo contrastando com a palidez do rosto:— Consegui falar com os garçons — disse ela, a voz baixa, mas firme. — Eles já haviam levado todos os convidados para o jardim. A música estava alta o suficiente para disfarçar as sirenes da ambulância. A princípio, ninguém viu nada. Está tudo sob controle.Márcio chegou logo atrás, o terno agora desalinhado, o rosto tenso mais evidente sob a luz do lustre. Ele passou a mão no rosto, os olhos fixos na esposa:— Mariana, nós temos que chamar a polícia.Ela ergueu o olhar, incrédula:— A polícia?— A Louise acabou de empurrar uma mulher grávida escada abaixo — Márcio disse, a voz pesada. — Isso é crim
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