Os dias que se arrastaram após a confissão de Soren e a chegada de Astrid estabeleceram uma nova e gélida rotina na Fortaleza de Obsidiana. A convivência com a loba das neves era pautada por um distanciamento polido, quase arquitetônico. Nós mal trocávamos palavras, limitando-nos a acenos sutis e cumprimentos vazios quando a corte inteira estava de olhos cravados em nós.Curiosamente, Astrid não passava as noites nos aposentos do Rei. Soren dividia o seu tempo e a sua atenção entre nós duas com uma precisão matemática, mas, em cada banquete, em cada audiência no estrado e em cada decreto, ele deixava brutalmente claro para o Norte inteiro quem era a sua Luna e quem era a sua segunda esposa. A coroa principal não havia saído da minha cabeça, e Astrid, surpreendentemente, não parecia ter o menor problema com essa hierarquia. Ela aceitava o seu lugar com uma altivez silenciosa.Numa daquelas manhãs límpidas e frias de primavera, eu caminhava sozinha pela ala leste, aproveitando o raro si
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