O hospital era uma prisão.Não pelas grades, não havia grades no quarto onde eu estava, apenas a porta trancada e o policial do lado de fora. Mas pelas regras, pelas rotinas, pela impossibilidade de fazer qualquer coisa além de olhar para o teto e esperar. Meu corpo ainda estava quebrado — as costelas colando, as fraturas cicatrizando, a concussão deixando dores de cabeça que vinham em ondas. Os médicos diziam que eu tinha sorte de sobreviver ao atropelamento. Eu não tinha tanta certeza.Todas as noites, ele vinha.No começo, achei que fosse alucinação. Os remédios eram fortes, a dor era intensa, e a mente humana tem maneiras estranhas de lidar com o trauma. Mas as noites se passaram, os remédios diminuíram, e o gato continuava lá.Sempre na mesma janela. Sempre na mesma hora. Ele se sentava no parapeito do lado de fora, as patas dianteiras juntas, a cauda enrolada ao redor do corpo, e me observava através do vidro. Seus olhos eram amarelos, aqueles mesmos olhos que eu vira na florest
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