Sabendo muito bem de todo o meu histórico e dos riscos que corria, pisei naquela casa com o coração na mão, mas com a urgência de quem precisava de um teto. Olhei para ele e perguntei, com o resto de coragem que me sobrava, se poderia passar um tempo ali. Sem hesitar, recebi um "sim" sincero como resposta. Com o teto garantido para aquela noite de desamparo, no dia seguinte o meu primeiro passo foi voltar à casa da mãe daquele rapaz onde eu havia almoçado, recolher todas as minhas roupas e transferir de vez as minhas malas para a casa dele. Era o início de uma nova fase, onde a sobrevivência exigiria de mim uma disciplina de ferro. Aos poucos, nossa rotina foi se organizando no meio daquele cenário complexo. Criamos uma dinâmica de proteção mútua: durante o dia, eu me esforçava ao máximo para ficar longe da casa, ocupando a minha mente e esticando os meus passos pelas ruas do bairro para não testemunhar o movimento pesado. Eu caminhava sem rumo, observando o comércio, respirando o ar
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