Giovana e LiaA cozinha do castelo estava mergulhada em silêncio.O único som que quebrava a calmaria era o leve tilintar das colheres contra as xícaras de porcelana.Eu, Lia, caminhava com cuidado entre as bancadas, preparando a infusão de ervas que, dia após dia, servia para Aurora.Além do chá, eu também colocava a mistura na jarra de água que Aurora costumava beber todas as noites antes de dormir.O chá para acalmar a alma.A água para trazer a destruição.Meus dedos tremiam enquanto trabalhava.Eu tentava esconder, mas a culpa consumia meus pensamentos.Ainda assim, toda vez que eu hesitava, a imagem do rosto pálido e frágil de Amelia surgia diante de meus olhos.Minha irmã...O motivo de tudo...Amelia tinha apenas oito anos.Os grandes olhos expressivos eram a única coisa que ainda conservava algum brilho em seu rosto marcado pela doença.O câncer tinha sido diagnosticado um ano antes.Desde então, eu vivia em um estado permanente de desespero.Tudo começou com dores nas pernas
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